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COLÔMBIA
Relatório para a 62a Assembléia Geral
Cidade do México, México.
29 de setembro a 3 de outubro de 2006
Nos últimos
três meses, registrou-se uma diminuição dos assassinatos
de jornalistas, mas os assassinatos de Gustavo Rojas Gabalo e Milton Fabián
Sánchez, ambos ligados às rádios das suas áreas
de origem, Córdoba e Valle del Cauca, respectivamente, mudou essa situação.
Outro jornalista assassinado foi Atilano Segundo Pérez, mas não
se sabe ainda se sua morte tem relação com seu trabalho como jornalista.
As ameaças a jornalistas
continuam aumentando. Entre março e setembro, 45 jornalistas foram ameaçados,
segundo denúncias apresentadas à Fundação para Liberdade
de Imprensa.
Crescem também as
preocupações com o fato de congressistas, funcionários
públicos e o próprio presidente da República desqualificarem
o trabalho investigativo e noticioso dos meios de comunicação.
Essa atitude pode prejudicar a credibilidade e confiança nos meios. Entretanto,
segundo a última pesquisa feita esse mês pela Gallup Colômbia,
os meios de comunicação são a instituição
com mais credibilidade entre a opinião pública colombiana.
Em termos legislativos,
o Senado atendeu quase todos os pedidos da Associação de Jornais
Colombianos (Andiarios), sobre o novo Código do Menor. O projeto aprovado
respeita a liberdade e a autonomia dos meios para definir seus conteúdos.
A preocupação, esse semestre, é um projeto de reforma tributária
que fixaria um imposto de 10% para o papel jornal e outros impostos sobre publicidade
para pequenos jornais que são atualmente isentod. Os textos de outros
projetos referentes a eleições estão sendo examinados e
pretendem impor restrições à publicidade, à divulgação
de pesquisas e ao equilíbrio informativo.
Os acontecimentos mais importantes
desse período são:
Em 20 de março faleceu
o locutor Gustavo Rojas Gabalo, vítima de um atentado de pistoleiros
em 4 de fevereiro em Montería, Córdoba. Rojas Gabalo foi ferido
na cabeça e na clavícula. O jornalista tinha 56 anos e nove filhos.
Era um radialista muito experiente que no seu programa “El Show de Gaba”
criticava os governos locais e a classe política de Córdoba. A
URR da SIP determinou que o locutor foi assassinado por suas denúncias
contra os vínculos do poder local com o paramilitarismo no setor da saúde.
Rojas Gabalo ficou hospitalizado durante um mês e meio. Oito dias antes
da sua morte, três dos supostos autores materiais foram presos. As autoridades
disseram que eram paramilitares em trânsito.
O senador Humberto Gómez
Gallo convocou um boicote ao jornal El Nuevo Día de Ibagué através
de duas rádios de Tolima. “Nós, tolimenses, devíamos
boicotar o El Nuevo Día, devíamos parar de comprar o jornal, não
devíamos anunciar nele… por causa das suas infâmias”,
disse o senador, que havia sido criticado por esse jornal.
O jornalista Hollman Morris,
diretor do programa de televisão “Contravía”, denunciou
que uma suposta organização chamada Frente Social pela Paz (FSP)
divulgou um vídeo no qual é apontado como porta-voz internacional
da guerrilha das FARC. O vídeo aponta como “porta-vozes internacionais
das FARC” o padre Javier Giraldo; o jornalista Hollman Morris; a ex-prefeita
de Apartadó, Gloria Cuartas, e o ex-candidato à presidência,
Álvaro Levya.
Ocorreu em abril uma forte
polêmica nos meios de comunicação depois que o presidente
Álvaro Uribe acusou o diretor da Revista Semana, Alejandro Santos, de
mentir. Referia-se a uma matéria sobre a suposta infiltração
paramilitar no Departamento de Segurança Pública (DAS). O Partido
Liberal propôs realizar um debate com o presidente para que falasse sobre
suas declarações contra a revista.
