58 ASSEMBLÉIA DA SIP EM

JW Marriott Hotel & Stellaris Casino Lima
12 - 16 outubro, Peru

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Relatório de Alberto Ibargüen,
Presidente da Comissão de Impunidade,
58a Assembléia Geral da SIP
Lima, Peru
28 de outubro de 2002

No final deste ano concluiremos a terceira etapa do projeto Crimes sem punição contra jornalistas. Como essa será a última assembléia da SIP nesse período, cabe revisar o progresso que tivemos nos últimos anos. Queremos também apontar o rumo que o projeto irá tomar nos próximos meses.
Antes de mais nada, quero agradecer meus colegas do Comitê de Impunidade por sua ajuda. São eles o vice-presidente Gonzalo Marroquín e o sócios Fabricio Altamirano, José Santiago Healy, María Ofelia Cerro Moral, Bartolomé Mitre, Jorge Fascetto, Bob Rivard, Demetrio Rojas, Gonzalo Leaño, Paulo Cabral, Enrique Santos Calderón e um novo sócio, Alejandro Domínguez. Quero também agradecer pelo apoio que os presidentes da SIP sempre nos deram, começando com o apoio inicial do então presidente Jorge Fascetto no início do projeto e incluindo o presidente eleito Andrés García Gamboa. Obrigado a todos e muito obrigado pelo suporte de Julio Muñoz e a liderança de Ricardo Trotti e os jornalistas que compõem a Unidade de Resposta Rápida: Diana Calderón, na Colômbia; Clarinha Gork, do Brasil, e Marco Patiño, do México.
A vontade de nossa sociedade e o suporte da Fundação John S. and James L. Knight permitiram que mostrássemos ao mundo a inadequada administração da justiça quanto aos crimes contra jornalistas e permitiram-nos recrutar outras instituições para essa luta contra a impunidade.

SUPORTE ECONÔMICO
Essa forte aliança com a Fundação Knight começou em 1993 e desde então realizamos nosso trabalho em três etapas. A primeira foi o projeto de coordenação de liberdade de imprensa. Na segunda, começamos a nos concentrar em crimes sem punição contra jornalistas, tais como o livro que estamos publicando. Estamos terminando a etapa atual, a Unidade de Resposta Rápida. O financiamento para a última etapa termina no final do ano e por isso estamos fazendo essa avaliação e o plano de trabalho para o futuro.
Com base no nosso trabalho e nos fatos, concluímos que é muito importante continuar com a Unidade de Resposta Rápida, reforçando esse trabalho com campanhas de educação, treinamento e promoção, como veremos. Esperamos continuar recebendo o suporte da Fundação Knight, que tomará sua decisão a esse respeito em março de 2003.

DIAGNÓSTICO
Começamos nossa pesquisa em 1995 e ela nos permitiu fazer o diagnóstico das causas e conseqüências dos assassinatos de jornalistas e a impunidade para seus agressores. O mero fato de coletar estatísticas permitiu que concentrássemos nossos esforços nos países onde eram mais necessários. Infelizmente, é óbvio que a Colômbia e o México são os países mais perigosos para os jornalistas, seguidos pela Guatemala e pelo Brasil. Entretanto, devo observar que nos últimos anos o número de assassinatos de jornalistas diminuiu na Guatemala.

CONHECIMENTO
A pesquisa mostra que a falta de vontade política e de uma estrutura jurídica adequada, a ineficácia de sistemas jurídicos fracos e a falta de habilidade das forças policiais fornecem o ambiente ideal para a impunidade.
Mas nossa pesquisa também mostra que uma falta de educação dos jornalistas, sua negligência no trabalho e a falta de solidariedade entre os colegas também contribuem para a impunidade.

OBJETIVOS E PLANOS DE AÇÃO
Na Conferência Hemisférica de 1997 na Guatemala, os objetivos desse projeto foram estabelecidos. São os seguintes, resumidamente:
1. diminuir o perigo para os jornalistas garantindo que um crime contra um jornalista seja punido
2. adotar nos vários países o princípio jurídico de que não há prescrição para os crimes contra jornalistas
3. possibilitar o julgamento e condenação dos mentores desses crimes
4. persuadir organizações de assistência financeira a tornar o respeito à liberdade de expressão uma condição para recebimento de ajuda
5. criar um relator especial para liberdade de imprensa no hemisfério

ACORDOS COM GOVERNOS
Depois de estabelecer esses objetivos, a SIP abordou organizações multilaterais e buscou acordos de cooperação nos fóruns internacionais.
Conseguimos uma resolução da UNESCO descrevendo o assassinato de jornalistas como um crime contra a sociedade e outro com a Organização dos Estados Americanos pedindo aos países membros que investigassem e punissem os crimes contra jornalistas.
Na Cúpula das Américas, realizada no Chile em 1998, conseguimos colocar os crimes contra jornalistas na agenda e encorajamos a criação de um relator para liberdade de imprensa. Na cúpula de Quebec em 2001, houve a proposta de que os crimes contra jornalistas fossem tratados no nível federal. Pedidos semelhantes foram feitos nas assembléias da OEA na Venezuela e Costa Rica.

