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Reunião de Meio
de Ano
San Salvador, Marzo 21-24
El Salvador
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PERU
Neste período a liberdade de imprensa no Peru continuou presente, por
meio dos diferentes tipos de cobertura e a presença de numerosos meios
de comunicação que expressam, de diferentes pontos de vista,
o clima em que a recém-recuperada democracia peruana se desenvolve.
Em 4 de fevereiro, o Poder Executivo promulgou a norma que modifica a lei
27.806, Lei de Transparência e Acesso à Informação
Pública, cujo conteúdo motivou os protestos da SIP por ocasião
de sua promulgação inicial em agosto de 2002. A versão
modificada da lei inclui agora quase todas as propostas do Conselho da Imprensa
Peruana e da Defensoria do Povo com relação às restrições
de informação por motivos de segurança nacional e responsabilidade
de funcionários. Está proibida a destruição de
informações em poder do Estado e são estabelecidos prazos
para que a administração pública atenda as solicitações
dos cidadãos por informações.
Por outro lado, preocupa o fato de que o Poder Executivo, usando seus poderes
para modificar a legislação antiterrorista, tenha aprovado o
decreto n? 922-2003, que estabelece a nulidade dos processos por traição
à pátria e sua cobertura jornalística. O decreto publicado
no diário oficial, El Peruano, em 12 de fevereiro, estabelece no artigo
12 inciso a), número 8, que, como os julgamentos devem ser públicos,
ou podem sofrer anulação, não é “permitido
o ingresso nem a utilização de câmaras de vídeo,
gravadores, câmaras fotográficas e outros equipamentos técnicos
similares”. Esta disposição viola o artigo 215 do Código
de Procedimentos Penais que estabelece que o juiz deve determinar o ingresso
e o uso de equipamentos jornalísticos nos julgamentos.
Considerando-se as mudanças na participação acionária
e na administração dos canais de sinal aberto de televisão,
Canal 4 América Televisión e Canal 5 Panamericana Televisión,
setores críticos do governo alertaram sobre uma suposta intervenção
do governo com o objetivo de promover uma linha editorial favorável
ao governo.
No caso do Canal 4, um grupo empresarial formado por El Comercio, o grupo
República del Perú e Grupo Caracol de Colombia, estabeleleceram
a nova empresa Plural TV, adquirindo a maior parte das dívidas do insolvente
Canal 4 de Televisión, que estava nas mãos de empresas privadas,
com o objetivo de administrar sua recuperação financeira.
No caso do Canal 5, em 21 de fevereiro, após um ano e dois meses de
litígio, um juiz de Lima aprovou uma liminar, outorgando a Genaro Delgado
Parker a administração da Panamericana Televisión e do
Grupo Pantel, e suspendendo os direitos acionários de Ernesto Schutz
Landázuri, seus familiares e outros sócios minoritários.
Em outubro, o deputado Jorge Mufarech moveu processo contra o jornal El Comercio,
alegando que o jornal tinha atentado contra sua honra ao publicar uma investigação
sobre a suposta importação irregular de um Jaguar do Chile,
em março de 1997. O processo, no valor de US$50 milhões, que
também envolve o diretor do jornal, Alejandro Miró Quesada Cisneros,
foi aceito pelo 36? Tribunal Criminal de Lima e encontra-se em trâmites
judiciais.
Mufarech também moveu processo contra o diretor do jornal La Razón,
Guillermo Thorndike, alegando que o jornal tinha alterado uma fotografia sua
para prejudicar sua imagem. O processo foi aceito pelo 33? Tribunal Criminal
de Lima.
Em 23 de janeiro, o publicista Augusto Bresani León, nomeado como o
ex-secretário de imprensa de Vladimiro Montesinos, chegou em Lima após
ser expulso dos Estados Unidos. Bresani, que foi detido pelas autoridades
peruanas, é acusado de receber US$100.000 do Serviço de Inteligência
para ser distribuído entre os chamados jornais “chicha”,
em troca pela publicação de manchetes favoráveis à
reeleição de Alberto Fujimori e que caluniassem os políticos
da oposição e a imprensa independente. Em sua chegada a Lima,
Bresani ofereceu-se para cooperar e poder entrar na lei de proteção
de testemunhas e acusou vários jornalistas de receber dinheiro para
apoiar a guerra suja contra os opositores do regime.
