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Reunião de Meio
de Ano
San Salvador, Marzo 21-24
El Salvador
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PARAGUAI
A imprensa sofreu neste período ameaças e acusações,
especialmente por parte de políticos vinculados com as altas esferas
do poder, como resposta à divulgação de informações
envolvendo-os em atividades ilícitas.
Uma das ameaças, de fechar os meios de imprensa, veio do presidente
da República, Luis González Macchi, em 1? de novembro, após
a divulgação de gravações de conversas que demonstravam
sua atuação ilegal para manipular decisões e nomeações
judiciais.
Não progrediu, porém, o pedido de um promotor para a imposição
de censura prévia aos meios para impedir a publicação
de conversas obtidas por meio de escutas telefônicas ilegais, o qual
foi rejeitado pela juíza Blanca Gorostiaga. A juíza declarou
a violação do direito à privacidade por meio dessas escutas
telefônicas, o que deveria levar à acusação dos
responsáveis, mas também que a censura prévia não
existe no sistema legal do Paraguai. Em 15 de novembro, a Terceira Sala do
Tribunal de Recursos ratificou a sentença da juíza.
O presidente também ameaçou o diretor do jornal Noticias, Eduardo
Nicolás Bo, dizendo que ia “dar um jeito nele”, em resposta
a declarações que acusavam o presidente de incapaz, bêbado
e cúmplice da máfia.
Em 19 de fevereiro o presidente do Congresso, Juan Carlos Galaverna, acusou
o diretor do jornal ABC Color e um político e militar da reserva de
planejar um atentado contra sua vida, divulgando a gravação
de uma suposta conversa entre dois pistoleiros brasileiros enquanto planejavam
a ação. A denúncia de Galaverna, um político enfrentando
acusações de corrupção, não despertou o
interesse da opinião pública.
Outros funcionários de menor nível e de diferentes locais do
país também fizeram ameaças e até mesmo agrediram
fisicamente jornalistas por críticas às suas atuações
públicas.
Em 6 de novembro, o presidente do clube de futebol Olimpia e proprietário
do jornal La Nación, Osvaldo Domínguez, apresentou uma intimação
formal, para a retificação e endosso pelo jornal Noticias, que
tinha publicado, entre outros detalhes, o seguinte em sua página de
esportes: “Osvaldo Domínguez Dibb disse que no Club Libertad
existem narcotraficantes”.
Ao invés de se retificar, o Noticias publicou artigos do jornal La
Nación que continha afirmações com o mesmo conteúdo
que o atribuído ao diretor do jornal. Em 12 de novembro, entretanto,
Domínguez Dibb ingressou ação por supostos delitos de
difamação e calúnia contra o diretor do Noticias, exigindo
as penalidades previstas pela lei para os delitos mencionados e o pagamento
de US$5 milhões por supostos danos. O caso encontra-se no tribunal.
Por outro lado, em 11 de março, o diretor do jornal Noticias, Eduardo
Nicolás Bo, e seu filho Marcos Nicolás Bo, apresentaram uma
acusação de calúnia e injúria contra o diretor
do jornal La Nación, Alejandro Domínguez Wilson-Smith, por causa
de informações do La Nación que os envolvia em supostos
negócios ilícitos. Segundo a redação da queixa,
as informações constituíam “uma verdadeira campanha
para nos ofender e desprestigiar publicamente”, acrescentando que, mesmo
sabendo da falsidade das acusações, os artigos do La Nación
afirmavam que os Bo eram falsificadores e responsáveis por evasão
de impostos, além de estarem ligados ao narcotráfico. A acusação
encontra-se em trâmites legais.
Tanto o Noticias como o La Nación têm publicado longas séries
de artigos nos quais seus diretores se acusam reciprocamente de negócios
ilícitos. Ambos fabricam e comercializam cigarros.
Quatro pessoas foram presas em 8 e 9 de novembro nas sedes de duas companhias
de Internet acusadas de operar redes telefônicas piratas em dois edifícios
no centro de Assunção.
As detenções foram realizadas por três promotores criminais
e as empresas denunciadas foram a Planet e a Quanta.
As acusações contra as duas empresas foram apresentadas pela
Compañía Paraguaya de Comunicaciones (COPACO), que mantém
o monopólio do serviço de telefonia básica e que as acusou
de possibilitar o uso do sistema de fibras ópticas para a realização
de chamadas internacionais faturadas como chamadas locais.
Para fazer a denúncia, a Copaco recorreu à escuta telefônica,
autorizada por um notário público, que permitiu que um técnico
da COPACO “ouvisse” os sinais de satélite.
A justiça ordenou a reabertura das duas companhias poucos dias depois,
mas alguns analistas legais e diretores de meios de comunicação
consideram as prisões e as sanções como atentados à
liberdade de expressão.