CASOS APRESENTADOS À CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS
A plataforma fornecida pela Corte Interamericana de Direitos Humanos foi um modo bem-sucedido de obter suporte internacional. Seus procedimentos possibilitaram abrir um diálogo com os governos do hemisfério e fazer uma pressão concreta sobre eles.
Até agora investigamos 40 assassinatos e apresentamos 16 à comissão depois de provar que os assassinatos foram cometidos por causa do trabalho jornalístico das vítimas e que os recursos jurídicos haviam se esgotado.

NEGOCIAÇÕES COM GOVERNOS
Pedimos também justiça diretamente aos governos. Fizemos isso com resoluções, missões e acordos amigáveis, tais como o que fizemos com a Guatemala em relação ao caso de Irma Flaquer.
A experiência que adquirimos foi útil também para determinar quando recusar propostas desfavoráveis, tais como as sugeridas pelo México quanto aos assassinatos de Héctor Félix Miranda e Víctor Manuel Oropeza e pela Colômbia quanto a Guillermo Cano e Carlos Lajud Catalán, que teriam coberto esses crimes sem solucioná-los ou sem proporcionar punição para os mesmos.

PAPEL DECISIVO
Uma característica básica dessa Sociedade é que seus sócios trabalham. Junto com os dirigentes da SIP, os sócios emitiram 88 resoluções. A Unidade de Resposta Rápida realizou 40 investigações nos locais onde os crimes foram cometidos. Publicamos três livros, produzimos três vídeos e mantemos uma página na Web.

INTERNET
A página de Web torna o trabalho da Unidade de Resposta Rápida disponível a qualquer pessoa e as informações podem ser divulgadas gratuitamente.
Além disso, com a liderança do pessoal da SIP, nossos sócios realizaram 30 missões a 50 países exigindo que os crimes contra jornalistas sejam solucionados, julgados e punidos.
As contribuições mais importantes de nossos sócios é sua certeza de que um mundo no qual reina a liberdade de imprensa é um mundo melhor e que esse mundo é possível. A coragem desses sócios é evidente quando correm o risco de participar dessas missões exigindo respeito com a força moral de sua presença e o prestígio da mídia que representam.
Devo enfatizar que isso custa dinheiro. Os sócios da SIP contribuíram com mais de US$ 1,3 milhão. Acrescentada à contribuição de quase US$2,5 milhões da Fundação Knight, isso demonstra claramente o compromisso com esse projeto.

REALIZAÇÕES E PROGRESSO
Nossa pesquisa resultou na reabertura de crimes esquecidos. Além do caso de Irma Flaquer, na Guatemala, e Guzmán Quintero, na Colômbia, os casos dos assassinatos de Reinaldo Coutinho da Silva e Manoel Leal de Oliveira foram reabertos no Brasil.
Na Colômbia, o governo criou um escritório de promotoria especial para investigar os assassinatos e um programa de proteção para os jornalistas. Dentro da reforma do Código Criminal de 2001, os crimes de homicídio, seqüestro e tortura de jornalistas são considerados circunstâncias agravantes na determinação de penalidades. Uma missão à Colômbia deverá ocorrer em janeiro e discutirá essas questões com o novo governo do presidente Uribe.
No Brasil, apoiamos um projeto de lei para reforma judiciária que classificaria um crime contra jornalistas como crime federal. Esperamos discutir essa questão com o novo governo durante uma missão em fevereiro ou março do ano que vem.

QUESTÕES ESSENCIAIS E PENDENTES
Não é necessário explicar a essa assembléia por que é importante continuar lutando para diminuir o risco para nosso povo e para nossas realizações se tornarem métodos de trabalho cotidianos. Declaramos isso na Conferência "Narcotráfico: jornalistas em perigo", no final de agosto, em Tijuana, México.
Nessa reunião, confirmamos nosso compromisso em continuar trabalhando para que os crimes contra jornalistas sejam classificados como crimes federais ou transferidos para tribunais especiais. Insistimos também no princípio de não prescrição porque tais crimes são crimes contra a sociedade, e na criação de promotores especiais, estímulo a reformas de código criminal e a exigência de que a liberdade total de imprensa seja uma condição para assistência financeira por parte das instituições financeiras.
Mas alcançar nossos objetivos é um longo processo. Conseguimos muito, mas não podemos nos esquecer de que apenas em seis meses desde nossa última reunião na República Dominicana, seis jornalistas foram mortos por motivos relacionados a seu trabalho.
Domingos Sávio Brandão, empresário e proprietário do jornal Folha do Estado em Mato Grosso, Brasil, foi morto em 30 de setembro. Suspeita-se que foi morto por causa de reportagens publicadas no seu jornal.
Elizabeth Obando, gerente de distribuição do jornal semanal Nuevo Día em Tolima, Colômbia, foi morta em 13 de julho em Roncesvalle em represália pela publicação que distribuía.
Mario Prada Díaz, diretor da publicação mensal Horizonte Sabanero em Santander, Colômbia, foi encontrado morto em 12 de julho, um dia depois de desaparecer.
Efraín Alberto Varela Noriega, proprietário e editor de notícias da Radio Meridiano 70 em Arauca, Colômbia, foi morto em 28 de junho.
Tim Lopes, da TV Globo no Brasil, desapareceu em 2 de junho nos arredores do Rio de Janeiro enquanto trabalhava em uma reportagem. Seu assassinato foi confirmado em 9 de junho.
María Teresa Guzmán, diretora-executiva do jornal El Diario em La Paz, Bolívia, foi assassinada em 10 de abril quando uma bomba explodiu na parte de trás do seu carro.
Além desses seis, dois outros jornalistas morreram no exercício de sua profissão.
Héctor Sandoval, cinegrafista da RCN TV em Bogotá foi mortalmente ferido no fogo cruzado entre soldados e as guerrilhas das FARC em abril.
Jorge Tortoza, fotógrafo do jornal 2001 em Caracas, foi morto em 11 de abril quando cobria um conflito violento entre simpatizantes e oponentes do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.
Peço agora um minuto de silêncio em sua honra, como é nosso hábito.