O Congresso arquivou o projeto
de lei que pretendia aumentar a gama dos crimes de injúria e calúnia
cometidos por jornalistas e diretores de meios de comunicação.
Daniel Muñoz, fotógrafo
da agência internacional Reuters, foi agredido por um policial durante
as manifestações de um grupo de transportadores de Bogotá.
O repórter gráfico denunciou que o policial agrediu-o no rosto
com um escudo e quebrou seus dentes para evitar que tirasse fotos desse mesmo
policial agredindo uma mulher.
Em 27 de abril, a procuradoria-geral
acusou Pablo Emilio Dodino e Bolmar Said Sepúlveda de serem os autores
materiais do assassinato do jornalista José Emeterio Rivas, morto em
7 de abril de 2003 em Barrancabermeja, Santander. Na mesma decisão, a
procuradoria encerrou a investigação contra Julio César
Ardila Torres, ex-prefeito de Barrancabermeja, suspeito de ter planejado o crime.
Ele foi, entretanto, acusado de perturbar a ordem pública.
Em maio, o jornalista Pedro
Cárdenas, diretor da revista La Verdad, abandonou o departamento de Tolima
depois de ser ameaçado de morte. Cárdenas recebeu duas coroas
funerárias na sua casa, em Honda. Segundo o jornalista, que recebe ameaças
há um ano, estas começaram depois que ele publicou duas matérias
denunciando a corrupção no governo local. Cárdenas havia
voltado ao país no começo do ano, depois de estar exilado, por
causa de ameaças, desde 2004.
Rubén Darío
Correa, Alexander Correa e César Valencia, jornalistas da rádio
La Cariñosa de RCN, de Ibagué, Tolima, denunciaram o dirigente
político Rubiel Espinosa Triana por tê-los chamado de terroristas
do microfone, depois que os jornalistas o denunciaram por suposta participação
na concessão irregular de um espaço público.
Em 1º de junho, a agência
Noticias Colprensa denunciou que as autoridades e os funcionários da
defensoria pública em Bogotá fingiram ser jornalistas para desarmar
um falso homem-bomba que provocou pânico nas instalações
da promotoria. O homem havia entrado no local e ameaçado explodir a si
mesmo se não atendessem suas exigências.
O diretor do jornal El Heraldo
de Barranquilla, Gustavo Bell Lemus, e os colunistas Ernesto McCausland Sojo
e Armando Benedetti Jimeno foram ameaçados através com pacotes
com bombas e cartões de pêsames deixados nas suas casas. Tanto
Benedetti quanto McCausland estavam fazendo denúncias sobre temas de
corrupção e criminalidade na sua cidade.
Em julho, o jornalista Herbin
Hoyos denunciou ter recebido ameaças nas quais exigiam que saísse
da Colômbia em 72 horas. A ameaça, segundo Hoyos, chegou poucas
horas depois da transmissão do programa de rádio “Voces
del Secuestro”, no qual denunciou supostas irregularidades nos processos
de extradição para os Estados Unidos de vários prisioneiros
de Cómbita, departamento de Boyacá. Hoyos disse que a ameaça
foi feita através do web site da organização Voces del
Secuestro, que ele edita.
Em 27 de julho, Andrés
Darío Cervantes Montoya, conhecido como “El Chiche”, confessou
a um promotor ter assassinato o jornalista Efraín Alberto Varela Noriega,
em 28 de junho de 2002 em Arauca, e fez um acordo para redução
da pena. O corpo de Varela Noriega, diretor da emissora Meridiano 70, de Arauca,
foi encontrado com marcas de vários tiros pouco depois que o "Bloque
Vencedores" dos paramilitares dessa região acusou-o de colaborar
com a guerrilha.
