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COLÔMBIA
Reunião de Meio de Ano
Quito, Equador
17 a 20 de março de 2006
A liberdade
de imprensa foi afetada nesse período por uma onda crescente de ameaças
e agressões a jornalistas e diretores de meios e pelo aumento dos processos
contra meios de comunicação e jornalistas.
Os diretores dos jornais
Hoy Diario del Magdalena, El Universal, La Tarde de Barrancabermeja e Vanguardia
Liberal denunciaram que estavam sendo ameaçados e intimidados por alguns
membros de órgãos do governo, funcionários públicos
e particulares.
Trinta jornalistas de diversas
regiões do país informaram estar recebendo ameaças de morte,
especialmente nos departamentos de Cundinamarca (6), Santander (4), Huila (3),
César (3) e Valle del Cauca (2).
Nos primeiros dois meses
deste ano, cinco jornalistas foram obrigados a abandonar suas regiões,
o que afetou a cobertura noticiosa nesses locais e aumentou a prática
da autocensura entre os meios de comunicação locais. A maioria
das ameaças veio dos paramilitares e de pessoas envolvidas em corrupção
eleitoral.
Entretanto, e mantendo a
tendência dos dois últimos semestres, nenhum jornalista foi assassinado
devido ao exercício da sua profissão.
Os processos contra os meios
de comunicação e jornalistas continuam aumentando. O diretor do
jornal Hoy Diario del Magdalena foi processado por falso testemunho com a cumplicidade
de funcionários judiciais e políticos; o El Nuevo Día de
Ibagué informou que cinco novos processos foram iniciados contra o jornal,
totalizando 32 em 5 anos. Salud Hernández, um dos vários colunistas
processados por calúnia e injúria, confirmou ter sido processado
seis vezes nos últimos meses.
A Primeira Comissão do Senado ainda não analisou o pedido de arquivamento
do projeto de lei segundo o qual “incorreriam em crime penal o diretor,
jornalista, colunista ou articulista que fizessem uma injúria ou calúnia,
ou qualquer outra afirmação sem fundamento ou prova controversa
publicamente”. Conseguiu-se manter a obrigação de publicar
em jornais a abertura de licitações prevista na Lei 80. Foram
entretanto mantidas algumas proibições e obrigações
relativas à reforma do Código do Menor.
Iniciou-se em 30 de novembro
uma forte polêmica sobre o artigo 25 da Lei de Garantias que regulamentou
a reforma constitucional que permite a reeleição presidencial
imediata na Colômbia e que exige que concessionários e operadores
privados de rádio e televisão enviem um relatório semanal
ao Tribunal Regional Eleitoral com os tempos e espaços dedicados em tais
transmissões ou publicações às atividades de campanha
presidencial para cada candidato, para que se determine se estão iguais.
Ao estudar a lei, a Corte Constitucional afirmou que essa igualdade não
se referia somente aos tempos ou espaços, mas também à
qualidade dos conteúdos. Os meios de comunicação e a opinião
pública em geral consideraram que o artigo e a interpretação
da Corte representariam uma forma de censura, já que órgãos
do governo poderiam se transformar em agentes de revisão de conteúdos.
No que se refere à
luta contra a impunidade, destacam-se alguns progressos quanto a uma solução
amistosa para esclarecer o assassinato do jornalista Nelson Carvajal Carvajal;
a reativação da Subunidade que cuida dos casos de crimes contra
jornalistas da procuradoria e o compromisso de impulsionar 15 processos, e verificar
os que podem ser suspensos ou arquivados. O procurador-geral da Colômbia
comprometeu-se a tomar as medidas pertinentes para descobrir os autores materiais
do assassinato do vice-diretor do La Patria, Orlando Sierra.
O vice-presidente da Colômbia,
Francisco Santos, anunciou em 9 de fevereiro a criação de um comitê
formado pela procuradoria-geral e pela polícia judicial para acelerar
as investigações sobre ameaças e agressões a jornalistas.
A medida foi tomada por causa do aumento desse tipo de ameaças e agressões.
Em outubro, registraram-se
os seguintes fatos:
O diretor do Hoy Diario
del Magdalena, Ulilo Acevedo, denunciou que está sendo processado por
falso testemunho com a cumplicidade de funcionários judiciais e políticos
afetados pelas informações publicadas no jornal.
