CANADÁ
Durante o segundo semestre de 2002, a liberdade de expressão foi afetada
por decretos judiciais e iniciativas legislativas, especialmente no campo
do acesso à informação governamental.
Em agosto, a Associação Canadense de Jornalistas (CAJ) protestou
contra um aumento nas tarifas para a obtenção de cópias
dos registros públicos, sob o amparo da Lei de Liberdade de Informação
e Proteção à Privacidade na província de Nova
Escócia.
A CAJ declarou que a ação adotada pelo governo de Nova Escócia
representava um ataque sem precedentes ao direito do público de ter
acesso às informações em poder do governo que afetava
suas vidas.
A organização jornalística informou que, cinco meses
depois que os políticos do partido conservador (Tory) da província
impuseram as tarifas de acesso mais altas de todo o Canadá, o número
de pedidos de informações públicas havia reduzido radicalmente.
O presidente da CAJ, Robert Cribb, declarou que "a notável redução
nos pedidos de acesso a informações com certeza vai produzir
um suspiro de alívio entre os conservadores de Nova Escócia,
que sabem que, agora, suas ações estão melhor protegidas
do público".
Várias organizações de meios de comunicação
uniram-se para protestar contra uma proposta do governo federal que, em resposta
ao terrorismo mundial, sugeria a criação de uma ampla base de
dados onisciente com informações pessoais de todos os canadenses
que realizassem viagens aéreas. Supostamente, o governo está
preparando a base de dados com informações sobre todas as viagens
aéreas realizadas nos últimos seis anos, incluindo detalhes
como lugares de destino, acompanhantes, modalidade de pagamento da passagem
aérea, duração da viagem, quantidade de bagagem e até
alimentos preferidos.
Recentemente, um juiz permitiu que duas organizações de meios
noticiosos se unissem para objetar legalmente contra um mandado de busca e
apreensão e uma ordem complementar contra o National Post por parte
da Polícia Montada do Canadá, que exigiam que o redator-chefe
entregasse à polícia alguns documentos enviados ao jornal no
ano passado. A objeção legal ingressada pelo National Post procura
defender o direito do jornalista de comunicar-se com fontes confidenciais.
A ordem judicial que permitia que a The Globe and Mail e a CBS fizessem parte
da mencionada objeção foi descrita pela organização
Jornalistas Canadenses pela Liberdade de Expressão como um "alentador
avanço na luta pela liberdade de imprensa".
Em junho, o Supremo Tribunal do Canadá declarou-se contra uma apelação
ingressada pelo governo da província de Nova Escócia contra
uma sentença que ordenava a divulgação de informações
sobre as decisões do gabinete. As organizações de imprensa
aplaudiram a decisão e a consideraram uma vitória na luta pelo
acesso à informação.
Uma extraordinária maioria de canadenses deseja que o governo federal
proteja a liberdade de expressão nos meios e solucione o assunto relativo
à concentração de propriedade, segundo uma pesquisa de
opinião realizada em caráter nacional e divulgada em julho.
A pesquisa foi realizada pelo Sindicato de Trabalhadores de Comunicações,
Energia e Imprensa, o maior sindicato de trabalhadores de mídia do
país, 12 dias depois que o editor do Ottawa Citizen, Russell Mills,
foi demitido por escrever um editorial em que exigia a renúncia do
Primeiro-ministro Jean Chrétien.
Segundo a pesquisa, a maioria dos canadenses acredita que os proprietários
dos meios exercem demasiado controle sobre o conteúdo das notícias
e editoriais nos jornais e estações de rádio e televisão,
e que o problema da concentração dos meios justifica uma ação
do governo federal.
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