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PARAGUAI
Relatório para a 62a Assembléia Geral
Cidade do México, México.
29 de setembro a 3 de outubro de 2006
A liberdade
de imprensa continua sendo atacada no país, com constantes ameaças
e violência contra jornalistas e vários processos por difamação
contra jornalistas e meios, que restringem o exercício da profissão.
Um dos fatos que continua
comovendo a comunidade jornalística é a falta de esclarecimento
do caso do jornalista Enrique Galeano, que desapareceu em 4 de fevereiro de
2006 em Iby Yaú, departamento de Concepción, norte do país.
O caso despertou o interesse das organizações de imprensa, meios
e jornalistas, que organizaram protestos exigindo que as autoridades aprofundem
as investigações sobre o desaparecimento.
No campo jurídico,
a Câmara dos Deputados arquivou definitivamente em 30 de agosto o projeto
de lei de acesso a informações públicas que continha cláusulas
que contradiziam os princípios de liberdade de expressão. Anteriormente,
em 2 de junho, o Senado havia recusado o projeto por considerá-lo inconstitucional.
Em 26 de maio, foi apresentado
à Câmara dos Deputados um projeto de lei que restringe a transmissão
de “imagens e determinados testemunhos gráficos” que, a critério
dos autores, possam afetar “os sentimentos de piedade e respeito pelos
mortos, feridos e vítimas” de crimes, acidentes e desastres naturais.
A idéia é proteger a intimidade das pessoas e combater a exploração
comercial de imagens consideradas mórbidas. O projeto deixa a critério
do Poder Executivo a aplicação da lei, e as infrações
seriam penalizadas com multas altas. A SIP manifestou sua preocupação
com este projeto, que poderia resultar em censura prévia e afetar a liberdade
de expressão.
Em 29 de junho, o Centro
pela Justiça e Direito Internacional formalizou uma denúncia contra
o governo paraguaio pela violação da liberdade de expressão
perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos, devido à sentença
que obriga que o jornal ABC Color pague 1,2 bilhão de guaranis (mais
de US$200.000) ao senador Juan Carlos Galaverna, do partido do governo, pelo
suposto crime de difamação.
Outros fatos que afetaram
a liberdade de imprensa neste período:
Em 19 de março, Higinio
Ruiz Díaz, correspondente do jornal ABC Color em San Antonio foi processado
pelo presidente do Conselho de Saneamento da cidade, Gabriel Medina. Medina
havia sido questionado sobre a falta de transparência na sua gestão
da instituição.
Em 23 de março, Asunción
Caballero, repórter gráfico do jornal Vanguardia, de Ciudad del
Este, foi agredido por um grupo de taxistas e pelo pré-candidato liberal
a vereador da cidade, Ceferino Samudio. Caballero cobria nesse momento o fechamento
da Ponte da Amizade, que une essa cidade a Foz de Iguaçu, Brasil.
No final de maio, o jornalista
de rádio e televisão da zona de Carapeguá, Reinaldo Ganoso
Conteiro, denunciou perante à procuradoria regional ter sido ameaçado
de morte por um homem chamado González. Ganoso havia abordado várias
vezes em seu programa a preocupante poluição ambiental causada
pela atividade de curtumes e outras indústrias na região. Acrescentou
que políticos locais haviam tentado amedrontá-lo várias
vezes.
Em 8 de maio, o correspondente
do ABC Color na cidade de Curuguaty foi absolvido na ação movida
pelo empresário madeireiro Milciades Avila pelo suposto crime de difamação
e calúnia.
Em 20 de maio, Nicolás
Sotelo, famoso radialista de San Juan, departamento de Itapúa, foi absolvido
em ação movida pelo governador da cidade pelos supostos crimes
de injúria e difamação. O caso chegou até a fase
de julgamento oral.
