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PERU
Reunião de Meio de Ano
Quito, Equador
17 a 20 de março de 2006.
A situação
da liberdade de expressão e de imprensa foi afetada, neste período,
pela efervescência e pelas tensões da intensa campanha eleitoral
presidencial cujo primeiro turno será em 9 de abril. É a primeira
vez que vinte e dois candidatos aspiram à presidência da República
e que quase três mil candidatos disputam vagas no Congresso, o que dificulta
a cobertura jornalística.
Devemos destacar os resultados
da campanha realizada pela Sociedade Interamericana de Imprensa e pelo Conselho
da Imprensa Peruana para que o assassinato do jornalista Alberto Rivera Fernández
não fique sem punição. Em 7 de fevereiro, uma missão
conjunta formada por jornalistas de diversos meios visitou a cidade de Pucallpa
para participar da leitura da sentença do primeiro julgamento do Tribunal
Superior de Ucayali.
As penas impostas a alguns
implicados no caso, que vão de 25 a 30 anos de prisão, serão
um ótimo exemplo para outros casos. Continua pendente o segundo julgamento
da mesma causa, que foi reiniciada em março e cujo objetivo é
esclarecer quem foram os mandantes do assassinato. Estão envolvidos nesse
processo o prefeito de Coronel Portillo, Luis Valdez Villacorta; o ex-presidente
e atual vogal da Vara Civil do Tribunal de Ucayali, Solio Ramírez Garay;
o intermediário Alex Panduro Ventura e o pistoleiro Lito Fasabi Pizango.
Em 14 de dezembro de 2005,
o Tribunal Superior de Ancash condenou a 17 anos de prisão o prefeito
de Yungay, Amaro León León, como mandante do assassinato do radialista
Antonio De la Torre Echeandía, morto em 14 de fevereiro de 2004. A mesma
sentença foi emitida para seus cúmplices, Pedro Ángeles
Figueroa e Antonio Torres Camones. Ainda não foram emitidas sentenças
contra a filha do prefeito, Emma León, e seu cúmplice, Moisés
David Julia, acusados de planejar o assassinato. Foram expedidos mandados de
prisão para os dois, que também estão impedidos de sair
do país.
Uma denúncia preocupante
é a do jornalista César Hildebrant, apresentador do programa “Hoy
con Hildebrant”, transmitido pelo Canal 2. Ele atribui sua saída
inesperada da emissora, no início de fevereiro, a pressões internas
para favorecer a candidatura de Lourdes Flores Nano. O jornalista reiterou sua
denúncia para a missão de observadores eleitorais da OEA e revelou
que no final de 2005 o governo peruano havia pago 20 milhões de sóis
ao proprietário do Frecuencia Latina, Baruch Ivcher, em cumprimento a
uma sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Esse pagamento
gerou grande controvérsia devido à alta quantia envolvida e ao
sigilo inicial do governo a respeito do assunto.
O presidente da missão
de reconhecimento da OEA, Lloyd Axworthy, declarou que representantes da sociedade
civil e candidatos à presidência denunciaram favoritismo em alguns
meios de comunicação, principalmente da televisão, quanto
à candidatura de Lourdes Flores Nano Axworthy, que não concordou
com as denúncias e disse que os interesses dos envolvidos no processo
eleitoral deveriam ser levados em consideração.
Órgãos eleitorais,
organizações privadas e meios de comunicação, entre
eles o canal de televisão do governo, fizeram esforços significativos
para informar sobre as diversas plataformas dos candidatos, seus currículos
e trajetória, assim como as fontes de financiamento das suas campanhas.
Os principais candidatos se recusaram a participar de debates.
O Conselho de Imprensa Peruano
realizou um fórum para que os candidatos aderissem aos “Princípios
de Lima”, comprometendo-se a defender a liberdade de imprensa, o acesso
às informações em poder do governo e a transparência
na administração pública. O documento foi assinado por
12 candidatos.
A Sociedade Nacional de
Rádio de Televisão, que reúne os principais meios de comunicação,
protestou contra a Lei 28094 de Partidos Políticos que estabelece espaços
obrigatórios na televisão para os candidatos à presidência
durante o horário nobre e moveu uma ação de inconstitucionalidade.
No final, o Estado indenizou os meios por essas transmissões.
