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IMPUNIDADE-MÉXICO
I
Resolução da 62a Assembléia Geral
Cidade do México, México
2006
CONSIDERANDO
que em maio de 2004 representantes do estado de Baja California e do governo
do México assinaram um acordo patrocinado pela Comissão Interamericana
de Direitos Humanos com a Sociedade Interamericana de Imprensa para criar um
grupo de trabalho que revisará o processo do assassinato de Héctor
Félix Miranda, ocorrido em abril de 1988
CONSIDERANDO
que o jornalista Francisco Ortiz Franco, editor do semanário Zeta (Baja
California), foi assassinado em junho de 2004 e que a PGR não prendeu
nenhum dos responsáveis, e que em 16 de agosto passado foi capturado
por autoridades dos Estados Unidos, Arturo Villarreal Heredia, conhecido como
“El Nágon”, considerado como um dos participantes do assassinato,
crime pelo qual será acusado no México, onde deverá ser
pedida sua extradição
CONSIDERANDO
que realizaram três reuniões de trabalho e que a procuradoria-geral
de Baja Califórnia enviou, através do ministério de Relações
Exteriores, com quase seis meses de atraso, suas observações técnico-jurídicas
sobre as investigações do assassinato de Héctor Félix
Miranda e o encobrimento de um dos cúmplices do assassinato, nas quais
conclui que todos os crimes prescreveram, exime de qualquer responsabilidade
os funcionários que participaram das investigações e determina
que as atuações no caso “foram suficientes”
CONSIDERANDO
que a SIP revisou esse documento e apresentou suas observações,
expressando sua insatisfação com o seu conteúdo, e que
até a data não recebeu resposta das autoridades mexicanas
CONSIDERANDO
que depois que a SIP, representantes do ministério de Relações
Exteriores e da procuradoria-geral de Chihuahua revisaram em fevereiro de 2005
o processo do assassinato de Víctor Manuel Oropeza, ocorrido em julho,
ficou evidente que as autoridades não investigaram profundamente o caso
durante esses anos, que houve perda de provas, que não se investigou
a possibilidade de o assassinato estar ligado ao trabalho do jornalista e que
outras hipóteses não foram satisfatoriamente investigadas
CONSIDERANDO
que desde então a procuradoria retomou as investigações
de forma mais aprofundada, sem que até agora a SIP saiba quais foram
os resultados
CONSIDERANDO
que o princípio 4 da Declaração de Chapultepec estabelece
que ““o assassinato, o terrorismo, o seqüestro, a intimidação,
a prisão injusta dos jornalistas, a destruição material
dos meios de comunicação, qualquer tipo de violência e impunidade
dos agressores afetam seriamente a liberdade de imprensa e de expressão.
Estes atos devem ser investigados com prontidão e castigados severamente”
A ASSEMBLÉIA GERAL DA SIP RESOLVE
exigir que a procuradoria-geral
do estado de Baja California investigue de forma séria, profunda, imparcial
e eficaz todos os possíveis envolvidos no assassinato do colunista Héctor
Félix Miranda, assim como os funcionários que podem ter atuado
de forma irresponsável no exercício das suas funções,
e que este crime, como outros do mesmo tipo, não prescreva
pedir que a PGR prenda todos
os responsáveis pelo assassinato do jornalista Francisco Ortiz Franco
e que os râmites da extradição para o México de Arturo
Villarreal Heredia, conhecido como “El Nálgon”, considerado
como um dos principais envolvidos, sejam feitos de forma rápida e contundente
solicitar que a procuradoria-geral
do estado de Baja California não determine a prescrição
do caso de Héctor Félix Miranda, respeitando os tratados internacionais
assinados pelo México, e que investigue a fundo esse assassinato para
que não fique sem punição
impulsionar o trabalho da
procuradoria-geral do estado de Chihuahua para esclarecer o assassinato do colunista
Víctor Manuel Oropeza e impulsionar o trabalho dos responsáveis
pelas investigações para que, na próxima reunião
do grupo de trabalho, haja resultados contundentes que permitam identificar,
prender e levar a julgamento todos os responsáveis, inclusive os possíveis
autores intelectuais
insistir junto à
procuradoria-geral para que apóie e reforce os trâmites de extradição
que lhes forem apresentados pelas autoridades de Chihuahua, para que um dos
supostos responsáveis pelo crime, Samuel de la Rosa Reyes, seja localizado
e extraditado para os Estados Unidos.
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