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57 ASSEMBLÉIA
DA SIP EM
Washington, D.C, 12 a 16 de outubro de 2001
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NICARÁGUA
Durante esse período, foram violados
na Nicarágua os princípios 7 e 8 da Declaração
de Chapultepec.
O princípio 8 foi violado com a promulgação da Lei 372
ou Lei da Criação do Colégio de Jornalistas da Nicarágua
(editada em 16 de abril de 2001 no La Gaceta, diário oficial do país).
Essa lei viola não apenas a Constituição da Nicarágua,
mas também os artigos 13 e 29 da Convenção Americana
de Direitos Humanos, ou Pacto de San José, e o artigo 19 da Declaração
Universal de Direitos Humanos.
Depois da publicação no La Gaceta, foram apresentados à
Corte Suprema dois recursos de inconstitucionalidade contra a lei. O primeiro
foi apresentado a título pessoal por funcionários do jornal
La Prensa, El Nuevo Diario, Canal 2, Canal 8 e Canal 10. O segundo foi apresentado
também em caráter pessoal por três diretores da Associação
de Jornalistas da Nicarágua (APN).
O desacordo da APN impediu a formação do colégio, já
que o artigo 39 da lei prevê que os membros do colégio serão
"ipso iure" todos os membros devidamente inscritos das duas associações
de jornalistas, a APN e o Sindicato de Jornalistas da Nicarágua (UPN),
de tendência sandinista. Esse mesmo artigo também estipula que
em um período não maior do que três meses depois de publicada
a lei, será criada uma Comissão Organizadora integrada por dois
representantes de cada associação. Esse período expirou
em 16 de julho de 2001 e a comissão não pôde ser formada,
deixando inoperante a lei.
A APN, além de apresentar esse recurso contra a lei, está apresentando
ao Poder Executivo e ao Poder Legislativo um projeto de reforma da lei. No
período eleitoral que atravessa o país, é muito pouco
provável que essa iniciativa de reforma vá adiante. Não
há também nenhuma previsão de que haverá decisão
da Corte Suprema nesse período.
O princípio 7 da Declaração de Chapultepec, referente
à discriminação na concessão de propaganda oficial,
está sendo violado pelo governo do presidente Arnoldo Alemán.
Esse artigo especifica que "(...) a concessão ou suspensão
da publicidade estatal não devem ser aplicadas para premiar ou castigar
os meios de comunicação ou os jornalistas".
O El Nuevo Diario, que tinha uma média de 36% dos anúncios do
governo nos meios escritos, sofreu uma drástica queda desde junho.
A publicidade oficial no El Nuevo Diario caiu para 13,85% em junho e para
apenas 4,84% em 16 de julho. Segundo informações publicadas
no El Nuevo Diario, sua participação na publicidade oficial
no período de 1o a 12 de julho foi somente 4%.
O jornal La Noticia, que apóia o presidente Alemán e que segundo
pesquisas da Organização Nicaragüense de Agências
de Publicidade (ONAP) tem um "rating"de leitura de apenas 2%, está
recebendo 45% da publicidade do governo para meios escritos, o que supõe
outra violação do princípio 7, diante da premiação
de meios com publicidade oficial devido à sua linha editorial em favor
do governo.
Em 4 de julho de 2001, realizou-se na Universidade Centro-americana o Fórum
sobre Chapultepec, do qual participaram estudantes de jornalismo e várias
personalidades. O presidente Alemán foi convidado a participar, mas
desculpou-se alegando razões de estado.
Os três candidatos à presidência da Nicarágua: Enrique
Bolaños Gayer, do Partido Liberal Constitucionalista (PLC); Daniel
Ortega Saavedra, da Frente Sandinista de Libertação Nacional
(FSLN); e Noel Vidaurre, do Partido Conservador (PC), assinaram a Declaração
de Chapultepec e prometeram respeitar a liberdade de imprensa se vencerem
as eleições de 4 de novembro. Vidaurre renunciou posteriormente
à sua candidatura.
O tema da liberdade de imprensa tem recebido bastante destaque na campanha
eleitoral. A um mês das eleições, há praticamente
um empate entre o Partido Sandinista e o Partido Liberal Constitucionalista.