O Conselho de Imprensa Peruana
intercedeu junto ao JNE (Jurado Nacional de Elecciones) para que modifique o
escopo do Regulamento do Registro Eleitoral de Pesquisadores no que concerne
à divulgação de pesquisas nos meios. Considerou que nesta
deliberação de dezembro de 2005, o órgão eleitoral
se excedia em suas funções ao estabelecer pautas pouco práticas
para a publicação de pesquisas de opinião pública,
retificações de informações incorretas, entre elas
ações contra o meio infrator. O regulamento modificado ainda não
foi publicado.
Foi muito bem recebida a
oferta do presidente da Comissão de Defesa do Congresso, Luis Ibérico,
de acelerar a tramitação no parlamento de um projeto de lei que
modifica alguns artigos da Lei do Sistema de Inteligência Nacional (SINA)
e da DINI (Dirección Nacional de Inteligencia) apresentado pela congressista
Anel Townsend. A lei viola a Lei de transparência e acesso às informações
públicas.
Outros acontecimentos importantes
nesse período:
Em 11 de outubro, desconhecidos
derramaram uma grande quantidade de combustível na porta da Rádio
Panorama, da cidade de Andahuaylas, mas não atearam fogo. O jornalista
Ronald Ripa, gerente da emissora e correspondente da rádio Idéele,
disse que o incidente ocorreu depois que fez denúncias de corrupção
no governo de Apurímac.
Também em 11 de outubro,
Rolando Rodrich e Luís Bahamonde – diretor e editor do jornal Correo
de Trujillo, respectivamente – foram considerados culpados de difamação
pelo juiz César Ortiz da 9a Vara Criminal em La Liberdade. Os dois foram
condenados a dois anos de prisão em suspenso e a pagar multa de 30 mil
sóis. Os jornalistas haviam publicado várias denúncias
contra Walter Benítez, assessor do projeto Chavimochic e sobrinho do
presidente do Supremo Tribunal do Peru.
Em 18 de outubro, José
Calero, cinegrafista do Antena 31, foi agredido fisicamente por Marco Antonio
Montalvo, chefe da ODPE (Oficina Descentralizada de Procesos Electorales) de
Huanuco, quando fazia a cobertura de um evento junto com o jornalista Raúl
Vela, do mesmo canal. A agressão aconteceu na ODPE, quando os jornalistas
tentaram obter informações sobre a perda de atas eleitorais do
referendo regional na cidade de Huánuco.
Em 23 de outubro, Julia Saldaña, correspondente do jornal La República
na cidade de Iquitos, denunciou ser vítima de intimidação
telefônica. A jornalista, que havia sido ameaçada de morte em setembro
por desconhecidos em chamadas para seu celular, informou que tinha recebido
várias mensagens anônimas que ameaçavam expor sua vida privada.
Vários conhecidos da jornalista receberam ameaças semelhantes.
Em 26 de outubro, Róger
Chávez Neyra, jornalista da Rádio Solidaried de Uchiza, na região
de San Martín, denunciou que pessoas desconhecidas o estavam seguindo
a pé e em veículos não identificados. Afirmou que estava
trabalhando em uma matéria com denúncias contra o prefeito da
cidade de Uchiza quando as perseguições começaram.
Em 6 de novembro, um grupo
de motoristas de táxi da empresa Havana Tours agrediu Diego Rojas Latorre
e Ariana Rojas Latorre, repórteres do Canal 35 de Trujillo, depois que
gravaram uma operação policial na qual um motorista tinha sido
detido sob acusação de pertencer a uma gangue de roubo de automóveis.
Em 1º de dezembro,
Rocío Margot Paredes Matheus, jornalista da seção policial
do jornal Correo de Ayacucho, denunciou ser vítima de ameaças
telefônicas que tiveram início depois que a Unidade de Investigação
do jornal Correo, à qual ele não pertence, publicou informações
sobre supostas irregularidades cometidas pelo chefe da Divisão Anti-drogas
de Ayacucho.
Em 2 de dezembro, Miguel
Ángel Fernández Garagate, jornalista e locutor da Radio Amazónica
de Satipo, Junín, foi agredido fisica e verbalmente por quatro desconhecidos
que avisaram que os jornalistas da Radio Amazónica e seus familiares
seriam agredidos se ele denunciasse o incidente. A estação atribuiu
a agressão a grupos ligados à extração ilegal de
madeira na região.
