PANAMÁ
Reunião de Meio de Ano
Quito, Equador
17 a 20 de março de 2006


As ações penais continuaram sendo utilizadas neste período como forma de perseguição judicial a jornalistas. Cerca de 15 processos por calúnia e por injúria ainda estão pendentes, e a estes somaram-se três novos processos nos últimos seis meses.

A SIP realizou em 13 e 14 de fevereiro passado um workshop e uma conferência para advogados e legisladores sobre as leis de liberdade de imprensa no Panamá. Discutiu-se a despenalização da calúnia e da injúria, a nova estrutura sob a recém-implementada lei de resposta, a evolução da lei de acesso a informação e assuntos relativos à proteção das fontes.

Houve consenso de opiniões quanto a vários tópicos, e foram levantados alguns pontos fundamentais para a reforma dos crimes contra a honra e para o esclarecimento da nova legislação sobre o direito de resposta, tendo sempre em mente o acordado em convenções assinadas pelo país dentro do sistema interamericano de direitos humanos. Apesar da melhoria no acesso a informação pública, o governo demonstra ter ainda uma cultura de sigilo, e recomendou-se reforçar cláusulas na lei que obriguem os funcionários a ter uma atitude de maior colaboração.

A estrutura jurídica referente à nova lei de resposta continua imprecisa e vaga, sem que se tenha uma identificação nítida nem mesmo do foro correto para iniciar ações, o que não contribui para o exercício do jornalismo livre.

A pedido do poder Executivo, mas com pouca consulta pública, uma comissão está atualmente trabalhando em uma revisão do Código Penal panamenho. Durante a conferência, o presidente da Assembléia Legislativa mencionou várias soluções que estão sendo consideradas sobre o crime contra a honra, tal como um sistema de multas interpostas pelo Ministério Público, mas não propriamente a despenalização.

Nos últimos seis meses, as ações penais continuaram sendo utilizadas como forma de perseguição judicial a jornalistas. Cerca de 15 processos por calúnia e injúria estão pendentes, três deles iniciados nos últimos seis meses. Considerando-se a experiência acumulada nos últimos anos, tem-se pouca esperança de que esses jornalistas obtenham uma defesa objetiva.

Continua pendente um dos casos mais famosos, no qual uma informação comprovadamente verdadeira e apresentada de forma equilibrada, com amplo espaço para que os envolvidos apresentassem justificações ou fizessem esclarecimentos, deu margem para que um meio fosse ameaçado de ter seus bens seqüestrados e um jornalista tivesse seu salário confiscado. O autor da ação é um juiz do Supremo Tribunal que demonstrou usar seu cargo para influenciar o processo judicial, impedindo o andamento do processo.


 

 


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