Ortega, que na década de 80 presidiu um governo revolucionário
de esquerda que confiscou e fechou a maioria dos meios de comunicação
e manteve em total censura os poucos que continuaram como empresas privadas,
prometeu agora total respeito à liberdade de expressão. No Dia
Internacional do Jornalista, comemorado em 8 de setembro de 2001, Ortega publicou
um anúncio no qual se compromete a: 1) cumprir os 10 princípios
da Declaração de Chapultepec; 2) aprovar nos primeiros 30 dias
de seu governo a Lei de Acesso a Informações; 3) criar condições
para permitir que os jornalistas tenham acesso a todas as instalações
do governo; 4) elaborar, junto com os meios de comunicação,
um regulamento para concessão de publicidade oficial em função
dos índices de cobertura, garantindo um mínimo básico
aos meios de baixa circulação; e 5) manter o desejo expresso
de não utilizar nunca os meios fiscais para castigar os meios que não
favoreçam o governo.
Bolaños declarou, por sua vez, que não tem nada do que se arrepender
porque sempre respeitou a liberdade de informação, e enfatizou
que como vice-presidente preparou um projeto de lei de acesso a informações
que ficou engavetado na Assembléia Nacional.
Em 1o de agosto, enquanto o presidente Alemán participava de um ato
não oficial vendo um desfile hípico por ocasião das comemorações
de Santo Domingo, as festas mais populares de Manágua, permitiu que
vários jornalistas o entrevistassem. Momentos depois, o presidente
segurou com força a mão esquerda da jornalista Eloísa
Ibarra, do El Nuevo Diario, e enquanto a apertava, segundo denúncia
da jornalista, gritava "sandinista, sandinista". Segundo Ibarra,
enquanto ela repetia a pergunta que desagradou Alemán, o presidente
repetia: "é uma invenção, uma invenção
sandinista', e continuou gritando enquanto ela se retirava do local. Em um
editorial, o El Nuevo Diario acusou o presidente de estar embriagado.
O Supremo Tribunal Eleitoral publicou o "Regulamento de Ética
Eleitoral", cujo artigo 97 prevê que "72 horas antes do dia
da votação cessarão todas as atividades de campanha eleitoral
e os meios de comunicação estarão à disposição
do Supremo Tribunal Eleitoral para difundir as informações referentes
aos procedimentos para exercer o direito de voto".
O artigo 2o do mesmo regulamento obriga que haja uma contribuição
para que o processo e a campanha eleitoral sejam educativos e formativos dos
valores cívicos. Esse artigo deve ser obrigatoriamente cumprido pelos
funcionários do órgão eleitoral, autoridades, dirigentes,
partidos políticos, jornalistas, proprietários e diretores de
programas e membros de organizações cívicas e os cidadãos
em geral.
A estação de televisão estatal Canal 6 alugou um espaço
para particulares para transmissão de um programa que lembra o que
ocorreu no governo sandinista da década de 80. O programa foi denunciado,
primeiro pelo Exército da Nicarágua e posteriormente pelo FSLN,
que protestaram também contra outros programas produzidos pelo mesmo
canal acusando-os de injúrias devido à forma como os temas foram
abordados. Os diretores do Canal 6 responderam que, por falta de orçamento,
o canal se vê na necessidade de alugar espaços e que não
pode censurar as pessoas que alugam esses espaços. Essa disputa não
foi solucionada pelo Supremo Tribunal Eleitoral.
O noticiário de rádio "Púlsar Noticias", dirigido
pelo jornalista Adolfo Pastrán Arancibia na Radio La Primerísima,
foi encerrado pela administração da rádio porque Pastrán
Arancibia, que também era diretor de imprensa da emissora, assinou
um contrato de assessoria com Pedro Solórzano, chefe da campanha em
Manágua do candidato do Partido Liberal. A La Primerísima é
uma rádio de esquerda que se distanciou do FSLN por diferenças
ideológicas. Entretanto, a grande polarização e o empate
técnico da campanha eleitoral fizeram com que a diretoria da rádio
superasse as diferenças políticas com Ortega e concordasse em
um apoio eleitoral ao FSLN. Pastrán renunciou ao cargo de diretor de
imprensa da rádio depois que a administração da emissora
negou-lhe permissão para se ausentar até depois das eleições
e seu noticiário foi suspenso devido a seu trabalho de consultoria
para Solórzano.
O presidente de Costa Rica, Miguel Angel Rodríguez, acusou abertamente
os jornalistas da Nicarágua de serem os responsáveis pelo conflito
entre os dois países devido a diferenças territoriais sobre
o Río San Juan. "Vocês, jornalistas da Nicarágua,
são os que armam a guerra entre nossos países com suas notícias
escandalosas", disse, ao responder a uma pergunta de uma representante
do Canal 6 da Nicarágua.
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