Em 15 de dezembro, desconhecidos
atacaram com dinamite as instalações da revista Horas de Lucha,
de Ayacucho. Houve danos materiais, mas ninguém foi ferido.
Em 26 de dezembro, Rory
Huaney Rodríguez, jornalista da Radio Órbita em Yungay, foi ameaçado
de morte por Jean Carol León Martínez, filho do ex-prefeito de
Yungay, Amaro León León, que foi condenado em dezembro pelo assassinato
do jornalista Antonio De La Torre. Huaney afirmou que denunciou León
Martínez há quatro meses por agressão física na
Divisão de Investigação Criminal (DIVINDRI) de Huaraz.
O inquérito policial nunca foi concluído porque o acusado era
considerado foragido.
Em 28 de dezembro, Raúl
Vela Carhuas, editor do jornal El Pregonero de Huánuco, foi ameaçado
de morte pelo diretor da Pronamachs, Jonel Valderrama Medrano. O jornalista
havia denunciado que o funcionário dessa distribuidora estatal de alimentos
respondia a processo por falsificação de assinaturas que favorecia
o partido do governo.
Em 29 de dezembro, os repórteres
gráficos Leocadio Madera e Wilar Lazo Molina, do jornal El Sol e El Compatriota,
respectivamente, foram agredidos por membros da segurança do presidente
Alejandro Toledo, na cidade de Cusco, quando cobriam uma cerimônia de
inauguração de obras.
Em 6 de janeiro, Jorge Castañeda,
cinegrafista do noticiário “24 Horas” da Panamericana Televisión,
foi agredido por um membro da Polícia Nacional do Peru quando filmava
um protesto de presidiários na prisão de segurança máxima
Miguel Castro Castro, em Lima.
Em 9 de janeiro, o Ministério
de Justiça concedeu ao governo do Chile autorização para
pedido de extradição do ex-proprietário do Canal 9, Julio
Vera Abad, por manter vínculos ilegais com Vladimiro Montesinos, ex-assessor
presidencial.
Em 14 de janeiro, o cinegrafista
da Panamericana Televisión, Edgar Prado, e um grupo de jornalistas foram
agredidos quando cobriam uma manifestação do movimento fujimorista
Sí Cumple. O protesto referia-se à decisão do JNE de recusar
o registro do ex-presidente Alberto Fujimori como candidato presidencial para
as eleições de abril de 2006.
Em 19 de janeiro, a divisão
criminal do Supremo Tribunal de Justiça votou a confirmação
da sentença de 5 anos de prisão para Moisés e Alex Wolfenson,
ex-proprietários dos jornais La Razón e El Chino, por associação
ilícita para delinqüência e peculato, por terem recebido suborno
em troca de favorecimento da reeleição de Alberto Fujimori.
Em 23 de janeiro, Yasmani
Pocohuanca e Gilmar Inquilla, da Radio Programas del Perú foram agredidos
por Carlos Raffo, porta-voz de imprensa do movimento Sí Cumple, e membros
da segurança da candidata à presidência Martha Chávez,
na cidade de Puno, quando os jornalistas tentaram entrevistar Chávez.
Em 24 de janeiro, o cinegrafista
do Frecuencia Latina, Luís Marquina Bringas, ficou ferido enquanto cobria
um confronto entre 40 famílias que tentavam acampar na praia Chepeconde,
no sul de Lima, e guardas de uma empresa de segurança particular que
policiava o balneário.
Em 1o de fevereiro, os jornalistas
Emerson Quispe, da ATV; José Atauje da América Televisión;
Enrique Vargas, do Frecuencia Latina, e Elías Navarro, do jornal La República
foram agredidos fisica e verbalmente por um grupo de colonos em Huamanga, Ayacucho,
durante a inspeção de uma fossa comum realizada por autoridades
judiciais nas imediações da Penitenciária de Yanamilla.