Foi assassinado em 9 de
agosto no Valle o jornalista Milton Fabián Sánchez, da rádio
Yumbo Estéreo. Dois homens em uma moto o atingiram com cinco tiros na
cabeça quando ele ia para casa. O jornalista, que se dedicava a programas
de rádio de caráter comunitário, dirigia as transmissões
dos programas institucionais da prefeitura de Yumbo e de La Personería.
Tinha feito denúncias e La Personería contra o aumento da venda
de drogas e casos de invasões na zona de alto risco onde morava. As recentes
denúncias de Sánchez fizeram com que as autoridades anunciassem
a expropriação das casas utilizadas para a venda de drogas.
Em 12 de agosto, Gloria
Carvajal, irmã do jornalista Nelson Carvajal Carvajal, assassinado em
Pitalito, Huila, em 16 de abril de 1998, deixou o país, junto com Estela
Bolaños, víuva do jornalista morto, e suas duas filhas, por considerar
que não tinham garantias de segurança para continuar em Pitalito,
departamento de Huila. Segundo suas denúncias, as menores estavam sendo
seguidas por estranhos desde o ano passado, e Estela havia recebido ameaças
pelo telefone.
Em 22 de agosto, Atilano Segundo Pérez, ex-deputado e radialista do departamento
de Bolívar foi baleado duas vezes por um homem em frente da sua esposa
e um de seus filhos. Atilano Segundo Pérez Barrios foi deputado da Assembléia
de Bolívar entre 1995 e 1997. Foi também vereador de Marialabaja,
e há quatro anos se dedicava ao rádio na Todelar. No programa
“Diario de Marialabaja”, Atilano Pérez denunciava o governo
local e os problemas da comunidade. Os motivos do crime ainda são desconhecidos.
O congressista Julio Gallardo Archbold afirmou que “alguns jornalistas
parecem ser pistoleiros morais”. As declarações foram feitas
depois que vários meios de comunicação criticaram a suposta
compra irregular de laptops para os congressistas quando Gallardo era presidente
da Câmara dos Deputados.
No final de agosto, a SIP e a Associação de Jornais Colombianos
(Andiarios) pediram à procuradoria-geral da Colômbia e às
autoridades do departamento de Magdalena que dessem as garantias necessárias
ao diretor do jornal Hoy Diario del Magdalena, Ulilo Acevedo Silva, que havia
sido obrigado a abandonar o país por causa de ameaças.
Acevedo denunciou em um editorial publicado em 25 de agosto ter recebido ameaças
de morte e ter conhecimento de um plano para um ataque às instalações
do jornal. Explicou também que o conflito ocorreu “devido às
denúncias do jornal contra o reitor da Universidade de Magdalena, Carlos
Eduardo Caicedo Omar”. Os artigos, segundo o jornalista, levaram à
captura e prisão do funcionário pela procuradoria-geral, acusado
de irregularidades nas suas funções como funcionário público.
Em carta à SIP, o reitor negou estar envolvido nas ameaças ou
planos para agredir Acevedo e seu jornal.
Em setembro, um juiz de Bogotá indeferiu o processo contra a revista
SoHo por insultos a símbolos religiosos, injúria e calúnia,
e encerrou todos os trâmites contra a revista. O caso começou depois
que SoHo publicou uma representação de A última ceia, de
Leonardo da Vinci, com uma modelo nua cercada de políticos.
Quatro anos depois do assassinato
do jornalista Orlando Sierra, subdiretor do jornal La Patria, de Manizales,
a promotoria ordenou uma audiência para ouvir uma “versão
livre” de Ferney Tabasco, ex-presidente da assembléia de Caldas,
cujo nome foi mencionado há mais de um ano por três testemunhas
como suposto responsável pela morte do jornalista.
A Unidade de Direitos Humanos
em Bogotá reabriu os casos de Carlos Lajud Catalán e Gustavo Ruiz
Cantillo, que haviam sido suspensos. Os processos foram transferidos de Barranquilla
e Santa Maria, respectivamente.
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