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ENRIQUE
SANTOS CALDERÓN
Relatório da Comissão de Impunidade
Indianápolis, Indiana
7 a 11 de outubro de 2005
Queridos colegas,
O trabalho da Comissão
de Impunidade foi particularmente intenso e produtivo desde a última
reunião no Panamá. A Comissão trabalhou em 18 atividades
desde março até a data, e essas atividades incluíram missões,
conferências internacionais, seminários e treinamento.
Fizemos oito missões: visitamos seis vezes o México para revisar
os casos de Víctor Manuel Oropeza e Héctor Félix Miranda;
realizamos um encontro de editores na fronteira norte e nos reunirmos com o
presidente Vicente Fox, autoridades do Poder Judiciário e Legislativo,
entre outras.
Visitamos também
Lima e Pucallpa, no Peru, para fazer o acompanhamento de vários assassinatos
de jornalistas.
Participamos também
nesse semestre de conferências internacionais sobre crimes contra jornalistas
na República Dominicana, Estados Unidos, Inglaterra e Porto Rico e, como
parte das atividades da Comissão, realizamos cinco seminários
no Haiti, Honduras, México. Realizamos na Argentina um workshop para
treinamento de jornalistas brasileiros.
Gostaria de destacar,
entre as atividades da SIP, a missão a Hermosillo, México, em
31 de agosto passado. O encontro, do qual participaram mais de 40 editores e
jornalistas mexicanos, produziu a Declaração de Hermosillo, documento
que unifica posições para combater a impunidade e a violência
contra jornalistas e que pretende impulsionar reformas constitucionais para
obter a não prescrição de crimes contra jornalistas. Obtivemos
um compromisso semelhante dos meios de comunicação na Colômbia
para enfrentar o Cartel de Medellín.
Destacamos a importância
da Declaração de Hermosillo pela solidariedade que obteve contra
a impunidade no país, que hoje apresenta índices alarmantes contra
a imprensa. Gostaria de informar que nossas reuniões no México
com o presidente Fox, autoridades judiciais e legisladores federais, obtiveram
o compromisso do governo com a criação de mecanismos jurídicos
para combater os crimes através da “federalização”.
O compromisso de Fox se concretizou quando ele permitiu recentemente que vários
casos passassem para a alçada da Procuradoria-Geral, tais como os casos
de Guadalupe García Escamilla, Raúl Giba Guerrero, Francisco Ortiz
e Alfredo Jiménez Mota.
O compromisso do
governo abrange também promotorias especiais para a investigação
de crimes e análise jurídica sobre penas mais severas para os
responsáveis.
No Peru, a Declaração
de Hermosillo inspirou, uma semana depois da sua redação, a Declaração
de Pucallpa, a qual, como sua versão no México, cria um compromisso
de condenar os assassinatos, fazer reivindicações junto ao Poder
Executivo, solicitar aperfeiçoamento das legislações para
processos e condenar os autores intelectuais.
O mais importante
foi que, dias depois de uma missão que fizemos à cidade de Pucallpa,
no Peru, junto com o Conselho de Imprensa Peruano, dois autores materiais que
estavam foragidos foram presos, e em 7 de outubro passado, o prefeito de Pucallpa,
Luis Valdez Villacorta, suposto autor intelectual, foi preso.
A Unidade de Resposta
Rápida mantém seu trabalho investigativo em um bom ritmo. Fizemos
o acompanhamento ou investigamos cinco casos no Brasil, Colômbia e no
México. A URR também desempenhou um papel importante como elemento
de pressão nos países em que os crimes ocorreram. No caso da Colômbia,
por exemplo, conseguiu-se que o procurador-geral se comprometesse a revisar,
atualizar e agilizar os casos. Em um caso investigado nesse país pela
URR, o de Nelson Carvajal Carvajal, assassinado em 1998, participaremos no próximo
19 de outubro de uma reunião de trabalho na sede da Comissão Interamericana
de Direitos Humanos (CIDH), em Washington, com o governo da Colômbia para
obter um acordo.
Nessa oportunidade,
apresentaremos também à CIDH um novo caso. Trata-se da investigação
da SIP do assassinato de Mário Coelho Jr., assassinado em 2001 no Brasil,
país em que o trabalho da URR conseguiu uma resposta das autoridades
sobre alguns crimes cujos processos estão parados.
Devemos lamentar,
entretanto, os assassinatos nos últimos seis meses de Ricardo Gonçalves
Rocha, no Brasil; de Julio Augusto García, no Equador; Robenson Laraque
no Haiti, e de Jesús Reyes Brambila, Guadalupe García Escamilla,
Raúl Gibb Guerrero, no México e o desaparacimento de Alfredo Jiménez
Mota. Nos solidarizamos com seus familiares, amigos e colegas. Gostaria de dizer
que a nossa Comissão e a SIP não vão descansar enquanto
esses casos não forem esclarecidos e os culpados não forem condenados
com todo o rigor da lei.
Peço que
façamos um minuto de silêncio em sua homenagem.
O trabalho de pressão
sobre as autoridades, fazendo o acompanhamento dos casos, é fundamental.
Constatamos que a impunidade enfrenta obstáculos intransponíveis,
e enfrentamos um deles: a prescrição dos crimes, condição
jurídica na qual alguns estados se escoram para não terem maiores
responsabilidades, e isso ocorre freqüentemente quando enfrentamos os autores
intelectuais dos assassinatos de jornalistas.
Descobrir os autores
intelectuais foi nossa meta desde que iniciamos esse projeto, em 1995. Entre
os 290 assassinatos que contabilizamos durante 18 anos, em apenas alguns deles
os autores intelectuais foram localizados, mas não punidos.
Nossas Recomendações da Guatemala, de 1997, e as declarações
que apresentamos à UNESCO e à OEA, em 1997 e 1998, respectivamente,
invocam claramente a responsabilidade dos autores intelectuais e a não
prescrição dos crimes, se o objetivo é ganhar a luta contra
a impunidade.
Nas missões
que fizemos ao México e ao Peru, pedimos às autoridades que instaurassem
reformas jurídicas que permitissem a não prescrição
dos crimes. As declarações de Hermosillo e Pucallpa concentram-se
em tentar resgatar, avivar e promover a criação de leis destinadas
à não prescrição dos crimes contra jornalistas.
Por que pedimos
isso? O caso de Héctor Félix Miranda, assassinado em Tijuana em
1988, nos serve de exemplo. As autoridades locais com as quais estamos trabalhando
como parte do sucesso que tivemos com a Comissão Interamericana de Direitos
Humanos, nos dizem que o caso prescreveu, e com isso perdemos o trabalho de
uma década para que os responsáveis pela morte do jornalista fossem
castigados.
O mesmo acontece
no Peru com o caso do jornalista Alberto Rivera, assassinado em Pucallpa. As
autoridades localizaram os autores materiais, mas existem várias irregularidades
quanto à autoria intelectual. A firmeza dos meios, editores e jornalistas
dos dois países merece ser imitada porque só conseguiremos fazer
uma diferença se trabalharmos juntos.
A luta é
difícil, mas quero lhes dizer que podemos vencer, e que a SIP está
obtendo vitórias, apesar de tudo. Entre os 57 casos investigados pela
URR, em 23 deles 56 pessoas foram condenadas a prisão. Atualmente, há
31 pessoas presas, e isso se deve, em grande parte, ao trabalho da SIP.
Muito obrigado.
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