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Reunião de Meio
de Ano
San Salvador, Marzo 21-24
El Salvador
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COSTA RICA
Não
ocorreram novas violações à liberdade de imprensa, mas
isso porque não houve novos processos judiciais e não por causa
de mudanças na legislação, que é restritiva. A
falta de processos pode ser explicada pelo cuidado dos meios de comunicação,
que por vezes é excessivo e chega às raias da auto-censura.
Em 3 de fevereiro, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos entrou
com uma queixa contra a Costa Rica na Corte Interamericana de Direitos Humanos,
alegando que uma sentença contra Mauricio Herrera Ulloa, jornalista
do La Nación, violava a Convenção Americana de Direitos
Humanos.
A sentença, confirmada em 24 de janeiro de 2001 pelo Supremo Tribunal,
considerou o jornalista responsável por quatro acusações
de difamação contra Félix Przedborski, ex-embaixador
honorário perante a Agência Internacional de Energia Atômica.
A matéria de Herrera abordava perguntas feitas ao ex-embaixador por
jornais europeus e incluía informações adicionais sobre
a sua conduta.
Herrera foi multado em 120 salários mínimos e 60 milhões
de colones (cerca de US$100.000) como indenização civil. O La
Nación também foi condenado no caso civil.
Ordenou-se que o jornal publicasse a parte dispositiva da sentença
e retirasse da sua edição on-line links entre o nome do ex-embaixador
Przedborski e as matérias citadas na ação. Em vez desses
vínculos, ordenou-se que o La Nación criasse novos links associando
seu nome à parte dispositiva da sentença. Ordenou-se também
que o nome do jornalista fosse inscrito no Registro Judicial de Delinqüentes.
Após a intervenção da comissão, a Corte Interamericana
concedeu uma liminar suspendendo a execução da sentença.
O pedido da comissão, que foi transmitido às partes em 17 de
fevereiro, pedia que a Corte Interamericana suspendesse a sentença
e ordenasse mudanças na legislação referente a danos
a reputação.
A comissão alega que o “uso do conceito criminoso está
exagerado e é desnecessário em uma sociedade democrática
e é uma restrição indireta à liberdade de imprensa”.
Destacou também o interesse público nas informações
publicadas e afirma que a controvérsia na imprensa européia
sobre supostos atos de corrupção por Przedborski exigiam a atenção
da imprensa de Costa Rica.
“O jornalista Mauricio Herrera promoveu um debate público sobre
um funcionário público, o que é um interesse social imperativo
em uma sociedade democrática”, disse a comissão.
A queixa questionou a decisão dos tribunais de Costa Rica que decidiram
que o jornalista era responsável por demonstrar a verdade do que havia
publicado. Por causa dessa abordagem exagerada, que viola a suposição
de inocência, Herrera foi condenado sem demonstrar que havia executado
um ato fraudulento.
A comissão também considerou uma imposição a ordem
de eliminar os links entre o La Nación Digital e as matérias
sobre Przedborski e substituí-los por um link com a sentença.
A queixa foi apresentada depois que fracassaram os esforços para se
chegar a um acordo amigável com o estado e a resposta negativa do Ministério
de Relações Exteriores de Costa Rica aos pedidos apresentados
no relatório da Comissão Interamericana.
O relatório pedia que o julgamento fosse anulado e que as leis fossem
modificadas, mas o Ministério de Relações Exteriores
respondeu que isso não era possível por causa da separação
dos poderes.
Em dezembro e janeiro, a procuradoria-geral acusou três homens de homicídio
na morte do jornalista Parmenio Medina Pérez, que foi assassinado com
três tiros em 7 de julho de 2001, perto de sua casa em San Miguel de
Santo Domingo, Heredia.
Luis Aguirre Jaime, conhecido como El Indio, foi acusado de assassinato. Andrés
Chaves Matarrita foi acusado como cúmplice e John Gutiérrez
Ramírez foi acusado de ter sido intermediário entre os pistoleiros
e o mandante do crime. A polícia disse que tinha pistas sobre a identidade
do mandante do crime, mas até agora não acusou ninguém.
A procuradoria disse que o mandante é César Murillo, conhecido
como Nicho, que foi morto pela polícia quando tentava roubar um banco
com Aguirre e Chaves.
Há indícios de que a matéria de Medina tenha sido o motivo
do seu assassinato. Ele havia sido ameaçado por causa de seu trabalho
como diretor de um programa de rádio chamado “La Patada”,
e sua casa foi alvo de tiros.
A comissão especial de liberdade de imprensa da Assembléia Legislativa,
que está examinando oito projetos de lei para modificar a legislação
que afeta a liberdade de expressão, designou um subcomitê para
analisar as mudanças sugeridas.
O subcomitê emitiu um relatório que alterou cuidadosamente as
propostas para que ficassem totalmente inúteis para facilitar o ambiente
restritivo criado pelas leis existentes. Eliminou, por exemplo, a palavra
“informações” de um artigo que teria removido sanções
em casos de interesse público. Dessa forma, tudo que pudesse ser descrito
como informativo estaria excluído de proteção jurídica.
A atitude do subcomitê demonstra, mais uma vez, a falta de vontade política
para dar continuidade a esse esforço. Entretanto, há legisladores
que se declararam contrários ao relatório e prometeram reexaminar
o tema e conduzi-lo de forma mais adequada.
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