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Reunião de Meio
de Ano
San Salvador, Marzo 21-24
El Salvador
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ESTADOS UNIDOS
Nos
dias anteriores ao início da guerra contra o Iraque, funcionários
norte-americanos anunciaram as regras para a incorporação de
jornalistas às tropas norte-americanas durante o ataque. A medida representou
uma mudança significativa no acesso a todas as ações
militares dos Estados Unidos, que desde a guerra do Vietnã tinha sido
bem mais restrito. Há uma crescente preocupação, entretanto,
com a segurança dos jornalistas que estão cobrindo a guerra
em Bagdá. Vários relatórios denunciaram que o governo
iraquiano obrigou os jornalistas a se hospedar no hotel Al-Rashid para utilizá-los
como escudos humanos, e todos os correspondentes da CNN e Fox News foram expulsos
de Bagdá.
O efeito da guerra fez os funcionários norte-americanos adotarem medidas
mais rígidas para assegurar a confidencialidade das informações
governamentais por meio da nova Lei de Segurança Nacional, ao passo
que os meios de comunicação defendem um maior acesso ao ponto
de promover um projeto de lei chamado “Lei de Restauração
da Liberdade de Informação”. A vigilância eletrônica
pelo governo dos correios eletrônicos pessoais também tem sido
motivo de preocupação para os defensores da privacidade e o
devido processo para o número crescente de “buscas de emergência”.
Com relação à segurança nacional, duas cadeias
de televisão norte-americanas, preocupadas com a iminente guerra com
o Iraque, retiraram seus repórteres de Bagdá no início
de março. Allison Gollust, porta-voz da cadeia, disse ao The New York
Times que a NBC News decidiu retirar os seis membros de sua equipe de televisão
após comentários da administração Bush indicando
que um conflito militar poderia começar em poucos dias.
Havia 450 jornalistas em Bagdá e parece que o número caiu para
300. A administração Bush aconselhou os jornalistas a sair de
Bagdá, porém a NBC e a ABC teriam sido as primeiras cadeias
de televisão a retirar voluntariamente seu pessoal da capital iraquiana.
O Fox News Channel foi expulso da cidade no mês passado pelo governo
iraquiano. A NBC provavelmente ainda poderia continuar a cobertura de Bagdá,
por meio de Peter Arnett, o ex?correspondente da CNN que agora é repórter
da MSNBC, a cadeia de cabo irmã da NBC. Os quatro jornalistas da CNN
foram expulsos em 21 de março.
Na semana de 12 de março, o The Washington Post informou que “O
programa de incorporação foi desenvolvido por causa das queixas
dos meios de que em recentes ações militares os repórteres
foram mantidos longe demais da frente de guerra”. Funcionários
do Pentágono, em seu documento diretriz, disseram que esses esforços
estavam sendo feitos pois “precisamos contar a história real
– boa ou ruim– antes que outros inundem os meios de comunicação
com desinformações e distorções, como certamente
continuarão fazendo”, informa o Post.
Joe Strupp da Editor & Publisher relata que poucos diretores de meios
queixaram-se sobre as regras de incorporação para os correspondentes
de guerra, que permitem a “revisão de segurança”
e a sinalização de informações “delicadas”.
Muitos diretores, porém, disseram que estarão observando como
essas regras serão executadas. “Estão redigidas de tal
forma que poderiam ajudar a relatar a história ou serem usadas para
prejudicar a reportagem”, afirmou Colin McMahon, editor de notícias
internacionais do Chicago Tribune, o qual tem cinco repórteres incorporados,
dos 15 que mantém na região.
Por sua vez, o editor-chefe da Newsweek, Jonathan Alter, disse que a maioria
das regras em terra que os repórteres incorporados têm que obedecer
parecem razoáveis, tais como não portar arma de fogo, não
tirar fotografias noturnas com flash e não relatar a posição
exata da unidade. Ao contrário da Guerra do Golfo em 1991, comenta
o editor, desta vez não haverá censura de artigos nem de roteiros
para a televisão. A verdade é que isso não é mais
viável. As comunicações sem fio aniquilaram definitivamente
a censura militar.
O mediador em assuntos de interesse público do The Washington Post,
Michael Welter, diz que o verdadeiro teste do plano do Pentágono para
incorporar mais de 500 jornalistas nas tropas acontecerá em combate
se as coisas andarem mal. “No papel”, disse Getler, “a nova
diretriz parece ser um passo à frente – em termos de acesso e
transmissão oportuna da reportagem – com relação
às políticas e táticas restritivas que o Pentágono
tem empregado em todos os conflitos desde o Vietnã”.
