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VENEZUELA
Reunião de Meio de Ano
Quito, Equador
17 a 20 de março de 2006
Ocorreram
neste período novos incidentes e atos de todos os tipos contra a liberdade
de expressão e de informação, jornalistas e meios de comunicação
independentes.
Os poderes públicos,
subordinados à vontade do presidente da República, agem nitidamente
para impedir que os cidadãos se expressem livremente e para que não
recebam informações sobre a realidade do país, sem censura
prévia.
As sentenças 1.013
e 1.942 da Sala Constitucional do Supremo Tribunal, a Lei de Responsabilidade
Social em Rádio e Televisão, a reforma do Código Penal
que agora tipifica como crime a dissidência, assim como novas leis, decretos,
regulamentos e resoluções, constituem uma ação estruturada
pelo regime para executar sua atuação restritiva.
Membros de todos os escalões do poder Judiciário fizeram manifestações
públicas de obediência ao projeto político do regime, revelando
de forma dramática a situação de insegurança jurídica
que reina no país.
O Bloco de Imprensa Venezuelano,
o Colégio Nacional de Jornalistas, o Sindicato Nacional de Profissionais
da Imprensa, a Cámara de Radio, a Sociedade Interamericana de Imprensa,
Repórteres sem Fronteiras, Human Rights Watch, o Instituto de Defesa
dos jornalistas, a Associação Internacional de Radiodifusão,
a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA e outras instituições
se manifestaram sobre os repetidos ataques a jornalistas e à liberdade
de expressão e de informação na Venezuela.
Com o propósito de
intimidar os meios independentes, o Serviço Nacional Integrado de Administração
Aduaneira e Tributária (SENIAT) declarou o “fechamento” do
El Impulso, jornal centenário da cidade de Barquisimeto.
Com apoio militar, funcionários
do Seniat fecharam a sede do jornal, seus escritórios e sucursais em
Caracas em 25 de outubro de 2005, desalojaram os jornalistas e os funcionários
da administração e os impediram de utilizar seus locais de trabalho.
O jornal não circulou no dia 26 de outubro. Essa medida arbitrária
que impediu a edição do El Impulso no dia 26 foi repudiada em
todo o país.
O regime pressiona as emissoras
independentes através da imposição de novos impostos, exigências,
requisitos administrativos para os meios de radiodifusão com suas respectivas
sanções econômicas, impedimento do uso de instalações
de trabalho e fechamento.
A concessão de propaganda
publicitária de órgãos e empresas do governo para meios
de imprensa que apóiam o governo são cada vez maiores. Isso contrasta
com o investimento mínimo ou inexistente feito nos meios independentes.
Em 2 de dezembro de 2005,
os representantes das televisões Globovisión e Radio Caracas Televisión
foram convocados pelo Diretório de Responsabilidade Social em Rádio
e Televisão e informados de que haviam sido tomadas “as medidas
necessárias para que não ocorram erros nas transmissões
das eleições” de deputados para a Assembléia Nacional,
as quais foram realizadas dois dias depois. As torres e transmissores desses
canais foram ocupados por tropas do regime que impediram seu acesso pelos técnicos
até o final do processo eleitoral.
O procurador-geral da República,
Isaías Rodríguez, anunciou em 19 de janeiro de 2006 uma medida
contra jornais, televisões e emissoras de rádio por suposta “obstrução
da justiça” e solicitou que um juiz ordenasse a proibição
de publicação ou divulgação de informações
sobre a testemunha no caso do assassinato de um promotor do Ministério
Público.
O juiz da 6ª Vara do
tribunal de controle proibiu mediante sentença em 23 de janeiro a publicação
ou divulgação de informações conforme pedido da
procuradoria-geral, o que concretiza a censura prévia e contradiz o art.
57 da Constituição que garante a liberdade de expressão
“sem que se possa exercer censura”.
Os canais de televisão Globovisión e Radio Caracas TV, o diretor
do jornal Tal Cual, o Sindicato Nacional de Profissionais da Imprensa e a Associação
Civil “Expresión Libre” entraram com recursos de amparo,
os quais foram negados pelos juízes.
O ministro de Informação
advertiu publicamente o jornal El Nacional, acusando um suposto “encobrimento,
simulação de fato punível ou difamação”
pela publicação de um editorial em 21 de fevereiro de 2006 no
qual se fazia alusão à possibilidade anunciada pelo presidente
da República de um “referendo consultivo” para sua reeleição
indefinida e se criticava o questionado Conselho Nacional Eleitoral.
A promotoria do Ministério
Público acusou a jornalista Patricia Poleo e o editor Nelson Mezerhane
e pediu sua prisão em 4 de novembro de 2005. Os dois foram acusados como
“supostos autores intelectuais” do assassinato de um promotor do
Ministério Público. Ambos negaram ter qualquer ligação
com o crime. Mezerhane ficou 46 dias na prisão depois de se apresentar
voluntariamente perante o Tribunal da Causa. Encontra-se atualmente em liberdade
condicional e apresenta-se perante o juiz a cada duas semanas. Patricia Poleo
decidiu abandonar o país com medo de ser alvo de humilhações
e torturas por parte da polícia política.
O jornal La Región
, de Miranda, foi atacado com bombas em 8 de março de 2006. O chefe de
redação do jornal afirmou que o atentado pode estar relacionado
à publicação de várias denúncias que tem
feito.
Outras agressões
a jornalistas:
Em 28 de outubro de 2005,
repórteres gráficos do jornal Notitarde foram seqüestrados,
agredidos e ameaçados de morte por um grupo de supostos estudantes depois
que tiraram fotos da explosão de uma bomba na Universidade de Carabobo.
David Ludovic, repórter
do El Nacional , foi agredido em 1º de novembro de 2005 em frente ao Palácio
Presidencial, em Caracas, enquanto entrevistava duas pessoas. Foi levado por
agentes de segurança que o obrigaram a assinar uma declaração
afirmando que não havia sido agredido.
Os jornalistas José
Trovat e Francia Malavé foram feridos quando uma pessoa incendiou a correspondência
do jornal Notitarde na cidade de Puerto Cabello.
Em 7 de janeiro de 2006,
a jornalista da Globovisión, Gabriela Matute foi alvo de humilhações
e insultos degradantes proferidos pelo prefeito da região metropolitana
de Caracas quando lhe perguntou sobre as ocupações de imóveis
de propriedade privada.
Em 31 de janeiro de 2006,
um promotor do Ministério Público em Maracaibo confiscou o material
fotográfico e os equipamentos do repórter gráfico do jornal
La Verdad.
Em 9 de fevereiro, a promotoria
do Ministério Público acusou o jornalista Napoleón Bravo
de crime de vilipêndio contra o Supremo Tribunal de Justiça.
O jornalista Gustavo Azócar
Alcalá foi detido em 6 de março de 2006 no estado de Táchira
por ordem de um promotor do Ministério Público. Um juiz ratificou
o mandado de prisão e Alcalá foi preso.
Em 13 de março, o
45o Tribunal de controle abriu processo contra a jornalista Marianella Salazar
por suposta calúnia em relação ao vice-presidente da República
e ao governador do estado de Miranda.
Também em 13 de março,
expediu-se mandado de prisão contra a jornalista Ibéyise Pacheco,
acusada pela procuradoria pelo suposto crime de “falso testemunho”.
Em 15 de março de 2006, a jornalista entregou-se e foi colocada em prisão
domiciliar, foi impedida de escrever sua coluna ou transmitir seu programa de
rádio. Pacheco deve também apresentar-se na corte a cada duas
semanas.
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