REPÚBLICA DOMINICANA
Ocorreram alguns incidentes que restringiram a liberdade de imprensa. Houve
denúncias de pressões de setores do governo contra jornalistas
e comentaristas de televisão, um atentado a tiros contra um cinegrafista
e censura a dois produtores de rádio.
Os casos principais estão a seguir.
Em junho, o jornalista Darío Medrano e o cinegrafista Ramón
Carmona, ambos da estação de televisão local Color Visión,
Canal 9, denunciaram que haviam recebido pressões de "funcionários
do governo" que teriam "exigido" que os executivos da emissora
os demitissem sob a "acusação" de terem difundido,
através da cadeia de televisão Univisión, da qual Medrano
e Carmona são correspondentes em Santo Domingo, imagens "prejudiciais
ao governo" relativas aos distúrbios acarretados pelos protestos
contra as medidas econômicas do governo.
Em julho, a Comissão de Espetáculos Públicos proibiu
o jornalista Alvaro Arvelo e o locutor Joseph Tavares de falar no rádio
por terem supostamente violado normas de "ética e bons costumes"
no modo como fizeram comentários nos programas de rádio que
dirigem. A censura foi suspensa no dia seguinte ao da emissão da ordem
depois de um grande protesto de vários setores do país, incluindo
a maioria dos meios de comunicação.
Em julho, foi ferido a tiros o cinegrafista Cristino Rodríguez, do
programa "Atrás da notícia", dirigido pelo jornalista
Esteban Rosario, na cidade de Santiago, e que foi agredido no início
do ano. A polícia disse que investiga um dirigente do partido do governo,
em Santiago, suspeito de ter sido o responsável pelos disparos contra
o cinegrafista Rodríguez. Coincidentemente, no dia seguinte ao atentado,
o jornalista Rosario foi preso por ordem de um juiz de Santiago que o acusou
de ter estuprado uma jovem, menor de idade. O caso foi levado ao tribunal
e depois de dois dias de interrogatório Rosario foi libertado mediante
pagamento de fiança.
Em julho, foi encerrado o programa de comentários políticos
"Os fatos e sua história", que era produzido e transmitido
diariamente por uma cadeia de rádio e televisão pelo ex-deputado
e dirigente do partido do governo Rafael Flores Estrella e o advogado Tomás
Castro. A direção da estação onde era produzido
o programa, a Teleradio América, afirmou ter recebido "pressões"
de um alto funcionário do governo para que encerrasse o programa alegando
que Flores Estrella e Castro usaram termos agressivos à honra do presidente
Hipólito Mejía. O Colégio de Jornalistas pediu aos executivos
da estação que revelassem o nome do "alto funcionário
do governo" que havia feito a pressão denunciada, mas até
agora essa informação não foi obtida.
Continua sem solução o caso do desaparecimento do colunista
e professor universitário Narciso González (Narcisazo), ocorrido
em 26 de maio de 1994, depois que ele fez duras críticas ao então
presidente Joaquín Balaguer e a altos chefes militares, os quais acusou
em um ato público na universidade estadual de ter realizado uma fraude
para manter o poder depois das eleições gerais daquele ano.
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