Reunión de Medio Año





 

 

61ª Asamblea General
The Westin Hotel
Indianápolis, Indiana
7 al 11 de octubre de 2005


Informes por país

Argentina Aruba Bolivia Brasil Canadá Caribe
Chile Colombia Costa Rica Cuba Ecuador El Salvador
Estados Unidos Guatemala Haití  Honduras  México  Nicaragua
Panamá Paraguay Perú Puerto Rico R. Dominicana Uruguay
Venezuela          

Conclusões

Uma onda de violência sem precedentes contra os jornalistas no México, a continuação da repressão aos jornalistas independentes em Cuba e a crescente preocupação com as fontes confidenciais nos Estados Unidos foram os desafios mais importantes contra a liberdade de imprensa neste semestre.

Um aspecto positivo foi que nenhum jornalista morreu violentamente na Colômbia nos últimos seis meses, o que configura um grande contraste com os 25 anos de ataques à imprensa por traficantes de drogas e forças extremistas de esquerda e de direita que fazem com que a Colômbia seja um dos locais mais perigosos do hemisfério para o exercício do jornalismo.

Os membros mexicanos da SIP afirmaram que a onda de violência que causou a  morte de três jornalistas e que resultou no seqüestro e desaparecimento de outro é a pior do país nos últimos anos. Os traficantes de drogas e os membros corruptos das forças policiais que disputam o controle do território, especialmente na fronteira entre o México e os Estados Unidos, atacaram repetidamente meios e jornalistas.

Em resposta aos crimes contra jornalistas e à impunidade tanto no México quanto no Peru, repórteres, editores e diretores de jornais uniram esforços para trabalhar juntos, mediante a criação de equipes especiais de investigação. Formaram também alianças para enfrentar a violência resultante do crime organizado e para exigir das autoridades a investigação dos crimes e o julgamento dos responsáveis.

As condições de trabalho para a imprensa no Panamá melhoraram desde que o governo do presidente Martin Torrijos cumpriu uma promessa de anular as “leis de desacato” criadas para limitar a publicação de matérias incriminatórias sobre funcionários públicos, assim como outras leis que restringem a liberdade de imprensa e que datam da época em que o Panamá era governado pela ditadura militar. É preocupante, entretanto, a aplicação do direito de réplica na nova Lei 22, que é mais uma restrição à liberdade de imprensa utilizada pelos funcionários públicos. 

O debate sobre as condições da imprensa nos Estados Unidos é geralmente mínimo se comparado com o quadro de dificuldades enfrentadas pelos jornalistas em outros locais nas Américas. Esse ano, entretanto, o foco foi o direito de os jornalistas protegerem suas fontes confidenciais, como no caso de Judith Miller, repórter do The New York Times que permaneceu 85 dias na prisão por se recusar a revelar suas fontes.

Observa-se atualmente um intenso debate nos Estados Unidos sobre fontes confidenciais que pode resultar na aprovação de uma lei federal sobre sigilo profissional jornalístico. Por outro lado, o governo norte-americano impõe restrições maiores sobre documentos governamentais e reduziu significativamente a quantidade de informações que está disposto a divulgar sob a Lei de Acesso à Informação.  

Em Cuba, 26 jornalistas independentes, vários deles sofrendo de doenças sérias, continuam perecendo nas prisões de Cuba sob falsas acusações de subversão apresentadas depois que se recusaram a deixar de exercer o jornalismo. Dois deles continuam em greve de fome para protestar pelas humilhações que sofrem.

Os jornalistas e meios de comunicação na Venezuela continuam enfrentando um futuro tenso e incerto, visto que o presidente Hugo Chávez continua usando seus poderes para impor leis e outros decretos políticos para manter um forte controle do governo e restrições à imprensa. Uma reforma do código penal que amplia o crime de desacato e a Lei de Responsabilidade Social no Rádio e na Televisão que controla os conteúdos, são alguns dos instrumentos utilizados contra a imprensa.

Em Honduras, mantém-se uma ordem de censura prévia que proíbe qualquer publicação de pesquisas de opinião três meses antes das eleições, e também pesquisas de boca-de-urna no dia das eleições.  Nesse país, como no Equador, Venezuela, e Nicarágua , só podem exercer o direito humano de buscar e difundir informações pela imprensa as pessoas que sejam reconhecidas como jornalistas pelas respectivas associações profissionais de cada um desses países.

Existe também a tendência favorável à promulgação de leis de acesso à informação, adotadas recentemente pelo México, Peru, República Dominicana, Equador e Panamá. Na Argentina, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Paraguai os congressos continuam examinando projetos de lei sobre a matéria.

A conclusão é que as condições de trabalho continuam arriscadas e que as liberdades de imprensa são poucas em muitos países do hemisfério, uma situação que se prolonga ano após ano sem exceção.