MÉXICO
Registrou-se nesse período uma diminuição no número
de atentados à liberdade de expressão, mas ocorreram várias
denúncias em termos de boicotes publicitários, ameaças,
ações judiciais ou penais e alguns jornalistas foram detidos
por várias horas.
Continua reinando um clima hostil contra os jornalistas que trabalham em áreas
de muito crime, especialmente áreas com tráfico de drogas.
Por causa desse clima, a SIP e os jornais mexicanos El Universal e Frontera
realizaram uma conferência em Tijuana em agosto passado intitulada "Narcotráfico:
jornalistas em perigo" na qual emitiram uma forte mensagem de repúdio
aos crimes contra jornalistas.
Em uma carta enviada da conferência para o presidente Vicente Fox, reiterou-se
o pedido de que o assassinato de um jornalista seja considerado um crime de
jurisdição federal por se tratar de um crime com o objetivo
de restringir direitos e liberdades básicos da sociedade.
Depois de reuniões dessa vice-presidência regional com diversas
autoridades do governo, conseguiu-se que fossem transmitidas para a Procuradoria-geral,
como permite a lei em certas situações, as investigações
sobre o assassinato do jornalista José Luis Ortega Mata, ocorrido em
19 de fevereiro de 2001, na cidade fronteiriça de Ojinaga, Chihuahua,
e que continua sem punição.
Na Secretaria de Governo, equivalente ao Ministério do Interior, criou-se
um grupo de revisão para analisar a situação atual das
investigações sobre outros casos de crimes contra jornalistas.
Esse grupo, que reúne representantes de órgãos de direitos
humanos e diversas associações de jornalistas, examina atualmente
um total de 59 denúncias desse tipo. Será dada atenção
especial aos que são considerados casos "históricos"
que chegaram à atenção da SIP. Existem também
diversos exemplos de investigações inconclusas sobre assassinatos
de jornalistas nos quais há nítidas evidências de que
os assassinatos foram resultado do trabalho que desempenhavam como profissionais
da imprensa. Esse é o caso das investigações sobre a
morte dos jornalistas Héctor Félix Miranda, ocorrido em 29 de
abril de 1988, e de Víctor Manuel Oropeza, em 3 de julho de 1991, e
a tentativa de assassinato de Jesús Blancornelas, em novembro de 1997.
As autoridades se propuseram a oferecer nas próximas semanas um estudo
jurídico formal sobre as medidas a serem tomadas para que a Procuradoria-Geral
participe de todas as investigações de assassinatos de jornalistas
tendo o suporte de um decreto governamental, sem que seja preciso modificar
as leis específicas ou mesmo a Constituição.
Em 30 de maio, o Supremo Tribunal de Justiça do estado de Jalisco corrigiu
uma decisão emitida por um tribunal ordinário em agosto de 2001
a qual colocava em liberdade, por uma suposta falta de provas, duas pessoas
acusadas do assassinato do jornalista norte-americano Philip True, cujo corpo
foi encontrado abandonado em dezembro de 1998 em uma área montanhosa
de Jalisco, fronteira do estado de Nayarit. A nova decisão ordena uma
nova prisão dos implicados e prevê uma pena de prisão
de 13 anos. Entretanto, devido a um recurso de amparo apresentado pelo advogado
de defesa de um dos acusados, ainda não se executou o mandado de prisão.
Merece menção especial também a aprovação
unânime, por parte do Congresso mexicano, em 30 de abril último,
da Lei Federal de Transparência e Acesso às Informações
Públicas, o que é o resultado de esforços que culminaram
em fevereiro de 2001, quando sob os auspícios da SIP realizou-se na
Cidade do México um seminário sobre o tema da transparência
e cujo principal objetivo foi enfatizar a necessidade de o México ter
uma lei desse tipo. A nova norma foi assinada pelo presidente Vicente Fox
em 3 de junho e entrou em vigor no dia seguinte. Suas provisões deverão
ser implementadas em um ano.
Em 30 de setembro, o general Francisco Arellano Noblecía pediu desculpas
ao El Imparcial de Hermosillo. Noblecía havia processado anteriormente
o jornal e seus diretores.
Em 11 de março, a jornalista María Esther Martínez, do
jornal La Unión de Morelos, publicado no estado central de Morelos,
foi presa sob acusação de difamação sob ordens
do procurador de justiça depois de publicar críticas contra
ele e contra o corpo policial sob sua direção. Depois de ser
interrogada durante várias horas, a repórter foi colocada em
liberdade.
Em 1º de abril foi temporariamente detida a jornalista Raquel Urbán
Hernández, do semanário Reporteros Informando, que circula no
município metropolitano de Ecatepec, Estado do México. Urbán
Hernández foi acusada de difamação por um deputado local
depois que publicou que ele era acusado de violentar uma menor. A repórter
foi colocada em liberdade sob fiança.
Em 3 de abril, pessoas não identificadas dispararam para o alto em
frente ao escritório do semanário Páginas, de Tuxtla
Gutiérrez, Chiapas, e ameaçaram os funcionários. Diretores
da publicação garantem que o incidente foi uma intimidação
das autoridades do governo por causa do tom crítico da revista. Nesse
mesmo estado, em San Cristóbal de las Casas, o jornalista Fredy Martín
López, correspondente do El Universal e da agência italiana ANSA,
foi agredido por policiais que confiscaram seu equipamento fotográfico.
Também em Chiapas, o jornalista Conrado de la Cruz, proprietário
do jornal Cuarto Poder, denunciou uma campanha de perseguição
a seu jornal, que incluiu insultos por parte de funcionários do governo,
tentativa de pressionar os repórteres do jornal para que largassem
o emprego em troca de cargos públicos e o cancelamento das pautas oficiais
de publicidade. De la Cruz responsabilizou o governador do estado, Pablo Salazar
Mendiguchía, por esses incidentes.
Em 8 de maio, o diretor do jornal Reforma, Alejandro Junco, foi intimado pelo
Ministerio Público a responder a uma denúncia por difamação
contra ele, apresentada por um deputado local que foi acusado pelo correspondente
do jornal de receber pagamentos extras do Congresso.
Em 18 de outubro, José Santiago Healy, presidente e diretor-geral da
Crónica de Mexicali - parte da cadeia Healy Newspapers - denunciou
um boicote publicitário por parte do governo do estado, liderado pelo
governador de Baja California, Eugenio Elorduy Walter, como resposta a várias
denúncias de corrupção que envolvem diretamente o governador
e vários de seus colaboradores.
Em 19 de outubro, denunciou-se que o governo do estado de Chihuahua, cujo
gobernador é Patricio Martínez, moveu um processo contra jornalistas
do jornal Norte, de Ciudad Juárez, por difamação, depois
que esse jornal publicou que o governo estadual havia adquirido de forma ilegal
diversos terrenos em benefício de algumas empresas.
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