NICARÁGUA
Reunião de Meio de Ano
Quito, Equador
17 a 20 de março de 2006


Nesse período, várias agressões e discussões envolvendo jornalistas afetaram a liberdade de imprensa.

Rogers Camilo Argüello, juiz do Supremo Tribunal de Justiça, insultou Eloísa Ibarra, jornalista do El Nuevo Diario, e sua família, ao reagir a publicações que o haviam incriminado no desvio de 609 mil narcodólares confiscados pela polícia. Ao ser abordado por jornalistas, e diante da falta de argumentos para se defender das acusações, Argüello reagiu com fortes agressões verbais contra Ibarra e Mirna Velásquez, jornalista do La Prensa.

Ibarra entrou com processo por injúria contra Argüello, que pouco depois entregou uma carta à Assembléia Nacional durante o período do seu recesso parlamentar de fim de ano. Em sua carta pública, Argüello renunciava à sua imunidade parlamentar e pedia desculpas à jornalista.

Leyla Bucargo, de quem supostamente os narcodólares haviam sido confiscados, e Julissa Bonilla, uma juíza que havia sido suspensa pelo mesmo Tribunal Superior pelo escândalo dos 609 mil dólares, entraram com processo contra Ibarra por injúria e calúnia, o que foi considerado pelos meios da imprensa como uma perseguição organizada contra a jornalista.

Em 23 de fevereiro, cerca de 250 simpatizantes de Alvaro Chamorro Mora, prefeito sandinista da cidade de Granada, situada a 45 km de Manágua, dirigiram-se para a capital do país e ocuparam por mais de uma hora as instalações do La Prensa. Exigiram uma reunião com os diretores do jornal e pediram que parassem de publicar informações do seu correspondente sobre supostas irregularidades na prefeitura de Granada.

A agressão verbal e física para impedir a cobertura jornalística repetiu-se nessa mesma cidade quando a correspondente Arlen Cerda e o fotógrafo Guillermo Flores compareceram à sessão na qual supostos funcionários da prefeitura que cercavam o prefeito insultaram a correspondente e agrediram Flores, que os enquadrava com sua câmara para uma foto.

O correspondente do La Prensa em Siuna, na Região Autônoma do Atlântico Norte, José Garth, também foi perseguido devido a seus artigos, nos quais denunciava supostos atos de corrupção por parte das autoridades municipais e judiciais.

A Comissão de Justiça da Assembléia Nacional não deu seguimento à tramitação da Lei de Acesso a Informação, conforme havia prometido no ano passado.

Finalmente,o recurso por inconstitucionalidade da lei apresentado perante o Supremo Tribunal de Justiça contra a Lei 372 (Lei de Criação do Colégio de Jornalistas da Nicarágua) continua pendente. O presidente do Colégio informou que muitos jornalistas não se inscreveram no Colégio e que por isso abriram uma segunda etapa para inscrição.


 


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