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57 ASSEMBLÉIA
DA SIP EM
Washington, D.C, 12 a 16 de outubro de 2001
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BOLÍVIA
Os jornais realizaram seu trabalho normalmente, sem restrições
governamentais, noticiando os conflitos sociais acarretados pela aguda crise
econômica, mesmo com as agressões isoladas a jornalistas por
parte de camponeses que bloquearam estradas do altiplano boliviano e militares
e policiais que tentavam desbloquear as estradas.
Na região do trópico de Cochabamba, território de saída
de coca ilegal e considerada área de operações militares,
foram registradas também agressões a jornalistas. Durante um
outro conflito entre grupos de camponeses, um jornalista foi assassinado.
As principais violações à liberdade de imprensa nesse
período estão a seguir.
Durante os conflitos sociais que sacudiram o país em abril e maio passados,
jornalistas bolivianos e estrangeiros foram agredidos por camponeses, policiais
e militares.
Comprovou-se também que policiais em traje civil se passaram por jornalistas
para poder se infiltrar nas marchas camponesas que se dirigiam à cidade
de La Paz, provenientes de diversos pontos do país. O ministro de Defesa
da Bolívia pediu desculpas pelos incidentes e prometeu investigar as
denúncias dos jornalistas.
O Poder Executivo recebeu o protesto formal da Associação de
Correspondentes da Imprensa Internacional pela atuação de um
oficial do Exército que impediu o trabalho dos repórteres que
cobriam a marcha em uma estrada do altiplano.
O jornalista Juan Carlos Encinas morreu em 29 de julho durante um conflito
de mineiros em Catavi, a 50km ao norte da cidade de La Paz. Encinas foi ferido
mortalmente no conflito entre duas organizações rivais que disputam
o controle de uma cooperativa mineira.
O jornalista foi ferido às sete horas, mas só pôde ser
retirado do local várias horas depois porque os grupos em conflito
se negaram a permitir que os feridos fossem removidos. Encinas morreu às
15 horas, depois de autorizada sua transferência para um hospital.
Segundo os relatórios policiais e o sindicato de imprensa da cidade
de El Alto, Juan Carlos Encinas estava sem trabalho há vários
meses.
O caso está parado nos tribunais da Suprema Corte de El Alto e a polícia
libertou os suspeitos.
De acordo com as investigações policiais, há três
anos dois grupos de camponeses, um chamado Cooperativa Multiactiva Ltda e
outro chamado Marmolera Comunitaria Ltda, iniciaram um conflito pela ocupação
de um depósito de calcário de Catavi. Encinas já havia
sido agredido em duas ocasiões anteriores pelos mesmos camponeses quando
acompanhava sua esposa.
Em 1o de julho, em Achacachi (a 90km ao norte da cidade de La Paz), houve
notícias de que a Radio Tahantinsuyo havia sofrido um atentado sem
graves conseqüências. Dirigentes camponeses acusaram o governo
de ser o autor do atentado porque a emissora camponesa estava sendo imparcial
em seus noticiários sobre o bloqueio camponês. O Poder Executivo
prometeu investigar o incidente.
Em 7 de setembro, o ex-ministro do Interior do presidente Hugo Banzer e atual
senador do partido do governo, Walter Guiteras, e Yolanda Prada, esposa do
ex-presidente, foram acusados de ser os mentores da tentativa de assassinato
do jornalista Ronald Méndez Alpire.
O ex-chefe de polícia de San Borja, departamento oriental de Bení,
capitão Emilio Patzi, declarou em junho do ano passado que Guiteras
foi o mentor do atentado ao jornalista Ronald Méndez. Segundo Patzi,
os autores dos disparos em uma das pernas de Méndez foram os irmãos
Suárez Guagama, muito conhecidos em Bení.
Patzi foi dispensado devido a supostas irregularidades no exercício
de suas funções, mas afirma que Guiteras ordenou sua expulsão
do serviço ativo por ele ter se negado a libertar alguns parentes seus
que estavam envolvidos no tráfico de drogas.
O senador do partido Ação Democrática Nacionalista (AND),
do governo, negou-se a responder às acusações do ex-policial.
O jornalista Ronald Méndez reiteirou suas acusações contra
o senador Walter Guiteras e a ex-primeira dama do país, Yolanda Prada,
afirmando que foram os mentores do atentado contra ele. Qualificou como "prova
máxima" as declarações do ex-policial e pediu ao
presidente Jorge Quiroga que atue com transparência e responsabilidade
e que inicie as investigações sobre o caso para apurar responsabilidades.
Méndez Alpire foi ferido em uma perna na noite de domingo, 11 de junho
de 2000, quando saía da casa do deputado Roberto Landivar, em Santa
Cruz. Landivar foi testemunha do atentado, que ocorreu a um metro de distância
do jornalista, e considera que o incidente tenha sido apenas uma advertência.
Autor de várias investigações sobre corrupção,
narcotráfico e outros temas sensíveis para a sociedade boliviana,
Méndez Alpire pode ter sido alvo da agressão devido ao conteúdo
de seus textos.
Guiteras e Prada ingressaram com ação contra Méndez Alpire
e Patzi.
Em 27 de setembro, um grupo de jornalistas que cobria o cerco camponês
a um acampamento militar em Loma Alta, a 230km de Cochabamba, foi advertido,
a tiros, de que se afastasse do local. Um camponês caiu ferido junto
a um jornalista e morreu ao ser transferido de helicóptero para um
posto militar onde seria atendido. O ministro do Interior disse que os jornalistas
estavam em uma área militar de "alto conflito".
Em todos os casos em que se registraram incidentes contra jornalistas, o governo
declarou, enfaticamente, que faria as investigações necessárias.
Infelizmente, essa afirmação parece não ser séria,
porque até agora não se apresentou nenhum resultado nem houve
punição de nenhum responsável.
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