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PARAGUAI
Reunião de Meio de Ano
Quito, Equador
17 a 20 de março de 2006
Este período
caracterizou-se pela continuação das agressões e ameaças,
a incapacidade ou desinteresse do Governo em oferecer garantias para o exercício
seguro e livre do jornalismo e o estabelecimento de uma nova dinâmica
na relação governo-imprensa.
Um caso grave foi o desaparecimento
do jornalista de rádio Enrique Ramón Galeano, apresentador de
programas nas emissoras de rádio de Yby Yaú, 350 Km ao norte de
Assunção, ocorrido em 4 de fevereiro passado. Galeano já
tinha recebido ameaças de morte anteriormente por denunciar em seus programas
irregularidades em sua área, inclusive o narcotráfico, e esteve
sob proteção policial.
Entidades jornalísticas de direitos humanos reclamaram sobre negligência
nas investigações policiais e da promotoria. Também foi
grave o atentado de 27 de fevereiro sofrido pelo jornalista Juan Augusto Roa,
correspondente do jornal Abc Color na cidade de Encarnación, 370 Km ao
sul de Assunção, quando dois desconhecidos atiraram contra seu
carro, fugindo em seguida em uma motocicleta. O jornalista não foi atingido
pelas balas, porém em seu carro ficaram os vestígios do violento
ataque.
Em 28 de outubro, durante uma manifestação política, participantes
do movimento liderado pelo ex– general Lino Oviedo, que se encontra preso,
empurraram e golpearam o repórter do jornal Popular, Carlos Delgado González,
quando lhe retiraram a câmara fotográfica.
Em 1°de novembro Néstor
Ojeda Mendoza, correspondente do jornal Última Hora na cidade de Coronel
Oviedo, localizada no centro da região leste do país, foi agredido
com empurrões e golpes por um grupo de exploradores de jogos de azar
e apostas.
Em 3 de novembro dois jornalistas
foram golpeados em um confronto entre policiais e médicos e enfermeiros
que faziam uma manifestação em frente ao Congresso Nacional.
Em 20 de novembro Antonio
Caballero, correspondente do jornal Abc Color em San Juan Nepomuceno, localidade
do departamento de Caazapá, foi ameaçado de morte depois da publicação
de denúncias de má administração de fundos públicos.
Ganha força no Congresso
um eventual entrave ao trabalho da imprensa. Trata-se de um projeto de lei que
pretende regular "o acesso à informação pública".
A proposta faz referência específica às informações
geradas nos gabinetes do Estado ou nas instituições públicas
em geral. A Sociedade Interamericana de Imprensa viu neste projeto uma perigosa
tentativa de restringir o livre acesso e a divulgação de informações
oficiais.
Em 30 de novembro um grupo
de cinco jornalistas ficou preso em um elevador durante cerca de duas horas,
por ordem do proprietário de um edifício no centro da Cidade do
Leste, onde se realizava um mandado de busca judicial. O caso mereceu uma breve
investigação da promotoria, que não foi levada adiante.
Em 20 de dezembro o jornalista
Celso Sosa, ex-diretor do jornal Crónica, foi detido por causa de um
processo judicial originado em 2001. Foi precisa a ativa intervenção
de jornalistas e de representantes da SIP para conseguir que Sosa, homem de
extensa trajetória e que sofre de problemas de saúde, continue
o processo judicial em liberdade.
Em 28 de dezembro o Supremo
Tribunal de Justiça ratificou a condenação por difamação
contra o diretor do jornal Abc Color, Aldo Zuccolillo. O processo foi apresentado
pelo influente senador do partido do governo, Juan Carlos Galaverna. Dias antes,
pelo menos três dos nove ministros integrantes do Tribunal participaram
das festividades de aniversário do senador demandante, o que foi documentado
pela imprensa. De acordo com a sentença, Zuccolillo deverá pagar
cerca de US$ 200.000 como indenização e este declarou que recorrerá
à Corte Interamericana de Direitos Humanos.
Em 9 de janeiro o dirigente
do Partido Liberal Radical Auténtico (de oposição), Amelio
Sisco, ameaçou o fotógrafo do jornal Vanguardia, da Cidade de
Leste, enquanto detonava explosivos, durante uma manifestação
contra o governador do departamento de Alto Paraná.
Em 16 de janeiro o correspondente
do jornal Abc Color na localidade de San Juan Nepomuceno, departamento de Caazapá,
Antonio Caballero, foi ameaçado de morte por um homem chamado Edgardo
Arrúa, que faz parte de uma entidade estatal denominada "Guardia
Ciudadana". O que irritou Arrúa foram publicações
feitas por Caballero sobre supostas detenções ilegais e torturas
executadas pela "Guardia Ciudadana".
Em 21 de janeiro o influente
senador governista Juan Carlos Galaverna ?figura bastante próxima ao
Presidente da República? atacou publicamente o dono do jornal Ultima
Hora, Antonio J. Vierci. Em declarações no rádio e em direta
alusão a Vierci, Galaverna disse que os diretores de comunicação
estão envolvidos com o contrabando, a falsificação e a
evasão de impostos.
Em 24 de janeiro o jornalista
de Paraguarí, capital do departamento do mesmo nome, Catalino Ibarra,
foi ameaçado por um empresário da região. Notícias
sobre as irregularidades em negócios entre uma empresa privada de Paraguarí
e o Ministério de Justiça e Trabalho são o motivo desta
ameaça.
Em 26 de janeiro Daniela
Candia, jornalista do Sistema Nacional de Televisão (SNT-canal 9), denunciou
uma agressão protagonizada supostamente por um grupo de seguidores de
um dos candidatos à presidência do partido colorado.
