MEXICO
Neste período registrou-se
uma diminuição de atentados contra a liberdade de imprensa e
de informação.
Pela primeira vez não houve atentados contra a vida de jornalistas.
Registraram-se, porém, detenções arbitrárias sob
acusações de difamação, pressões contra
repórteres que se negaram a revelar suas fontes e outras ações
contra diferentes prédios e profissionais da imprensa.
A maior parte das denúncias recebidas expõe um problema estrutural
no sistema jurídico mexicano e uma clara fragilidade do sistema jurídico
de apoio ao exercício do jornalismo.
Em fevereiro, a SIP reiterou ao presidente Vicente Fox a reinvidicação
de que os crimes contra os jornalistas sejam investigados pela justiça
federal, solicitação feita também em agosto passado ao
presidente, por meio de uma carta assinada pelos dirigentes da SIP e diversos
diretores de publicações mexicanas, no término da conferência
realizada em Tijuana, Baja California, com a qual tentou-se chamar a atenção
sobre atentados contra jornalistas na área da fronteira com os Estados
Unidos.
O presidente Fox e o governo deram uma resposta positiva afirmando que iam
buscar as fórmulas jurídicas necessárias para que os
casos de assassinatos de jornalistas sejam processados em jurisdição
federal.
É cada vez maior o número de jornalistas que são intimados
pela justiça e submetidos a processos penais sob acusações
de difamação contra funcionários públicos. Isso
tem origem no conceito de que os processos judiciais deveriam ser realizados
no campo civil e somente quando se pode comprovar que na divulgação
de notícias, o comunicador teve intenção de provocar
danos, que tinha pleno conhecimento de que estava realmente divulgando informações
falsas ou que tenha agido com óbvia negligência na verificação
das notícias.
A nosso pedido, as autoridades governamentais iniciaram um estudo jurídico
com o objetivo de retirar do âmbito penal as acusações
de difamação contra jornalistas.
É também necessário aprovar uma legislação
específica que proteja a confidencialidade profissional e que elimine
a prática de perseguição dos jornalistas.
O país tem uma Lei de Transparência e Acesso à Informação
Pública, promulgada formalmente em junho passado, e que foi impulsionada
por um seminário patrocinado pela SIP em fevereiro de 2001.
Sete estados aprovaram leis sobre essa mesma matéria, e em nove deles
existem iniciativas similares, com projetos de lei pendentes. Comprovou-se
uma tendência positiva a partir das conferências organizadas pela
SIP, e há um projeto de realização de uma conferência
nacional sobre confidencialidade jornalística.
Continuam sem punição os assassinatos dos jornalistas Héctor
Félix Miranda, ocorrido em 29 de abril de 1988, e Víctor Manuel
Oropeza, em 3 de julho de 1991; e o atentado a tiros contra Jesús Blancornelas,
em novembro de 1997, entre outros crimes.
Existem dúvidas sobre a morte, em 16 de outubro de 2002, de José
Miranda Virgen, colunista do jornal Imagen, do estado de Veracruz. A investigação
policial concluiu que ele foi vítima de uma explosão em sua
residência, provocada por um vazamento de gás, mas os familiares
declararam que pode ter sido um atentado por causa de sua linha editorial,
aspecto que não foi investigado pelas autoridades.
Entre as agressões contra jornalistas, salientam-se as seguintes:
Em novembro, o jornal La Jornada, da cidade do México, denunciou que
um grupo de seus repórteres estava sendo perseguido por funcionários
da procuradoria-geral que tentava obrigá-los a revelar suas fontes
em diversas informações publicadas. Um jornalista do jornal
El Universal foi intimado pelo mesmo motivo. A Comissão Nacional de
Direitos Humanos considerou que o caso constitui um tipo de perseguição
governamental a esses jornalistas.
Em 4 de fevereiro, agentes do estado de Chihuahua, no norte do país,
detiveram a jornalista Isabel Arvide, por acusações de difamação
apresentadas contra ela pelo procurador estadual Jesús Solís
Silva. Arvide encontrava-se em Chihuahua para apresentar-se a um juiz local,
pois tinha sido liberada sob fiança em um processo anterior por difamação
movido por um diretor de publicação local. Após esses
novos incidentes, a jornalista foi novamente liberada sob fiança em
5 de fevereiro.
Em 10 de março, Adriana Varillas, do jornal La Voz del Caribe, de Cancún,
foi detida brevemente por policiais judiciais que a pressionaram ilegalmente
para que revelasse as fontes que tinha utilizado em um artigo sobre corrupção.
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