PARAGUAI
As agressões à liberdade de imprensa
nesse período incluíram decisões judiciais, atos legislativos
e agressão a jornalistas e meios.
Em 19 de maio, a Câmara de Produtores de Cinema e Televisão do
Paraguai apresentou ao Ministério da Indústria e Comércio
uma proposta para regulamentar a produção nacional de materiais
audiovisuais e de radiodifusão. A Câmara alegou que existe uma
lacuna jurídica na matéria e que a transmissão exagerada
de programas estrangeiros nos canais paraguaios estava cerceando a criatividade
da televisão e do rádio em detrimento da produção
local e da identidade cultural.
A Câmara interferiu também no campo da notícia, ao observar
que essa deve ser veraz, objetiva e oportuna e que deve evitar conteúdo
ou forma de expressão que produzam comoção pública
ou alarme coletivo.
Em 28 de maio, o juiz Wilfrido Velázquez deu por encerrado o caso e
arquivou o processo do caso de torturas sofridas pelo jornalista brasileiro
Mauri Konig, em dezembro de 2000, supostamente causadas por policiais, quando
fazia uma investigação sobre o recrutamento de menores brasileiros
em delegacias próximas à fronteira com o Brasil. A promotoria
limitou-se a pedir relatórios à Policía cujos funcionários
seriam exatamente os acusados das torturas infringidas ao jornalista, segundo
denúncia deste na ocasião.
Em 11 de junho, o ex-diretor da entidade binacional paraguaio-argentina de
Yacyretá, Walter Reiser, culpou o jornal ABC Color por ter sido destituído
do seu cargo. "Foram quatro meses de perseguição intensa",
afirmou.
O ex-funcionário referiu-se na verdade às reportagens do ABC
Color sobre alegações de corrupção na sua administração,
principalmente sobre o sobrefaturamento de mais de um milhão de dólares
na compra de um edifício adquirido para a sede da entidade, em Assunção.
Em 2 de julho, o jornalista Miguel López, do jornal Ultima Hora, denunciou
que foi alvo de ameaças telefônicas anônimas e pediu proteção
policial. Explicou que as ameaças ocorreram depois que ele entrevistou
um dirigente político de esquerda, foragido e acusado de integrar um
grupo que, segundo a policía, seqüestrou a esposa de um conhecido
empresário.
As denúncias de corrupção feitas através da imprensa
resultam, com freqüência, em ameaças ou ações
judiciais contra os diretores ou jornalistas dos diversos meios.
Em 18 de julho, o advogado Marcelino Gauto Bejarano pediu a um juiz que se
fizessem investigações preliminares para um processo contra
os diretores dos jornais ABC Color, Aldo Zuccolillo, e Demetrio Rojas, do
Ultima Hora por causa de reportagens sobre um caso de corrupção
de grande proporção na hidroelétrica binacional paraguaio-brasileira
de Itaipu.
Gauto Bejarano é também membro do Tribunal para Acusação
de Magistrados e do Conselho de Magistratura, o qual apresenta as listas de
candidatos para juízes. Sendo assim, tem muito poder nesse setor.
Os jornais denunciaram que a justiça condenou Itaipu a pagar à
empresa Mundy Recepciones um adicional de 10 bilhões de guaranis (quase
dois milhões de dólares) por uma dívida atrasada da empresa
binacional pelo fornecimento de comida. A dívida inicial era de apenas
3 bilhões de guaranis.
Gauto Bejarano é um dos advogados de Itaipu, mas, segundo as reportagens,
os interesses da entidade binacional não foram suficientemente defendidos
porque não foram feitas várias investigações necessárias.
Gauto Bejarano, entretanto, desistiu posteriormente dos seus processos.
Em relação ao mesmo caso, o juiz Pedro Benítez Bernal
resolveu pedir ao jornal ABC Color os nomes dos jornalistas que participaram
da investigação. Mas diante das críticas generalizadas
que motivou a publicação antecipada de sua decisão, que
foi considerada como uma tentativa de amedrontar a imprensa, o juiz não
pediu que o jornal o fizesse.
Em 31 de julho, o juiz Alcides Corbeta recusou um "habeas data"
apresentado pelo advogado José López Chávez para revelar
a identidade de um jornalista do jornal Noticias que o vinculou a uma determinada
corrente política e a fonte que o jornalista teve para fazer a referida
matéria.
Em 6 de agosto, uma ação por suposta difamação,
calúnia e injúria grave foi ingressada contra o diretor do ABC
Color, Aldo Zuccolillo, e Héctor Guerín, do Vanguardia, de Ciudad
del Este (330 Km. de Assunção).
O processo foi movido pelo advogado Adolfo Oscar Gigglberger Lima e o repórter
gráfico do jornal La Opinión, Carlos Esteban Roa. Os autores
da ação foram mencionados em reportagens dos dois meios citados,
baseadas em fontes confiáveis de uma promotoria, como sendo as pessoas
que haviam permitido o roubo de um lote de relógios de um homem oriental
de Ciudad del Este, 330 km a leste de Assunção.
Em 6 de setembro, o presidente do Congresso, Juan Carlos Galaverna, acusou
o diretor do jornal ABC Color, Aldo Zuccolillo, de "manipular" informações.
O jornal publicou informações que demonstraram que o Congresso
havia feito intervenções beneficiando o ex-presidente Juan Carlos
Wasmosy, amigo de Galaverna , processado por sérias irregularidades
durante seu governo.
Galaverna, que está ligado a vários supostos fatos de corrupção
e tráfico de influência, além de ser violador confesso
da Constituição Nacional, afirmou que Zuccolillo apresenta "uma
conduta miserável".
Em 20 de setembro, o ex-presidente Juan Carlos Wasmosy intimou, através
de um escrivão, o jornalista Leo Rubín, da Radio Ñandutí,
para que se retratasse sobre comentários que envolviam o ex-presidente,
entre outros, com a morte de clientes fraudados por bancos que entraram em
falência durante o governo do referido presidente.
Em 1o de outubro, o vice-presidente da Câmara Paraguaia de Proprietários
de Rádio e Televisão, Angel Aguilera, denunciou em uma entrevista
que a Comissão Nacional de Telecomunicações concede freqüências
de radioemissoras segundo um critério político.
Depois dessa denúncia, vieram à tona concessões suspeitas
e autorizações de transferências para Assunção,
de radioemissoras cujas licenças foram concedidas para o interior.
Uma das emissoras (Radio 1000) que tentou se transferir para San Antonio,
perto de Assunção, seria de propriedade do presidente do Congresso,
Galaverna, acusado de irregularidades.
As instalações de transmissão já estavam instaladas
em uma praia pública de San Antonio e foi isso que motivou o protesto
de algumas autoridades e vizinhos.
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