Em março, apesar da nova atitude do ministro da Justiça John
Ashcroft para com o acesso, foi realizada uma auditoria, abrangendo todo os
setores do governo, sobre as respostas federais às solicitações
da Lei de Liberdade de Informações, que mostrou que a maioria
das agências governamentais (17 de 33) somente enviavam cópias
da informação solicitada aos funcionários da Lei de Liberdade
de Informações (FOI), sem mudar regulamentos ou materiais de
diretrizes e instrução. Um funcionário resumiu o sentimento
predominante como de “muito barulho e pouca ação”.
O memorando de Ashcroft substituiu uma política de Janet Reno sobre
a Lei de Liberdade de Informações que exigia a liberação
de informações, mesmo quando pudesse se aplicar uma isenção,
a menos que fosse possível ocorrer prejuízo previsível.
Ashcroft garantiu às agências do governo que o Departamento de
Justiça defenderia quase todas as “bases sólidas”
para a recusa.
Preocupados com os vazamentos de informações, os militares estão
começando a reprimir as comunicações por correio eletrônico
entre as tropas aquarteladas e seus familiares em casa. O acesso ao correio
eletrônico, geralmente aberto e muito apreciado por homens e mulheres
no serviço militar, provavelmente será restringido e/ou supervisionado,
de acordo com uma reportagem do The New York Times. Os líderes militares
estão particularmente preocupados porque informações
confidenciais, tais como a localização das tropas, poderiam
ser divulgadas inadvertidamente por meio de fotografias digitais e câmaras
web.
O senador Patrick Leahy (do partido democrata) apresentou em março
a “Lei de Restauração da Liberdade de Informação”
para combater a exigência de confidencialidade na legislação
que estabelece a criação do Departamento de Segurança
Nacional, a qual foi aprovada pelo Congresso em novembro.
As amplamente criticadas disposições sobre confidencialidade
contidas na nova Lei de Segurança Nacional penalizam a divulgação
de informações de “infra-estrutura crítica”
apresentadas voluntariamente ao governo pelas empresas, e garantem imunidades
às empresas que compartilhem essas informações com o
governo, liberando-as de responsabilidade por danos resultantes das informações
que possam revelar.
O projeto de lei conhecido como “Restauração da FOIA”,
continuaria garantindo às empresas a proteção das comunicações
reais sobre a vulnerabilidade de infra-estruturas críticas, porém
reduziria significativamente a amplitude da confidencialidade protegida pela
lei e restringiria as penalidades criminais pela divulgação.
A nova lei não penalizaria a divulgação de informações
de infra-estrutura crítica nem substituiria nenhuma proteção
aos delatores, tal como o faz a lei vigente, que pode castigar os delatores
com uma multa e até um ano de prisão se as informações
delatadas se referirem à infra-estrutura crítica. Não
proíbe o uso de informações dos casos tramitados nos
tribunais civis para responsabilizar as companhias por danos ou para proteger
o público.
O Escritório Federal de Investigações dos Estados Unidos
(FBI) foi criticado em janeiro pelo representante da Liberdade dos Meios da
Organização para a Segurança e Cooperação
Européia (OSCE) pela investigação de registros de bibliotecas,
assinaturas de jornais e recibos de livrarias com o pretexto de antiterrorismo.
Em uma declaração perante o Conselho Permanente, o órgão
decisório da OSCE, Freimut Duve disse que as prerrogativas governamentais
sob a Lei Patriota dos Estados Unidos da América “estão
sendo usadas de uma forma que poderia intimidar os cidadãos no exercício
de seu direito à liberdade de expressão”. Pediu um esclarecimento
do governo norte-americano e disse que também estava examinando a legislação
antiterrorista aprovada pelos países europeus.
O vice-chefe da representação norte-americana da OSCE, Douglas
Davidson, disse que nada na Lei Patriota ou na forma em que é executada
permitiria ao governo limitar o acesso a materiais protegidos pela Primeira
Emenda da Constituição.
Entretanto, certos meios de comunicação dizem que os jornalistas
deveriam estar preocupados com determinadas disposições da lei,
que garantem novos e amplos poderes a agentes do governo para investigar atos
de terrorismo. Sob a Lei Patriota, o FBI pode obter uma ordem judicial secreta
para ter acesso a livros, papéis, registros e documentos de qualquer
pessoa, com base em suspeita de envolvimento com o terrorismo internacional
ou “atividades clandestinas de inteligência”.
