GUATEMALA
Há poucos meses das eleições, evidencia-se um plano do
governo para atacar mais uma vez a credibilidade dos jornais. Os mais altos
funcionários do governo dedicam-se a tentar desprestigiar os meios
com acusações falsas.
Neste período, o fato mais relevante quanto à liberdade de imprensa
foi ter se conseguido parar, no Supremo Tribunal, pelo menos temporariamente,
a pretensão do FRG de impor a afiliação obrigatória
para os jornalistas, mesmo que essa decisão não seja definitiva.
O Congresso aprovou reformas ao Código Penal que introduzem punição
para todas as publicações, jornais, livros e meios eletrônicos
que incluam "conteúdo obsceno", o que viola o art. 35 da
Constituição e abre um espaço para a legislação
poder intervir no conteúdo dos meios.
O maior perigo continua sendo o constante ataque à credibilidade da
imprensa. O presidente Alfonso Portillo, o vice-presidente Francisco Reyes,
e o presidente do Congresso, o general Efraín Ríos Montt, aproveitam
qualquer discurso público para afirmar que a imprensa "está
a serviço dos grupos oligarcas" e desmentem qualquer informação
publicada.
Juntam-se a esse tipo de combate alguns ministros e ex-funcionários
do governo processados por atos de corrupção, principalmente
o ministro de Finanças, Eduardo Weymann, o ex-ministro das Comunicações,
Luis Rabbé, o ex-controlador-geral de contas da nação,
Marco Tulio Abadío, e alguns deputados e dirigentes do partido oficial.
A televisão faz uma ampla cobertura desses ataques, ao contrário
das estações de rádio independentes.
O principal alvo dos ataques foram os jornais Siglo Veintiuno, Prensa Libre
e el Periódico, assim como os diretores desses dois últimos,
os quais inclusive foram apontados como "desestabilizadores" por
parte dos setores oficiais ou meios pró-governo.
Um relatório da Associação de Jornalistas da Guatemala,
a APG, afirma que os freqüentes conflitos entre a imprensa e o governo,
assim como "as repetidas acusações dos governantes contra
alguns meios, as afirmações de que são desestabilizadores,
contrários ao sistema e que não difundem as coisas boas feitas
pelos altos funcionários do governo, incluindo o presidente, são
aspectos que intimidam, afetam o fluxo informativo e restringem a liberdade
de expressão do pensamento."
Em meio a tanta controvérsia em que se viu envolvida a imprensa guatemalteca
durante os dois últimos anos, surgiu uma polêmica referente a
um conflito familiar-empresarial que o governo utilizou para apontar supostos
interesses dos jornais a favor de uma das partes.
A postura dos jornais foi não publicar as versões de nenhuma
das partes, por ser um conflito eminentemente familiar, que se estende há
mais de quatro anos nos tribunais da Guatemala e o estrangeiro, mas que foi
aproveitado pelo presidente Portillo para fazer acusações, algumas
delas muito sérias contra alguns jornalistas, entre eles, José
Rubén Zamora, presidente do el Periódico.
Um caso emblemático relacionado aos crimes contra jornalistas que a
SIP continua investigando com atenção é o de Jorge Mario
Alegría Armendáriz, assassinado a tiros em 6 de setembro de
2002 em Puerto Barrios, a 300 km a norte da capital.
O Ministério Público nomeou um promotor para o caso de Alegría.
O acusado de ser o assassino está preso e aguarda julgamento.
Por último, a APG moveu processo contra a intenção do
Congresso de usar um projeto de lei de Meios Comunitários, pois se
"pretende conceder freqüências a entidades que apóiam
as opiniões políticas" do partido do governo.
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