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PORTO RICO
Ocorreram nesse período várias tentativas jurídicas para
obstruir o trabalho da imprensa.
A polícia tentou impedir a divulgação de fichas de prisioneiros
alegando que isso poderia violar seu direito à intimidade e a suposição
de inocência. O erro da polícia foi tomar a decisão com
relação a quatro figuras da política envolvidas em um
incidente em um departamento público. Um tribunal que recebeu a queixa
dos jornalistas ordenou ao chefe de polícia que entregasse as fichas.
Mas em outra decisão relacionada ao referido incidente, o tribunal
obrigou três canais de televisão -Telemundo Canal 2, Televicentro
Canal 4 e Univisión Puerto Rico Canal 11 - a entregar ao governo as
fitas não editadas do incidente. É possível que tais
fitas sejam utilizadas como parte da prova que a acusação apresentará
em juízo contra os quatro acusados de motim.
Deve-se mencionar que foi o governo, através do Departamento de Justiça,
que exigiu os vídeos sem edição e foi o tribunal que
decidiu em favor desse pedido.
Essa decisão é um sério precedente para que o Estado
tente, no futuro, exigir as anotações dos jornalistas da imprensa
escrita ou as gravações da imprensa de rádio. Os canais
de televisão decidiram não apelar da ordem para tentar evitar
uma decisão do Supremo Tribunal que pudesse estar matizada por interesses
ideológicos, mas que serviria para estabelecer um nítido e definitivo
precedente judicial. Optaram por transmitir no ar os vídeos sem edição
antes de entregá-los
Isso coloca a imprensa em uma situação comprometedora, já
que viola sua independência e a compromete diante dos interesses do
governo. A decisão terá também um efeito de mordaça
sobre as fontes que os jornalistas poderiam contatar para denunciar esse tipo
de situações, tais como casos de corrupção política.
Por outro lado, é irônico que o chefe de polícia, Miguel
Pereira, invoque o direito à intimidade de figuras públicas
que teriam sido detidas no mesmo incidente e se negue a divulgar as cópias
das fichas. Entretanto, o tribunal reconheceu o valor noticioso e público
desse material e ordenou sua entrega.
A imprensa continua sem poder acessar os terrenos da Marinha dos Estados Unidos
em Vieques. Os fotojornalistas Rafael Enrique Pesquera Morales e Juan Manuel
López Mari, da publicação on-line redbetances do Congresso
Nacional Hostoniano (CHN), foram presos pela polícia de Porto Rico
em terrenos do governo e entregues à polícia militar. As acusações
de obstrução à justiça foram rejeitadas pelo tribunal
estadual. Em um assunto relacionado, o juiz federal José A. Fusté
rejeitou um pedido de obstrução à liberdade de expressão
contra a Marinha dos Estados Unidos pelo uso de gás de pimenta contra
os demonstradores civis e jornalistas. (El Vocero, 13 de setembro, 1 de outubro
de 2002).
A Comissão Judicial do Senado de Porto Rico não tomou nenhuma
medida para anular a lei que tipifica como crime a difamação.
Continuam sendo examinados os seguintes projetos que, se se transformarem
em lei, podem afetar a liberdade de imprensa e o acesso à informação:
- Projeto de Lei do Senado no 1599 - Lei de Acesso à Informação
Pública (Lei de Liberdade de Informação local) apresentado
pelo senador do PPD, José Ortiz Daliot, pendente para exame público
na Comissão do Governo. As organizações de imprensa se
opõem a esse projeto que contém disposições que
podem permitir que as agências do governo restrinjam o trabalho da imprensa.
- Projeto de Lei da Câmara de Representantes no 878 - Declara como política
pública que todos os documentos preparados pela Divisão de Inteligência
da Polícia de Porto Rico, única e exclusivamente por crenças
ou tendências políticas e ideológicas e não reclamados
têm valor histórico, proibiria sua destruição e
criaria uma comissão para definir o destino final de tais documentos.
O projeto de lei está sendo examinado pela Comissão do Governo
e Câmara dos Representantes.
- Projeto de Lei do Senado no 1483 - Para emendar uma regra de procedimento
civil a fim de eliminar o requisito da publicação de editais
em um jornal de circulação diária geral, seja mensal,
bimensal, quinzenal, semanal ou diário.
Continua estagnado no Senado de Porto Rico um projeto de lei para restaurar
o acesso da imprensa a processos judiciais de divórcios e outros assuntos
de família.
A governadora Sila Calderón assinou cinco medidas propostas pelo Senado
de Porto Rico contra o conteúdo sexual gráfico nos programas
de televisão e os vídeos pornográficos ou bailes chamados
"perreo". A legislação foi criticada pela indústria
cinematográfica, o rádio e a televisão que invocam o
direito constitucional à livre expressão.
O presidente do Senado, Antonio Fas Alzamora, recusou-se a entregar a lista
de membros desse corpo legislativo, mas teve de fazê-lo ao ser lembrado
de que se tratava de um documento público.
O Tribunal de Recursos rejeitou uma ordem de censura obtida pelo Departamento
da Família para impedir a transmissão do programa de televisão
"Al grano com Zervigón" relacionado ao caso de uma menor
que havia fugido de um lar de adoção. O tribunal reafirmou que
o direito de liberdade de expressão e de imprensa protege o trabalho
do jornalista.
O ex-governador Pedro Rosseló agrediu a imprensa por causa da cobertura
relacionada à compra de uma luxuosa residência no estado de Virgínia,
que pertenceu a um advogado sócio de uma firma norte-americana que
prestou serviços à sua administração. Acusou também
o promotor Guillermo Gil, o governo de Porto Rico e o Grupo Ferré-Rangel,
a empresa familiar dona do El Nuevo Día e Primera Hora, de conspirar
para acusá-lo de atos ilegais. Essas acusações foram
feitas ao mesmo tempo em que se vêem nas cortes vários casos
de corrupção relacionados aos membros da sua administração.
A jornalista do Primera Hora, Rosita Marrero, foi ameaçada por uma
pessoa que se identificou como pai de um acusado durante o recesso em um caso
na corte federal sobre o assalto à Editorial Fernández.
O titeriteiro, Antulio "Kobbo" Santa Rosa, que manipula uma boneca
chamada La Comay, é protagonista de um processo por difamação
movido contra ele pelo ex marido da governadora, Santa Rosa, que apresenta
o programa no qual são apresentadas piadas e fofocas na Televicentro
Canal 4, afirma que isso viola seu direito de liberdade de imprensa e de expressão.
Alexis Morales, correspondente freelance e editor de um jornal regional, foi
preso durante um final de semana prolongado quando trabalhava na investigação
de atos de vandalismo em uma escola pública.
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