Em 10 de fevereiro, depois de quatro anos de litígio, a Primeira Sala
Civil do Tribunal Superior de Lima resolveu rejeitar o processo ingressado
pela empresa Alliance S.A.C., propriedade do fugitivo ex-diretor da ATV Canal
9, Julio Vera Abad, contra o jornalista César Hildebrandt. A empresa
pedia uma indenização de US$250 mil por uma suposta quebra de
contrato entre o jornalista e o canal de televisão. Abad aparece em
um dos famosos vídeos feitos por Montesinos em 1998 na sede do Serviço
de Inteligência Nacional. O vídeo mostra uma conversa de Abad
com o ex?assessor presidencial Vladimiro Montesinos, em que os dois concordam
em utilizar o poder judicial para prejudicar Hildebrandt.
Em 2 de março, um tribunal anticorrupção presidido por
Inés Villa Bonilla, ratificou a extensão da prisão de
Samuel e Mendel Winter por 36 meses. Os acionistas da estação
de televisão Frecuencia Latina, Canal 2 estão sendo processados
por supostos delitos de desfalque e conspiração criminosa e
vínculos com o governo de Alberto Fujimori. Os empresários encontram-se
detidos nas prisões Miguel Castro e San Jorge, respectivamente.
A seguir, apresentamos outros fatos, em ordem cronológica, relacionados
com a liberdade de imprensa durante o período.
Em 3 de novembro, policiais de Trujillo e Tumbes detiveram Roberto Villacorta
Cortina, suposto terrorista implicado no assassinato de Todd Smith, jornalista
norte-americano do jornal Tampa Tribune da Flórida, Estados Unidos.
Smith foi encontrado morto com visíveis sinais de tortura em novembro
de 1989 em Uchiza. O jornalista investigava os vínculos entre o narcotráfico
e as Forças Armadas peruanas na área.
Em 17 de dezembro, durante a festa de 15 anos de Zaraí Toledo (segunda
filha do presidente Alejandro Toledo) no hotel Los Portales, da cidade de
Piura, o ex?deputado Miguel Ciccia agrediu Paola Ugaz e Marcos Sifuentes,
jornalistas do programa “Entre Líneas”, transmitido pelo
Canal N de televisão, jogando a câmara de vídeo dos jornalistas
ao chão.
Em 29 de janeiro, sete jornalistas, Lan Ortiz e Santiago Bravo do jornal Perú
21, Ismael Tasayco e Iván Ahumada da Red Global de Televisión,
Rosario Rengifo da América Televisión, Marcos Rojas do jornal
La República e Jaime Rázuri da agência de notícias
France Press, foram agredidos por membros da Federação da Construção
Civil, enquanto cobriam a marcha de protesto que esse sindicato realizou na
Plaza 2 de Mayo, de Lima. Os manifestantes atacaram os jornalistas com pedaços
de ferro e paus.
Em 26 de janeiro, um dos membros da Comissão pela Verdade e Reconciliação,
Carlos Iván Degregori, declarou que, mesmo 20 anos depois, o caso do
assassinato de oito jornalistas em Uchuraccay, situada no departamento de
Ayacucho, ainda não prescreveu. Acrescentou que existe a possibilidade
de que o caso seja reaberto, se novas provas forem encontradas. A Comissão
está analisando o expediente judicial sobre o assassinato dos jornalistas
Jorge Luis Mendivil e Willy Retto, do jornal El Observador; Eduardo de la
Pinella e Pedro Sánchez, do jornal Marka; Jorge Sedano, do jornal La
República, e Amador García, da revista Oiga; além dos
correspondentes Félix Gavilán e Octavio Infante, ocorrido em
26 de janeiro de 1983.
Em 8 de fevereiro a Interpol informou à juíza de anticorrupção
Sara Mayta Dorregaray, que o ex?presidente da Andina de Televisión
(ATV canal 9), Julio Vera Abad, que é acusado de ter se beneficiado
ilicitamente por meio de sua associação com o ex?assessor presidencial
Vladimiro Montesinos, estava em Miami. A juíza solicitou, então,
ao presidente do tribunal de Lima, Víctor Raúl Mansilla, que
solicitasse a detenção e a extradição do empresário
de televisão, fugitivo da justiça peruana.
Em 10 de fevereiro, a juíza Magali Bascones determinou a prisão
preventiva, em uma quantia de até 30 milhões de soles, dos bens
dos proprietários do jornal La Razón, Alex Wolfenson Woloch
e o ex?deputado Moisés Wolfenson Woloch, que cumprem uma sentença
de prisão domiciliar no processo contra eles por suposto delito de
cumplicidade e peculato. A promotoria alega que os irmãos Wolfenson
coordenavam diretamente com Vladimiro Montesinos os artigos a favor da campanha
para a reeleição de Alberto Fujimori publicados nos jornais
El Chino e El Men, publicações da empresa Editora Sport de propriedade
dos irmãos Wolfenson.
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