NOSSO FUTURO
Em nome desses e de outros que morreram, mas ainda mais em nome dos que continuam trabalhando como jornalistas todos os dias correndo os riscos e em nome da liberdade de imprensa, proponho expandir nosso projeto para ajudar a evitar os crimes contra jornalistas.
Nossa intenção para essa nova etapa de três anos, que começará em 2003 é, além de continuar os projetos dentro do programa de liberdade de imprensa, concentrarmo-nos nos programas de prevenção, treinamento e promoção.
Já mencionei que uma das causas desses crimes é a falta de conhecimento e falta de cuidado dos próprios jornalistas. Na próxima etapa do projeto contra impunidade, propomos realizar conferências e seminários para treinar melhor nosso pessoal.
Continuaremos também com nossa pesquisa, relatórios e pedidos a governos através dos mecanismos habituais da SIP e seus grupos de trabalho.

NOSSO COMPROMISSO
Nós, da mídia, sabemos como fazer duas coisas melhor do que ninguém: jornalismo e propaganda. Com a Unidade de Resposta Rápida, estamos usando o jornalismo para utilizar a força da informação e a verdade para pressionar as autoridades a fazer justiça. Chamamos também a atenção dos leitores para o perigo para os jornalistas e a injustiça da impunidade criminal.
Estamos agora propondo uma campanha publicitária com o mesmo objetivo de despertar os leitores e ouvintes e de aumentar a pressão para que as autoridades apliquem a justiça nos casos de crimes contra jornalistas. Na tela, vocês verão amostras de anúncios que pretendemos publicar em jornais e revistas em todo o hemisfério. Eles darão uma breve descrição de um caso de um jornalista assassinado, informações sobre o website do Comitê de Impunidade, e terminarão com uma chamada para o público escrever, ligar e pressionar as autoridades apropriadas para pedir justiça.
Seria ideal se um desses anúncios aparecessem todo mês em todo o hemisfério. Imaginem o impacto que uma campanha assim teria internacionalmente depois de um ano. Os jornais teriam apenas de pagar o custo do papel e da produção, já que os anúncios seriam enviados da sede da SIP em Miami.
(SLIDE DE IMPUNIDADE)

Tenho a honra de anunciar que as publicações e grupos a seguir se comprometeram a publicar esses anúncios: El Tiempo, de Bogotá; Caretas, de Lima; Healy Newspapers, de Hermosillo e Tijuana; Prensa Libre, da Guatemala; Novedades, em Cancún; The Miami Herald e El Nuevo Herald, em Miami. Antes do final desta assembléia, espero contar com o compromisso de muitos de vocês para participar dessa campanha de conscientização e pressão contra a impunidade.
Os anúncios que oferecemos aos sócios da SIP para a campanha, além do suporte econômico que os sócios fornecem, nos permitirão contribuir para a quantia total da nova proposta que apresentaremos à Fundação Knight. E poderemos contar com um orçamento mais confortável para realizar nossas missões.
O objetivo desses anúncios é conscientizar os cidadãos e fazer uma pressão em âmbito internacional. Para aqueles que duvidam do poder de uma comunidade para dizer "Basta!" pensem nos casos de Guillermo Cano, na Colômbia, de José Luis Cabezas, na Argentina, e de Tim Lopes, no Brasil. Não podemos pedir mais do que isso.

(ÚLTIMO SLIDE)
Não acabaremos com os crimes contra jornalistas. Não estamos tentando algo utópico. Sempre existirão criminosos e nós estaremos na sua mira. Mas queremos dar um basta à impunidade e, assim, reduzir os riscos.
Isso exige tempo, paciência, coragem e vontade.
Não há dúvida de que se trata de um esforço válido. Agradecemos a todos os sócios da SIP por seu apoio. Ele é necessário e nobre.
Obrigado.
















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