Em 5 de fevereiro, Raquel
Vírhuez Castillo e Aquilina Gladys González, funcionárias
do Tribunal Eleitoral Especial de Huaraz, tentaram suspender a transmissão
do programa Hora Clave, do ATV Canal 9¸ dizendo que o prefeito Alfredo
Vera, que seria entrevistado no programa, estava proibido de fazer campanha
política. Entretanto, o prefeito não era candidato para as eleições
de abril de 2006.
Em 7 de fevereiro, Luís
Morón Palacios, a jornalista da Cadeia Sur Canal 15 de Ica, foi agredido
fisica e verbalmente por Carlos Falcón Guerra, irmão do diretor
do Colégio Nacional San Luis de Gonzaga, Pedro Falcón Guerra,
cuja nomeação foi questionada pelo jornalista.
Em 8 de fevereiro, Karina
Chávez, repórter do programa “Prensa Libre” da América
Televisión¸ foi agredida fisica e verbalmente por um partidário
do candidato Ollanta Humala durante um comício realizado em Lima.
Em 12 de fevereiro, Carlos Torres Caro, candidato à vice-presidência
pela UPP (Unión por el Perú), anunciou que se vencesse as eleições
com Ollanta Humala defenderia a prisão perpétua para os jornalistas
que cometessem crime de difamação. Ollanta Humala, candidato a
presidente, negou essa declaração.
Em 13 de fevereiro, Ricardo
Ramos Tremolada, colunista do jornal Perú 21, foi interrogado pela juíza
titular da 35o Vara Penal de Lima durante mais de quatro horas e foi em seguida
libertado. Ramos havia sido preso um dia antes no aeroporto Jorge Chávez
em cumprimento a um mandado de prisão relacionado a um processo por difamação
movido pelo ex-ministro da Justiça, Diego García Sayán.
O jornalista não
foi devidamente notificado pelo poder Judiciário sobre o mandado de prisão.
Em agosto de 2004, Ramos Tremolada publicou uma coluna na qual denunciava García
Sayán por ter favorecido com indultos supostos terroristas durante o
governo de transição de Valentín Paniagua.
Em 13 de fevereiro, Hermetes
Gerónimo Córdova e Miguel Rojas Sifuentes, jornalistas do programa
“El Equipo de la Noticia”, da rádio Conchucos, departamento
de Ancash, foram agredidos fisica e verbalmente por Yuri Rodríguez Apéstegui,
funcionário do prefeito Mariscal Luzuriaga, Williams Álvarez,
cuja administração foi questionada pelos jornalistas.
Em 13 de fevereiro, o jornal
oficial El Peruano ameaçou processar a Gaceta Jurídica pela publicação
de leis no seu web site. Walter Gutiérrez, diretor da Gaceta, declarou
que continuarão publicando as leis até que alguma autoridade administrativa
ou jurídica ordene sua suspensão, porque a divulgação
é necessária para que as leis sejam consideradas em vigor. Observou
que a divulgação que o diário oficial faz das leis é
— ao contrário da feita no site da Gaceta Jurídica –
demorada e não gratuita, apesar de estas serem um bem público.
Em 24 de fevereiro, em Aucayacu,
Alto Huallaga, um grupo de policiais, a mando de alguém identificado
como capitão Mendoza, pediu informações sobre a licença
de funcionamento da Radio Amistad, assim como detalhes sobre jornalistas e correspondentes
da emissora. Isso ocorreu poucos depois que Vladimir Angulo, correspondente
da Coordenadora Nacional de Rádio (CNR) e o jornalista da Radio Amistad
divulgaram o depoimento de Sonia Figueroa, dona da casa onde foi morto Héctor
Aponte Sinarahua, líder do Sendero Luminoso também conhecido como
“Clay”.
Em 4 de março, Alex
Wolfenson, ex-proprietário dos jornais La Razón e El Chino, foi
libertado depois que a divisão criminal do Supremo Tribunal reduziu sua
pena, que passou de 5 anos de prisão para 4 anos de prisão em
suspenso. Wolfenson havia sido condenado pela suposta venda da linha editorial
dos referidos meios a favor do governo de Alberto Fujimori. Continua pendente
o pagamento da indenização civil – no valor de 1.500.000
sóis – que Wolfenson deverá pagar junto com os outros 15
processados no caso, um deles Moisés Wolfenson, irmão do empresário,
sócio dos jornais e que não foi beneficiado com a redução
da pena.
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