No final de maio, o jornal
regional TN Press, de Ciudad del Este, foi alvo de um atentado no qual desconhecidos
dispararam várias vezes contra a fachada do jornal. Dias antes, o jornal
havia publicado denúncias documentadas de corrupção dentro
da polícia da região. As publicações resultaram
inclusive na demissão de vários policiais que ocupavam cargos
altos.
No início de julho,
o correspondente do ABC Color em Curuguaty, Pablo Medina (irmão do jornalista
assassinado Salvador Medina), foi vítima de uma campanha de intimidação
através de chamadas telefônicas anônimas. Supõe-se
que o motivo tenha sido a reabertura do caso do seu irmão.
Em 5 de julho, os diretores
das rádios 1.000, Cardinal, UNO e AM 9.70 foram liberados pelo juiz Oscar
Delgado em um processo por crimes eleitorais. O tribunal encerrou o processo
penal, mas determinou a doação a entidades de beneficência
de valores entre 10 e 12 milhões de guaranis (mais de US$2.000.000) em
minutos de publicidade. A promotoria havia recusado a ação por
não encontrar fundamentos para perseguição penal, o que
não impediu que se imputasse uma sanção.
Em 6 de julho, um membro
da escolta pessoal do presidente da República ameaçou e insultou
a jornalista do La Nación, Francisca Pereira, depois que ela conseguiu
passar pela guarda do presidente e entrevistá-lo rapidamente.
Em 17 de julho, Luis Ruiz
Díaz, jornalista do semanário Hechos, de Pedro Juan Caballero,
fronteira com o Brasil, apresentou uma denúncia perante a procuradoria
por ameaças de morte, depois de divulgar informações sobre
os principais traficantes da região.
Em 6 de agosto, o governador
de Amambay, Roberto Acevedo, expulsou de forma prepotente do palácio
do governo Luciano Cárdenas e Raúl Ortiz, jornalistas do canal
de televisão a cabo Frontera, de Pedro Juan Caballero, cidade que faz
fronteira com o Brasil. O canal havia feito críticas à sua administração.
Um tribunal ratificou a
condenação a um ano de prisão por calúnia contra
o ex-jornalista do jornal ABC Color, Enrique Dávalos. O processo foi
aberto pela também jornalista Mabel Rehnfeldt, que trabalha no referido
meio. O caso foi resultado da divulgação da gravação
de uma conversa entre Dávalos e outra pessoa na qual o jornalista insinuava
que Rehnfeldt havia aceitado um suborno. Dávalos terá que pagar
também cerca de 30.000.000 guaranis (mais de US$5.800) para indenização.
Em 10 de agosto, os diretores
do jornal Popular, Edgardo Wasmosy e Javier Pirovano, foram absolvidos na ação
por difamação e calúnia movida pelo líder político
da oposição e ex-general, Lino César Oviedo. A sentença
do juiz esclarece, entretanto, que existiu crime, mas que a ação
foi movida contra pessoas que não eram responsáveis por ele.
Em 31 de agosto, Oscar Florentín,
repórter gráfico do TN Press, jornal regional de Ciudad del Este,
foi agredido por suboficiais de polícia quando tentava tirar fotos de
uma vítima de um assalto.
Continua a pressão
nos tribunais contra o jornal La Nación em um processo para pagamento
de um prêmio em uma promoção de 1996. Nas instâncias
judiciais anteriores demonstrou-se fraude cometida contra o jornal La Nación
nesse caso, com a cumplicidade do demandante e um técnico de informática
que tinha acesso aos programas de promoção. Esse caso está
ligado a um ajuste de contas relativo a denúncias que o La Nación
publicou sobre casos de corrupção entre altos funcionários
dos Poderes Executivo e Judiciário.
Em 18 de setembro, Nancy
Oviedo, jornalista do Canal 8 de televisão de Villarrica, departamento
de Guairá, denunciou ameaças de morte ao promotor Carlos Alvarenga.
O fato tem ligação com matérias publicadas pela jornalista
sobre um roubo em que estaria envolvido um parente dos acusados.
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