CHILE
Neste período, foram realizadas modificações jurídicas
em favor da liberdade de expressão.
Como resultado de diversos problemas não resolvidos pela lei 19.733
sobre a liberdade de opinião e informação e o exercício
do jornalismo, vigente deste 4 de junho de 2001, o governo anunciou que pretende
enviar ao Congresso um projeto de lei destinado a resolvê-los em seu
conjunto. Esses problemas envolvem a proteção da privacidade
e da honra das pessoas, tanto do ponto de vista penal como civil, além
da subsistência de modalidades muito criticadas de proteção
especial para funcionarios públicos, como por exemplo, contra o desacato.
Por causa de considerações importantes sobre as dificuldades
que um projeto de lei dessa natureza poderia enfrentar no Congresso, sugeriu-se
enviá-la em separado para o Congresso para eliminar a figura de desacato
do código. Para isso, o governo preparou um projeto que modifica diversos
artigos dos códigos Penal e de Justiça Militar, que foi enviado
em 26 de agosto à Câmara dos Deputados (boletim 3048-07). A Câmara
iniciou sua análise e agora ele encontra-se no Comitê da Constituição,
Legislação e Justiça, que ainda não começou
a examiná-lo. Na mensagem que acompanha o projeto, afirma-se que "a
figura de desacato ainda vigente em nosso país, que impõe sanções
penais para expressões que insultem ou ofendam um funcionário
público no exercício de suas funções, não
constitui uma restrição legítima ao exercício
da liberdade de pensamento, opinião e informação... Não
há dúvida de que a persistência destas regulamentações
no Chile resultou em um privilégio sem fundamento estabelecido em favor
de certas pessoas…"
O projeto anularia o artigo 263 do Código Penal (que pune injúrias
contra o presidente da República, a Câmara dos Deputados, o Senado
ou contra as comissões das duas entidades legais), eliminando a figura
do desacato na parte relativa às ofensas e privacidade.
Em junho de 2002, foi divulgada uma nova política de comunicações
do presidente da República restringindo a cobertura a alguns meios
de comunicação para as visitas a instalações presidenciais.
A Associação Nacional de Imprensa e o Colégio de Jornalistas
objetaram imediatamente, argumentando que, em um estado de direito, as autoridades
devem garantir o acesso às fontes em condições de igualdade.
A nova medida foi imediatamente anulada pela presidência. Em julho,
o presidente da Câmara dos Deputados estabeleceu um sistema para regulamentar
o acesso a suas instalações por jornalistas que não estivessem
designados em caráter permanente para a cobertura das sessões
parlamentares. Este sistema exigiria um aviso prévio à Câmara
e proibiria o acesso a determinados locais da mesma, entre eles a cafeteria.
A Associação Nacional de Imprensa afirmou que tais restrições
iam comprometer "a transparência informativa do Congresso"
e ameaçaria "a liberdade de informação". Finalmente,
o Congresso modificou a regulamentação.
A presidente do Conselho de Defesa do Estado, Clara Szczaranski, processou
o diretor do El Mercurio, Juan Pablo Illanes, alegando delito de injúrias
cometido por meio de um editorial do jornal em 28 de novembro de 2001. Durante
o ano, muitos membros da diretoria editorial foram convocados a depor perante
o tribunal. Concluída essa fase, a autora da ação solicitou
que outros colaboradores também fossem convocados a depor, o que foi
negado pelo tribunal. Como conseqüência, a autora da ação
apelou dessa decisão e o caso não teve nehum outro progresso.
Em 15 de outubro de 2002, o subdiretor de contra-espionagem da Força
Aérea do Chile apresentou queixa contra Alberto Luengo, diretor do
jornal La Nación, por supostos delitos de calúnia e injúria
grave que teriam sido cometidos em um artigo publicado em 13 de outubro sobre
atos de oficiais da força aérea.
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