O prefeito de Cúcuta,
Ramiro Suárez Corzo, ordenou ao departamento de imprensa do seu escritório
que não fornecesse mais informações à jornalista
Gala Marcela Peña Álvarez, do jornal La Opinión dessa cidade
porque ela havia publicado uma investigação sobre depósitos
na conta particular de um funcionário público.
Em novembro:
O jornal El Universal, de
Cartagena, denunciou no seu editorial ameaças contra seu diretor, Pedro
Luis Mogollón, e à editora de política, Jacqueline Rhenals,
por causa da cobertura das eleições locais. O editorial explicou
que uma das mensagens das ameaças enviadas a celulares de vários
jornalistas mencionava a informação e as colunas que haviam sido
publicadas pelo jornal sobre o voto em branco.
O editor de jornalismo investigativo
do El Espectador, Norvey Quevedo, denunciou que o ministro da Proteção
Social, Diego Palacios, manipulou e divulgou os nomes das suas fontes usando
uma agenda e lista de fontes que o jornalista deixou por descuido em seu escritório.
A jornalista da RCN Televisión,
Diva Jeserum, denunciou ter sido ameaçada por dois desconhecidos que
a procuraram em sua casa. Jeserum estava investigando o suposto desvio de dois
milhões de dólares entregues ao governo colombiano para desenvolvimento
do Plano Colômbia.
Dois homens mascarados e
armados com sprays de pimenta tentaram invadir a sede da Federação
Internacional de Jornalistas em 14 de novembro. Desconhece-se o motivo da ação.
Anibal De Luiz Polo, radialista
de Sucre, denunciou ameaças de morte. Polo apresenta um noticiário
na emissora local da Radio Caracolí e trabalha para a rádio há
mais de 30 anos. Na seção “A Machetazo Limpio” (“A
Sangue Frio”), critica os funcionários públicos por atos
de corrupção local. O jornalista denunciou que assassinaram a
“sangue frio” um cavalo que lhe pertencia.
Em dezembro:
Marta Elvira Soto, editora
da Unidade Investigativa, e Orlando Restrepo, subeditor da seção
de justiça do El Tiempo foram vítimas de ligações
telefônicas ameaçadoras e de perseguições depois
de uma série de publicações sobre atividades paramilitares.
Em 5 de dezembro, uma pessoa telefonou para a redação do jornal,
ameaçou Soto e Restrepo e ameaçou também um jornalista
de Córdoba, Antonio Sánchez Sánchez, que teve que abandonar
a região.
O chefe de reportagem da
Radio Guatapurí, Enrique Camargo, recebeu novas ameaças depois
de informar sobre a decisão do Conselho de Estado que anulou as eleições
para prefeito de Aguachica, município ao sul de César. Desde outubro
passado, vários jornalistas de César denunciaram ameaças
de morte, entre eles o chefe de redação do jornal El Pilón,
Galo Bravo Picossa, e Miguel Macea, correspondente da Telecaribe e Noticias
UNO.
Em janeiro:
Antonio Colmenares, radialista
da emissora La Poderosa, de Pitalito, Huila, foi ameaçado depois de ler
na rádio um comunicado de imprensa do Exército que informava sobre
a captura de um suspeito.
Diro César González,
diretor e proprietário do La Tarde, de Barrancabermeja, abandonou a cidade
e suspendeu a publicação do semanário. Em 17 de janeiro,
dois homens, um deles armado, o procuraram em sua casa. Sua esposa, Tatiana
Sánchez, identificou um dos homens como a mesma pessoa acusada de estar
envolvida no assassinato de uma mulher, em dezembro do ano passado, em uma discoteca
da cidade. Naquela semana, o La Tarde havia publicado os detalhes do fato e
as fotos do suspeito. O jornalista vinha sendo alvo de ameaças desde
o ano passado, quando circulou no departamento de Santander uma “lista
negra” com os nomes de vários jornalistas da região que
seriam mortos por grupos paramilitares.
Também em Santander,
o diretor e gerente do canal de televisão Telepetroleo, Álvaro
Pérez Vide, foi ameaçado e obrigado a sair de Barrancabermeja
uma semana depois do assassinato do seu irmão. Pérez foi perseguido
em várias ocasiões no seu trajeto de ida e volta do canal de televisão.