O diretor do jornal Popular, Néstor Insaurralde, foi condenado em 21
de novembro pelo juiz José Waldir Servín a pagar uma multa de
cerca de US$ 5.000 (32.871.600 guaranis) depois de ter sido declarado culpado
pela ofensa de violação à privacidade, ao publicar a
fotografia de uma menor de 15 anos, identificada com suas iniciais, MCM, na
página denominada La Bomba Popular, que apresenta garotas escassamente
vestidas em poses provocantes.
A denúncia afirma que a menor havia se inscrito para um curso de modelo
em uma agência, onde foram tiradas fotografias em que ela aparecia seminua,
que supostamente seriam somente de utilização interna da agência,
porém uma delas foi publicada no jornal.
Em 22 de novembro, o candidato a governador do departamento de Alto Paraná,
Juan Carlos Barreto Miranda, censurou um programa em sua própria emissora
de rádio, Radio Parque, por críticas feitas a ele e a outros
candidatos do partido político do governo, o Partido Colorado.
O jornalista Nery Jara, da mesma emissora de rádio, denunciou que tinha
sido despedido por realizar trabalhos para outro grupo político.
O presidente da Câmara Municipal de San Alberto, a 320 Km de Assunção,
Hedis Pedro de Sa Souza, expulsou jornalistas do jornal ABC Color e da emissora
de rádio Pionera de uma sessão.
O presidente e alguns vereadores ficaram irritados com denúncias publicadas
no jornal ABC Color sobre supostas irregularidades na Câmara.
Em 11 de dezembro, o Supremo Tribunal de Justiça absolveu de culpa
e de sentença Ricardo Canese, que tinha sido acusado de difamação
e calúnia pelos diretores da empresa Conempa, propriedade do ex-presidente
da República Juan C. Wasmosy, por editoriais publicados pelo jornal
ABC Color.
O tribunal indeferiu um recurso de revisão e anulou as sentenças
de condenação ditadas em primeira e segunda instâncias
contra Canese.
A sentença judicial declara que ninguém pode ser condenado penalmente
por afirmações relacionadas a temas de interesse público,
que envolvam funcionários ou pessoas públicas, mesmo que tais
afirmações possam afetar sua honra ou sua reputação.
Canese tinha sido condenado em primeira instância a quatro meses de
prisão em 22 de março de 1994, e o Tribunal de Recursos reduziu
a pena para dois meses de prisão, porém as duas sentenças
foram rejeitadas pelo Supremo Tribunal.
Em um de seus editoriais, Canese afirmou que Wasmosy era o testa-de-ferro
na empresa Conempa para a família do ex-ditador Alfredo Stroessner,
atualmente exilado no Brasil, e que transferia dividendos substanciais a ele.
Em 13 de dezembro, o diretor do jornal La Nación, Alejando Domínguez
Wilson-Smith, foi alertado pelo chefe do Departamento de Investigações
Criminais da Polícia Nacional, o detetive superior Aristides Cabral,
sobre a possibilidade de sofrer um atentado contra sua vida.
Cabral comentou que tinha informações sobre um possível
ataque contra Domínguez Wilson-Smith e recomendou que ele tomasse precauções.
A advertência foi feita em um período em que o jornal publicava
investigações sobre vários temas de corrupção
e de vinculações de indivíduos do poder com atividades
ilegais.
O comerciante de origem árabe Ahmad Khalil Chams, da Ciudad del Este,
a 330 Km de Assunção, moveu um processo contra o diretor do
jornal ABC Color, Aldo Zuccolillo, em 17 de dezembro, por suposto delito de
difamação, calúnia e injúria. Pediu também
uma indenização de US$2 milhões por danos a sua pessoa
e ao seu patrimônio.
Khalil está reagindo a artigos do jornal, com base em documentos, que
indicam que o comerciante teria problemas ainda pendentes com a justiça
do Panamá. Khalil já havia processado anteriormente o diretor
do ABC Color, mas todas suas queixas foram rejeitadas como improcedentes.
Nos últimos anos, o diretor do ABC Color, Aldo Zuccolillo, já
sofreu 14 processos judiciais, muitos dos quais movidos por importantes personagens
públicos.
Em 1? de fevereiro, Octavio Álvarez, funcionário do gabinete
do governador do departamento de Caazapá, 300 Km a sudeste de Assunção,
agrediu fisicamente o correspondente do jornal ABC Color na localidade, Antonio
Caballero, e destruiu sua câmara fotográfica. O agressor irritou-se
porque Caballero tirava fotos de um veículo oficial que tinha uma placa
particular, não tinha o logotipo de uso oficial e levava uma bandeira
do partido Colorado, da situação, no teto.
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