Sua preocupação é, se um repórter contatar pessoas
ou grupos políticos estrangeiros suspeitos de ser “agentes de
uma potência estrangeira”, segundo a Lei de Vigilância de
Inteligência Estrangeira, suas comunicações poderiam ser
monitoradas.
Em 7 de março, os senadores do estado da Flórida iam receber
informações, de modo particular, sobre um banco de dados estatal
que rastreia suspeitos de terrorismo. Esta é “a primeira vez
em quase quatro décadas que se proíbe ao público assistir
a uma reunião da comissão do senado”, segundo uma reportagem
do The Miami Herald. Ainda que o estado da Flórida tenha uma das leis
mais fortes do país sobre a liberdade de informação,
seu registro sobre o acesso está se convertendo cada vez mais em uma
baixa da Guerra contra o Terror.
Os meios estão preocupados com a vigilância eletrônica
do governo, segundo uma nota publicada pelo Los Angeles Times: “O ministro
da Justiça John Ashcroft disse à Comissão de Justiça
do Senado, na terça-feira, que autorizou mais de 170 dessas buscas
de emergência desde os ataques de 11 de setembro, mais do que o triplo
das 47 buscas de emergência que tinham sido autorizadas por outros ministros
da Justiça nos últimos 20 anos”.
Recentemente, a União Americana de Liberdades Civis (ACLU) solicitou
ao Supremo Tribunal dos Estados Unidos, em nome do Grupo de Meios de Comunicação
do Norte de Jersey e do New Jersey Law Journal, que revogue uma decisão
do Tribunal de Recursos dos Estados Unidos (3? Circuito) que defende a realização
de audiências de deportação de detidos do INS (Serviço
de Imigração) a portas fechadas. Um caso similar que chegue
à conclusão oposta poderia chegar aos tribunais.
O Centro para a Integridade Pública, que fez a revelação
em fevereiro, disse que o governo dos Estados Unidos tinha redigido secretamente
emendas à Lei Patriota dos Estados Unidos da América que colocariam
em perigo as liberdades civis dos cidadãos norte-americanos garantidas
pela Constituição, mas a denúncia foi praticamente ignorada
pelos principais meios, relatou o grupo que vigia os meios norte-americanos
chamado Justiça e Precisão nas Reportagens (FAIR).
Redigida por funcionários do ministro da Justiça dos Estados
Unidos, John Ashcroft, a Lei de Melhoramento da Segurança Nacional
de 2003 (Lei Patriota II) enfraqueceria a Lei de Liberdade de Informação
ao restringir o acesso do público às informações
sobre detidos por terrorismo. A proposta ainda não foi apresentada
oficialmente.
Ocorreram vários incidentes durante os últimos seis meses na
defesa do processo de coleta de notícias. Gary Gaynor, fotógrafo
do Tucson Citizen, foi detido em 5 de março durante um protesto no
campus da Universidade do Arizona. Em 13 de março, as autoridades governamentais
interceptaram um pacote postal enviado entre dois repórteres da Associated
Press no último setembro e, sem um mandado e sem notificar os repórteres,
confiscaram o conteúdo, de acordo com uma reportagem da AP. O pacote
continha uma cópia de um relatório não confidencial do
FBI de 1995, que desde então tornou-se um registro público,
disse a AP.
O repórter da AP em Manila, Jim Gomez, enviou um documento a John Solomon
em Washington sobre casos de terrorismo que ambos estavam investigando. A
AP disse que o documento do FBI no pacote continha informações
que já haviam sido apresentadas anteriormente em dois processos judiciais.
A reportagem continha cópias de provas coletadas nos casos de terrorismo
de Abdul Hakim Murad e Ramzi Yousef. Murad e Yousef foram condenados à
prisão perpétua por tramar a explosão de 12 aviões
com destino aos Estados Unidos. Yousef foi também condenado por planejar
o ataque ao World Trade Center em 1993.
En março, a juíza Jane Marum Roush negou uma solicitação
apresentada por 16 companhias de mídia para gravar e transmitir o julgamento
penal do suposto franco atirador John Lee Malvo no Tribunal do Circuito do
Condado de Fairfax. Roush também negou a permissão para tirar
fotografias, solicitação que foi aceita pelo juiz no caso de
John Allen Muhammad, o segundo suspeito franco atirador que está sendo
julgado no Condado de Prince William, Virgínia.
