|
HONDURAS
Relatório para a 62a Assembléia Geral
Cidade do México, México.
29 de setembro a 3 de outubro de 2006
Vislumbram-se nuvens pesadas
no horizonte da liberdade de imprensa no país por causa das restrições
impostas pelo governo.
O presidente Manuel Zelaya
usa uma retórica pouco amistosa quando se refere aos meios de comunicação,
acusando-os de exagerarem os erros do governo e de minimizarem seus acertos,
de promoverem uma imagem de insegurança maior que a verdadeira, e, em
geral, de serem abertamente contrários ao seu governo.
Não ocorreram até
agora ataques diretos por parte do presidente, a não ser quando parodiou
em público o slogan do jornal El Heraldo, “Uma verdade nas suas
mãos”, como reação a matérias sobre corrupção
no governo.
Vários insultos a
“grupos de poder” têm sido feitos, e o pessoal do governo
afirma, de forma privada, que se referem a donos de meios de comunicação,
mas nem o presidente nem seus assessores próximos explicam ou esclarecem
esses insultos. Isso faz com que se multipliquem as insinuações
contra os meios, o que cria um ambiente desconfortável para o exercício
do jornalismo.
Os principais acontecimentos
deste período são:
Em 26 de abril, o presidente
disse que “Não sou fantoche de poderosos nem de meios de comunicação”.
Em 25 de maio, reclamou do modo como é tratado pela imprensa, disse que
a imprensa “deve ser mais positiva” e pediu que os diretores de
meios e jornalistas “aprofundem o jornalismo investigativo, e que além
de críticas devemos falar das coisas positivas que nós, hondurenhos,
possuímos”.
Em 22 de agosto, acusou
os meios de comunicação de causarem ansiedade no país com
as informações sobre atos violentos, e no dia seguinte acusou
os meios de sensacionalismo e de “atacarem” o ministro de Segurança.
Em 9 de setembro, a modelo
Ana Muñoz moveu ação por difamação e calúnia
contra o dono do jornal La Tribuna, Carlos Flores, e o editor da seção
“Extra Entretenimiento” do mesmo jornal, Miguel Caballero Leiva.
Flores foi liberado do caso por um tribunal, e em 26 de setembro Caballero participou
de uma audiência de conciliação para evitar julgamento oral
e público.
O jornalista Aníbal
Barrow foi considerado culpado pelos crimes de difamação e calúnia
em uma ação movida pela também jornalista Roxana Guevara.
O julgamento para emissão de sentença ainda não foi realizado.
Em 4 de setembro, o jornalista
Ernesto Rojas, do programa “San Pedro Sula de Noche”, transmitido
pela Rádio San Pedro, foi processado por Guillermo Villatoro Hall, membro
do conselho municipal.
Nesse mesmo dia, em Tegucigalpa,
foi processado o jornalista Francisco Romero do programa “Hablemos de
Noche” de Hondured, por Yansen Juárez, coordenadora nacional de
programas e projetos do Ministério de Educação Pública.
Em 1º de agosto, a
jornalista Fanny Velásquez e o cinegrafista Geovanny Méndez, do
noticiário “TVC”, da Corporación Televientro, foram
agredidos verbal e fisicamente pelo diretor de Medicina Pediátrica do
hospital Materno Infantil, Guillermo Villatoro, quando tentavam obter informações
para uma matéria no hospital.
O presidente do Congresso,
Roberto Michelleti, anunciou que o terceiro e último debate sobre a Lei
de Transparência e acesso a informações públicas
será realizado na primeira semana de outubro.
Perguntas
ou Comentários? escreva-nos
© 1999 Sociedade
Interamericana de Imprensa. Todos os direitos reservados.
|