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EQUADOR
Reunião de Meio de Ano
Quito, Equador
17 a 20 de março de 2006
O clima de
liberdade de expressão e imprensa no Equador em termos gerais continua
melhorando, embora as instituições do Estado ainda não
tenham podido normalizar completamente seu funcionamento, e de uma tentativa
legislativa, que felizmente não avançou, de aprovar uma lei que
poderia prejudicar o trabalho jornalístico.
Em 29 de novembro de 2005
tomaram posse os 31 novos magistrados do Supremo Tribunal de Justiça,
após um processo de seleção liderado por uma comissão
examinadora, inspetorias nacionais e internacionais, destacando-se as da ONU
e OEA.
Os dois tribunais supremos
anteriores foram acusados de serem manipulados politicamente e de terem hipotecado
a segurança jurídica dos equatorianos, entre eles a imprensa.
Como exemplo, vale a pena recordar a sentença de condenação
por delito de injúrias contra Rodrigo Fierro, colunista de El Comercio,
processado por um ex- presidente da república e influente político,
o qual foi tramitado em tempo recorde.
A reinstalação
dos novos magistrados ?depois de mais de sete meses sem Supremo Tribunal? é
o fato de maior importância deste período.
Embora a Constituição
garanta a liberdade de imprensa, expressão e informação,
e não contemple como limitadora a afiliação obrigatória
dos jornalistas, o Congresso Nacional não cumpriu ainda sua obrigação
de anular a disposição legal que obriga os jornalistas a se afiliarem.
Em 14 de fevereiro, foi
assassinado o fotógrafo independente Saúl Suárez Sandoval,
que colaborava com os jornais La Hora Durandenã e La Prensa de Durán,
na província del Guayas. Ainda não se comprovou que a atividade
jornalística das vítimas tivesse vinculação com
seus assassinatos.
Os fatos mais importantes
desse período incluem o seguinte:
Em 5 de outubro de 2005
o repórter Víctor Eladio Murillo Robalino e a fotógrafa
María del Pilar Vera del Pozo do jornal El Telégrafo de Guayaquil
denunciaram ao Ministério Público que foram agredidos física
e verbalmente por guardas da Penitenciaría del Litoral, que também
os detiveram e confiscaram seu material. O fato ocorreu quando fotografavam
o exterior da prisão e foram interceptados por um guarda penitenciário.
Os jornalistas responsabilizaram o diretor da prisão, Carlos Tamayo,
que apoiou a detenção.
Como podem se lembrar, em
22 de julho de 2004 o presidente do Supremo Tribunal de Quito determinou ordem
de prisão contra o ex–presidente Lucio Gutiérrez, aceitando
um processo do então ministro do Governo, que acusou o ex–primeiro
magistrado de atentar contra a segurança nacional, ao atribuir-se as
funções de Presidente da República e apresentar-se como
tal, quando já não o era, em uma entrevista na CNN.
De acordo com a Constituição,
um ex–presidente somente pode ser julgado pelo Supremo Tribunal de Justiça
após um julgamento político no Congresso Nacional. Nenhum desses
requisitos foi cumprido.
Gutiérrez regressou
ao país em 14 de outubro de 2005 e foi detido. Neste dia, forças
militares impediram que os jornalistas tivessem acesso ao aeroporto de Manta,
província de Manabí, local de regresso do ex-presidente ao país.
Em 3 de março de
2006 o presidente do Tribunal Superior de Pichincha ordenou finalmente a liberação
do ex-mandatário ao considerar que não havia base legal para seu
julgamento.
Na metade de outubro de
2005, a cadeia de televisão Ecuavisa apresentou uma queixa à Superintendência
de Telecomunicações pela interrupção de sinal para
os assinantes da companhia TV Cable na ocasião em que o apresentador
do programa ´´Contacto Directo´´, Carlos Vera, respondia
a várias críticas feitas pelo deputado e ex–presidente León
Febres-Cordero. A companhia de TV a cabo apresentou provas técnicas às
autoridades de controle para explicar as causas do corte e de acordo com elas,
o corte não teria relação com o conteúdo ou a transmissão.
A empresa foi entretanto punida pelo órgão de controle por que
não foi a primeira vez que isso aconteceu.
Em 14 de novembro de 2005, o deputado Alfonso Harb do Partido Social Cristão,
acusou o diretor da rádio La Luna de irregularidades nos contratos comerciais
de sua emissora de rádio com o Governo. Harb disse que tinha “as
primeiras provas de vários milhares de dólares que ligam o Governo
à rádio La Luna”. Paco Velasco tem atualmente proteção
especial da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização
dos Estados Americanos, após o jornalista ter denunciado várias
ameaças de morte contra ele.
Em 30 de novembro de 2005,
o Congresso aprovou em segundo turno uma reforma do Código Penal proposta
pelo deputado do Partido Social Cristão Alfondo Harb que pretendia penalizar
com prisão de seis meses a um ano e multa de até mil dólares
aqueles que divulgassem conversas telefônicas com terceiros sem seu consentimento
por escrito.
Em 7 de dezembro, a Associação
Equatoriana de Editores de Jornais (Aedep) solicitou publicamente ao presidente
Alfredo Palacio que vetasse o projeto. A Aedep observou que o texto era tão
vago que poderia haver a interpretação de que um jornalista que
difundisse uma entrevista gravada estaria cometendo um crime. O Código
Penal atual penaliza a interferência não consentida de ligações
telefônicas, para o que não se necessita um texto adicional.
Em 29 de dezembro o Executivo
vetou a lei.
Em 21 de fevereiro de 2006
o Congresso Nacional reformou a Lei de Controle dos Gastos Eleitorais. Durante
o debate, propôs-se no Parlamento a obrigatoriedade de que os canais de
televisão cedessem espaços gratuitos de sua programação
aos candidatos presidenciais, porém o texto final excluiu tal disposição
e alocou o custo desses espaços ao orçamento estatal.
Em 21 de fevereiro de 2006
o governo declarou o Estado de Emergência na província de Napo
por ocasião da greve provincial que paralizou as exportações
de petróleo cru. No decreto incluiu-se de maneira explícita a
suspensão das garantias constitucionais relacionadas com a liberdade
de expressão e de imprensa.
Em 22 de fevereiro um partido
político denominado Movimento Popular Democrático (MDP) convocou
na cidade de Esmeraldas uma marcha liderada pelo prefeito e a subprefeita, também
desse partido, que juntou cerca de 4.000 pessoas e que protestaram contra os
meios de comunicação dessa cidade. Na marcha o prefeito e a subprefeita
agrediram verbalmente contra os meios. Com relação a isso, a prefeitura
abriu investigações contra 4 indivíduos que teriam sido
contratados por funcionários da prefeitura, para distribuir panfletos
contra os meios locais e seus proprietários
Em dezembro, o deputado
Simón Bustamante apresentou uma demanda penal por injúrias e calúnias
contra Angel Loor, diretor do jornal La Hora de Manabí, na qual o acusa
de coletar declarações, segundo ele injuriosas, feitas por outro
cidadão que nada tem a ver com este meio de comunicação.
Em 7 de março foi declarado Estado de Emergência nas províncias
de Napo, Orellana e Sucumbíos para combater uma nova greve, esta vez
de trabalhadores terceirizados de produção de petróleo
que ocuparam instalações petrolíferas. O decreto ainda
não foi publicado no Registro Oficial e não se pôde estabelecer
se o mesmo incluiu a suspensão das liberdades de expressão e de
imprensa.
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