PANAMÁ
Apesar de os governos democráticos que sucederam à ditadura
terem prometido a anulação das leis restritivas da liberdade
de imprensa e dos controles sobre os meios de comunicação social,
muito pouco foi feito até agora. As diversas comissões nomeadas
por todos esses governos para estudar a situação deixaram de
funcionar sem conseguir um consenso sobre reformas concretas. Problemas como
idoneidade certificada pelo governo para o exercício do jornalismo,
a penalização da calúnia e da injuria, a obrigação
de revelar a origem das informações e outros assuntos dessa
natureza impediram que se chegasse a um acordo.
Depois de muitos esforços e constante pressão de organizações
tais como Transparência Internacional (Panamá), órgãos
profissionais, fundações pelos direitos humanos e meios de comunicação,
obteve-se um acordo multipartidário na Assembléia Legislativa
que permitiu a aprovação da Lei 6 de 2002 sobre o livre acesso
às informações públicas, posteriormente sancionada
pela presidente da República e devidamente promulgada no diário
oficial. Cinco meses depois, o Executivo emitiu um decreto que, com o pretexto
de regulamentar a lei, a converte em letra morta devido aos kafkianos requisitos
que estabelece. Aguarda resolução da Suprema Corte um recurso
de inconstitucionalidade contra o direito regulamentar e um contencioso-administrativo
de anulação porque um regulamento não pode contrariar
uma lei nem estar acima desta.
O governo iniciou há dois meses uma campanha contra os meios de comunicação
por meio de freqüentes declarações de altos funcionários
contra "o abuso da liberdade de imprensa e expressão", a
criação de uma nova comissão para analisar as leis existentes,
do qual participam representantes dos meios de comunicação,
e um projeto de lei que pretende estabelecer um sistema de censura prévia
para rádio, televisão e meios escritos. Diante dos protestos,
o governo moderou suas posições e a presidência da República
comprometeu-se a vetar qualquer lei que viole a liberdade de imprensa.
Continua a perseguição aos jornalistas e os meios de comunicação
através de processos por crime contra a honra, com intermináveis
investigações absolutamente tendenciosas, nas quais se desconsideram
as garantias do devido processo jurídico e se abusa das declarações,
interrogatórios e outras investigações que consomem um
grande tempo sem nenhum resultado e cujo único propósito é
cansar os jornalistas.
O Panamá é um país com uma abundante legislação
restritiva à liberdade de imprensa. Além das leis específicas
sobre a matéria, em quase todos os códigos da República
encontram-se muitas disposições perigosas que permitem inclusive
o fechamento dos meios de comunicação por decisão de
um governador, um prefeito ou um vereador, o que representa uma violação
direta da Convenção Americana sobre Direitos Humanos e vários
tratados e declarações internacionais.
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