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CONCLUSÕES
da Reunião de Meio de Ano
Quito, Equador
17 a 20 de março de 2006
A Sociedade Interamericana
de Imprensa concluiu, durante sua Reunião de Meio de Ano, que os jornalistas
independentes de todo o hemisfério continuam enfrentando a violência,
a perseguição do governo e vários ataques jurídicos
que limitam sua capacidade de exercer plenamente seus direitos de liberdade
de expressão.
Os ataques aos meios foram extremamente violentos nos estados do norte do México,
onde nas últimas semanas gangues de narcotraficantes atacaram descaradamente
as instalações do El Mañana, em Nuevo Laredo, disparando
metralhadoras e jogando no local uma granada que deixou um jornalista paralítico.
Em um outro incidente, Jaime Arturo Olvera Brava, repórter policial do
jornal La Voz, em La Piedad, foi assassinado a tiros enquanto caminhava com
seu filho em direção a um ponto de ônibus.
Ataques como esses estão obrigando
os jornalistas da região a deixar de cobrir acontecimentos relacionados
às gangues criminosas, uma autocensura que aumenta e que tem sido motivo
de crescente preocupação na zona de fronteira entre o México
e os Estados Unidos. Criou-se então o Projeto Fênix, apoiado pela
SIP, para ajudar os meios dessa região a lutar com esses grupos do crime
organizado.
No resto do hemisfério, três
jornalistas foram assassinados nos últimos seis meses, um está
desaparecido, e supostamente morto, como resultado direto do seu trabalho.
Enquanto isso, na Venezuela, o presidente
Hugo Chávez está sendo cada vez mais eficaz na sua perseguição
e punição aos meios independentes, utilizando uma tributação
arbitrária, intimidação com ajuda de multidões,
e a implementação da chamada Lei de Responsabilidade Social para
o Rádio e Televisão, que qualifica a dissidência como crime.
Segundo essa lei, as quatro cadeias de televisão e as 200 estações
de rádio do país operavam “a serviço do Estado”,
segundo o presidente, que também aparece na televisão durante
cerca de 40 horas semanais.
Grande parte do Poder Judiciário
da Venezuela foi submetida ao controle do Executivo, impossibilitando os meios
de obterem qualquer indenização por prejuízos sofridos.
Várias associações venezuelanas de jornalistas, assim como
organizações internacionais, tais como Repórteres sem Fronteira,
Human Rights Watch e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da
OEA, emitiram declarações formais expressando sua preocupação
sobre a erosão da liberdade de expressão na Venezuela.
Cuba continua sendo o país
mais repressor desse hemisfério, com poucas possibilidades de mudança
sob o regime de Fidel Castro. Atualmente, há 25 jornalistas independentes
presos e em condições tão deploráveis que alguns
recorreram à greve de fome com a esperança de chamar atenção
para seus casos. Outro jornalista e advogado, Mario Enrique Mayo, foi libertado
e cumpre agora prisão domiciliar, mas só depois de ter usado uma
faca artesanal para mutilar-se em uma tentativa de obter cuidados médicos.
Entre os jornalistas cubanos presos inclui-se agora a primeira jornalista, Lamasiel
Gutiérrez Romero, 37, mãe, que foi levada para a Prisão
de Manto Negro, em Havana, depois de se recusar a deixar de trabalhar como jornalista
independente.
Embora os meios de comunicação
continuem a executar suas missões de serviço público em
outros países, certos jornais e jornalistas têm enfrentado vários
esforços diretos e indiretos por parte do governo, políticos e
outros grupos poderosos para restringi-los.
Na Argentina, o presidente Nelson
Kirchner intensificou sua hostilidade aos meios independentes empregando denúncias
verbais e o poder do governo – aumentando os impostos e não concedendo
publicidade oficial a jornais e empresas de mídia – para punir
os críticos. Ataques semelhantes ocorreram no Paraguai, Uruguai e, de
uma forma um pouco mais sutil, nos Estados Unidos, onde o governo Bush tem desafiado
os esforços da mídia para obter informações públicas
e os repórteres têm sido solicitados por cortes federais a divulgar
suas fontes.
A SIP continua preocupada com a incapacidade
ou a falta de vontade de alguns governos de investigar, acusar e punir aqueles
que cometeram crimes contra jornalistas, inclusive seqüestro e assassinato.
No Brasil, entre outros casos, a investigação policial do assassinato
de um apresentador de televisão, Edgar Lopes de Faria, foi encerrada
porque a polícia disse que não havia pistas suficientes.
Mais uma vez, o chamado problema
de impunidade parece mais grave no norte do México, onde gangues de narcotraficantes
mataram, seqüestraram e agrediram jornalistas – e a polícia
– sem que nada acontecesse. Jornalistas haitianos também enfrentaram
um clima de insegurança como resultado de um sistema criminal e judicial
limitado ou não existente.
Um aspecto positivo, entretanto,
foi o anúncio do vice-presidente colombiano Francisco Santos, em 9 de
fevereiro, sobre a criação de uma unidade federal especial com
o objetivo de agilizar as investigações de ameaças e ataques
a jornalistas, os quais, segundo o presidente, aumentaram nos últimos
meses.
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