Em fevereiro:
Olga Cecilia Vega saiu de
Florencia, capital do departamento de Caquetá, ao sul do país,
após receber ameaças. Segundo Vega, as ameaças foram feitas
depois da publicação no jornal americano El Nuevo Herald de uma
entrevista com o líder guerrilheiro das FARC, Raúl Reyes. Dois
desconhecidos a procuraram em um hotel onde estava hospedada e lhe disseram
que tinha 48 horas para abandonar a cidade, caso contrário explodiriam
o hotel.
Em 4 de fevereiro, o locutor
Gustavo Rojas Gabalo foi vítima de um atentado em Montería, departamento
de Córdoba. Um homem aproximou-se dele, disparou duas vezes e fugiu em
uma motocicleta. Ainda não se conhece o motivo do atentado.
O jornal Vanguardia Liberal
denunciou em seu editorial de 25 de fevereiro que os diretores do jornal e seus
familiares são vítimas de perseguições por órgãos
de segurança do Estado.
Um mês antes, a jornalista
do mesmo jornal, Jenny Manrique, foi obrigada a abandonar a região devido
a ameaças recebidas depois de publicar várias matérias
sobre as operações dos paramilitares em Santander.
Em março:
O gerente do El periódico de Chía, Carlos Arango, e sua diretora
Juanita Ardila, denunciaram ter recebido uma ameaça telefônica
na qual lhes diziam: “se continuarem falando mal do prefeito, vamos encher
sua boca de moscas”. Dois meses antes, Ardila havia contado à Unidade
de Resposta Rápida da SIP que o prefeito de Chía, a norte de Bogotá,
Fernando Sánchez, tinha iniciado uma campanha de desprestígio
contra o jornal, depois de um editorial desse jornal e da publicação
de uma matéria sobre seu desempenho. O prefeito distribuiu uma série
de cartas aos anunciantes do jornal nas quais questionava a objetividade do
jornal e outros 300 comunicados a conjuntos residenciais para que suspendessem
a distribuição do jornal para os moradores da região, e
também a associações comunitárias.
Em 8 de março, homens
armados ameaçaram o diretor do jornal turístico Primeira Plana,
Antonio Vargas Valvuena, e lhe roubaram mais de 15 mil exemplares de uma edição
com matérias que levantavam questões sobre Elsa Gladys Cifuentes,
candidata a membro do Congresso e ex-governadora de Risaralda.
O colunista e pesquisador
cultural de Córdoba, Miguel Ángel Castilla Camargo, denunciou
ameaças depois que dois homens lhe disseram que iam matá-lo porque
“estava se metendo com o Partido Liberal”. Em 4 de março
passado, Castilla publicou uma coluna de opinião no jornal El Meridiano
de Córdoba chamada “El fin del trapo rojo”, na qual questionou
seriamente alguns dirigentes tradicionais do Partido Liberal. "Se ‘La
Gata’ e os extraditados falarem, o liberalismo será derrubado antes
do tempo”, escreveu o jornalista.
Carlos Humberto Patiño, repórter gráfico do jornal La Opinión,
de Cúcuta, denunciou o secretário de transportes de Cúcuta
por agredi-lo e impedi-lo de fotografar uma reunião política em
um clube local. O funcionário teria supostamente tentado evitar que se
divulgasse sua participação ilegal em atos políticos antes
das eleições de 12 de março passado.
Três jornalistas de Barrancabermeja denunciaram perante a Fundação
de Liberdade de Imprensa ter recebido ameaças de morte dos paramilitares
na última semana. São eles: Edison Núñez, jornalista
de um canal local; Marcos Perales, diretor do semanário La Portada, e
Gladys Villamizar Rodríguez, diagramadora do semanário La Tarde,
cujo diretor também teve que abandonar a região depois de receber
ameaças.
Durante as eleições desse ano, os jornais colombianos foram afetados
por várias restrições, tais como a proibição
de publicar ou emitir resultados de pesquisas e publicar propaganda eleitoral.
Apesar de a Andiarios estar utilizando desde 1994, em representação
dos jornais colombianos, todos os mecanismos jurídicos e políticos
oferecidos pelo estado de direito para que se elimine a proibição
de publicar publicidade política no dia das eleições, os
jornais foram novamente forçados a não fazê-lo nas eleições
de 12 de março passado porque o Tribunal Regional Eleitoral intimou-os
a acatar a proibição sob pena de impor as sanções
correspondentes.
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