|
CHILE
Relatório para a 62a Assembléia Geral
Cidade do México, México.
29 de setembro a 3 de outubro de 2006
Durante este
período, a imprensa pode desempenhar suas atividades sem entraves de
consideração, ainda que se tenha detacado uma atitude omissiva
do Governo quanto ao projeto de lei sobre proteção da privacidade,
da honra e da própria imagem. O projeto foi enviado ao Senado, em segundo
trâmite constitucional, mas não teve nenhum avanço. Para
os meios de informação essa norma é essencial, porque deveria
contribuir para esclarecer aspectos muito importantes vinculados à indenização
de prejuízos e, ademais, deveria modificar o artigo 161-A do Código
Penal, que atualmente, e de forma tecnicamente muito inadequada, sanciona as
intromissões na privacidade.
Em razão do desaparecimento
de uma revista e um jornal ideologicamente vinculados a setores da combinação
de governo, alguns deputados têm reclamado com insistência a necessidade
de adotar políticas públicas para ordenar o mercado de publicidade.
Sustenta-se que as designações de fundos destinados a esse fim
não guardam proporção com a tiragem real e com a leitura
objetiva de um meio de comunicação determinado, e acrescentou-se
que o próprio Estado distribui sua pulblicidade “inspirado en cotas
político-empresariais e ideológicas”. Como consequência
dessas denúnicas a Câmara de Deputados concordou em formar uma
comissão para investigar a forma como se distribui a publicidade oficial.
A Comissão começou a trabalhar este mês e está citando
pessoas vinculadas à atividade.
Um anteprojeto de lei sobre
o Estatuto do Jornalista, elaborado pelo Colégio de Jornalistas, contém
a cláusula de consciência unida ao direito de autor, figura que
havia sido rechaçada quando tramitou a Lei de Imprensa. O anteprojeto,
que em grande parte repete definições já contidas na Lei
de Imprensa, sustenta que os direitos de autor do trabalho jornalístico
são inalienáveis e independentes do proprietário do meio
de comunicação e que, sem prejuízo do direito deste último
de definir sua própria linha editorial, debe respeitar-se a cobertura
feita pelos jornalistas de acordo com as normas técnicas e éticas
da profissão. O ministro Secretário Geral do Governo manifestou
disposição do Executivo de apoiar essa iniciativa.
Em 7 de agosto de 2006 foi
prolatada uma sentença que condena a Empresa Jornalística El Centro
S.A. e o diretor do jornal El Centro, editado por aquela, a pagar 20 milhões
de pesos a título de indenização de prejuízos por
dano moral a favor de uma mulher vítima de um delito de estupro. Esse
delito foi cometido na cidade de Constitución em março de 2003,
e a informação sobre a sentença prolatada pelo Tribunal
Oral de Talca foi dada a conhecer pelo jornal na edição de 27
de janeiro de 2004 mencionando o nome da vítima. A sentença se
baseia na infração do artigo 33 da Lei de Imprensa, que proíbe
a divulgação da identidade, entre outras, das vítimas do
delito de estupro. Neste caso a vítima não pediu que o meio de
comunicação fosse punido com a multa a que alude o próprio
artigo; porém, mais tarde, iniciou uma ação civil de inenização
de prejuízos. Cabe advertir que o novo Código de Processo Penal,
aplicado posteriormente à Lei de Imprensa, mudou radicalmente a justiça
criminal, sendo agora suas bases o imediatismo, a oralidade e a publicidade.
A audiência do julgamento oral é, portanto, pública, e somente
a pedido da parte e por decisão fundamentada do juiz se podem adotar
medidas para proteger a intimidade, a honra e a segurança das pessoas
envolvidas. Neste caso essa solicitação não foi feita,
e o jornalista obteve os precedentes do caso na própria audiência.
A sentença mencionada foi objeto de apelação e a decisão
de sgunda instância está pendente.
Em virtude da multa aplicada
pela Superintendência de Valores e Seguros ao direto e proprietário
do jornal Estrategia, por informações publicadas neste jornal,
que foram consideradas falsas e tendenciosas por esse órgão regulador,
a Associação Nacional de Imprensa solicitou ao Conselho Ética
dos Meios de Comunicação Social um parecer sobre boas práticas
em matéria de informação econômica. Um resumo desse
parecer e de um extenso anexo que o acompanhou foi publicado pelos jornais afiliados
a essa organização nos dias 16 e 17 de agosto de 2006, e espera-se
que sirva de base para os códigos de conduta que cada jornal, segundo
sua própria realidade, deverá elaborar para assegurar a qualidade
da informação econômica.
Perguntas
ou Comentários? escreva-nos
© 1999 Sociedade
Interamericana de Imprensa. Todos os direitos reservados.
|