Embora Roush não tenha explicado o motivo de negar a solicitação
da cobertura fotográfica, por meio das perguntas formuladas por Rush
a Kathleen Kirby, advogada dos meios, esta pensa que a juíza estava
preocupada com a possibilidade de que as fotografias fixas ou eletrônicas
pudessem influir negativamente o júri.
Em fevereiro, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos recusou revisar uma decisão
do Supremo Tribunal de New Jersey que defendia a ordem de um juiz de tribunal
que proibia que jornalistas entrevistassem os membros de um júri, após
eles terem concluído seu trabalho no primeiro julgamento de um rabino
acusado de mandar matar sua mulher, e no qual o júri não conseguiu
chegar a um veredicto.
O The Philadelphia Inquirer solicitou ao tribunal a revisão do caso,
por ser uma “uma ampliação da censura prévia à
imprensa”. O rabino Fred Neulander foi condenado em um segundo julgamento
em 2002. “A ordem proibia que a imprensa contatasse ou entrevistasse
os membros de um júri depois que estes concluíssem seu trabalho
por qualquer motivo, sobre qualquer tema, e inclusive se o membro do júri
iniciasse tal contato”, escreveu o Inquirer em sua solicitação
ao tribunal.
Um júri do condado de Sonoma condenou, em fevereiro, o ex-sacerdote
católico Donald Wren Kimball sob acusação de agressão,
vandalismo e assalto por ter jogado a câmara de uma fotógrafa
em seu rosto, quando esta cobria seu julgamento no tribunal desse condado
da Califórnia. Embora ainda não tenha recebido a sentença,
Kimbal enfrenta de três a seis anos de prisão pela agressão.
Durante o julgamento por abuso sexual de crianças em abril de 2002,
Kimbal atacou a fotógrafa do San Francisco Chronicle, Penni Gladstone,
atirando sua câmara fotográfica contra o rosto, quebrando seus
óculos e agarrando uma câmara digital de seus mãos, antes
de empurrá-la na direção do repórter do Press
Democrat (Santa Rosa), Clark Mason. Gladstone, de 49 anos, sofreu cortes e
contusões sob o olho direito.
Durante a argumentação oral, em fevereiro, quatro organizações
jornalísticas solicitaram ao juiz James K. Bredar que permitisse o
acesso aos registros do tribunal juvenil sobre o suposto franco atirador de
17 anos, John Lee Malvo, agora que este está sendo processado como
adulto.
Esta não é a primeira vez que os meios solicitaram a Bredar
acesso a esses registros de tribunais juvenis. Em novembro, Bredar recusou
acesso ao caso de Malvo, enquanto este estava pendente no tribunal juvenil
federal no Distrito de Maryland.
“O interesse público neste processo é enorme, já
que o detido foi acusado de aterrorizar nossa comunidade”, argumentaram
as organizações jornalísticas em sua moção.
“O julgamento neste tribunal envolvia a segurança pública,
a administração de nosso sistema penal e o desejo do público
por retribuição e dissuasão.”
De acordo com as explicações das organizações
de notícias, qualquer argumento que pudesse existir para dar o caráter
de reservado ao expediente de Malvo no tribunal juvenil, já não
existe mais.
Em janeiro, o Tribunal de Recursos de Boston (1? Circuito) invalidou o estatuto
de difamação criminal de Porto Rico, pois este estatuto, adotado
em 1974, não cumpre os requisitos básicos da Primeira Emenda.
O caso foi apresentado por Jesús Mangual, um repórter do jornal
El Vocero de Puerto Rico, que temia ser processado pelos artigos que tinha
publicado sobre a corrupção no governo. Mangual solicitava que
o tribunal declarasse a inconstitucionalidade de tal lei e tomasse medidas
para proteger o direito dos jornalistas porto-riquenhos à liberdade
de expressão.
O Congresso dos Estados Unidos está considerando um projeto de lei
solicitando a criação de um escritório especial para
combater a censura na Internet em regimes autoritários ao redor do
mundo, informa a Rede de Jornalistas Internacionais (IJNet) e a revista Far
Eastern Economic Review (FEER).
Vários defensores da Internet, entretanto, inclusive a Electronic Frontier
Foundation, manifestaram sua preocupação de que alguns dos novos
programas disponíveis no mercado talvez não protejam completamente
a identidade dos usuários, deixando-os vulneráveis perante as
autoridades chinesas, entre outras.
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