Candia informou que cerca de 100 "stronistas" (simpatizantes do ex–presidente
Alfredo Stroessner deposto em 1989) cercaram sua residência e tentaram
ameaçá-la com gritos e cantorias.
Em 27 de janeiro o advogado
do jornal La Nación, Aníbal Aguayo, recebeu ameaças de
morte em sua residência depois de ter seu carro atacado por desconhecidos.
Em 1° de fevereiro o
ex-prefeito da cidade brasileira de Coronel Sapucaia, na fronteira com a cidade
paraguaia de Capitán Bado, 450 Km ao norte de Assunção,
Eurico Mariano, foi detido pela polícia brasileira como o suposto autor
intelectual do assassinato do jornalista de rádio Samuel Román,
ocorrido em 20 de abril de 2004. O detido, depois de ser preso, foi transferido
para a penitenciária da cidade brasileira de Dourados.
Em 13 de fevereiro uma ligação
anônima avisou sobre a iminente explosão de uma bomba no prédio
do jornal La Nación. Um homem entre 30 e 40 anos falou com a recepção
nestes termos: "Pelas estupidezas que estão publicando, vamos fazer
todos voarem". Os jornalistas e funcionários da empresa tiveram
que sair do prédio para permitir a ação da polícia
especializada. A ameaça coincide com a publicação de documentos
e reportagens referentes ao rápido enriquecimento do Presidente da República,
seus parentes e colaboradores mais próximos.
Em 17 de fevereiro o promotor
eleitoral Carmelo Caballero solicitou à sua colega Teresa Sosa Laconich
que convoque para declarações Mina Feliciángeli, diretora
da rádio Mil ; Edgardo Wasmosy, diretor da rádio Uno; Jorge López
Moreira, diretor da rádio Cardinal; Juan Carlos Bernabé, diretor
da rádio Nanawa e Alejandro Domínguez Wilson-Smith, diretor da
rádio 9.70 AM e do jornal La Nación. Trata-se de um passo anterior
à imputação. O motivo foi a suposta divulgação
de publicidade eleitoral por mais tempo do que o disposto pela lei. O procedimento
continha muitas irregularidades, pois não foram cotejados os registros
da promotoria feitos a cada uma das rádios mencionadas. Além disso,
a citação foi feita dois dias antes das eleições
internas do partido do governo – para as quais concorria o Presidente
de la República – e foi dirigida aos diretores de rádios
que mantiveram muitas vezes posições críticas à
administração do governo.
Em 19 de fevereiro em uma
entrevista publicada pelo jornal Última Hora precisamente no dia das
eleições internas de seu partido, o Presidente da República,
Nicanor Duarte Frutos, emite uma opinião que reflete uma preocupante
inclinação: "Nenhuma liberdade é ilimitada. O Poder
Político é limitado pela Constituição e leis; o
poder da mídia também deve ser limitado, ou então cairia
facilmente na tirania... muitos compram meios porque estão fascinados
com a liberdade de imprensa ou querem a consciência limpa e lúcida
do país, mas, por favor!".
Em 21 de fevereiro a casa
de Nelson Noguera, jornalista de rádio da cidade de Quiindy, departamento
de Paraguarí, foi atacada por garrafas e pedras atiradas por um grupo
de simpatizantes da candidatura do Presidente da República, Nicanor Duarte
Frutos, à presidência do partido colorado.
Em 24 de fevereiro uma publicação
que o vinculava a suspeitos de uma tentativa de roubo a um banco gera uma enérgica
reação do Presidente da República, Nicanor Duarte Frutos.
O mandatário sugeriu ao proprietário do jornal a demissão
do jornalista: "Se eu fosse o dono (do jornal) diria (ao jornalista): ´Você
vai sair por incompetência, por ser um inútil".
Além disso, Duarte
aproveitou a oportunidade para insistir em sua idéia, já enunciada
anteriormente, de colocar limites à imprensa. "...há necessidade
de uma crítica profunda da imprensa, o papel dos meios, a função,
as limitações, porque todo poder que não tem limites acaba
sendo uma tirania... se o poder da mídia não tem uma fronteira,
não tem uma censura própria, uma visão compartilhada daqueles
que a integram, também pode acabar em abuso e em tirania".
Em 25 de fevereiro o policial
Ever Cantero, filho do chefe de polícia do departamento de Alto Paraná,
emitiu por meio de uma emissora de rádio da Cidade do Leste ameaças
diretas contra jornalistas da região. A correspondente do jornal La Nación
na cidade, Mariana Ladaga, denunciou as graves ameaças à promotoria.
A cumplicidade de policiais com conhecidos delinqüentes foi uma notícia
difundida nesse período.
Em 7 de março dois
ex– funcionários da Controladoria-geral da República, Juan
Antonio Cristaldo e Atilio Perazzo, apresentaram um processo judicial contra
o diretor do jornal Abc Color, Aldo Zucolillo; um jornalista deste meio e assessores
técnicos. O caso refere-se a informações divulgadas sobre
ações ilícitas na contratação de empresas
construtoras para obras em vários trechos de diferentes estradas. Fotografias,
documentações e testemunhos apóiam as reportagens. Cristaldo
e Perazzo, ex-integrantes de um organismo controlador do Estado, buscam agora
a proteção da Justiça, a qual ultimamente tem se mostrado
muito favorável ao poder político e às empresas ligadas
a contratos públicos.
Foi reativado no Congresso
um projeto de lei de acesso à informação que foi aprovado
pela Câmara dos Deputados e atualmente se encontra em consideração
pelo Senado.
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