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ARGENTINA
A grave situação econômica e política que assola
o país apresenta sérias repercussões desde dezembro passado,
quando o crescente mal-estar social provocou a renúncia do ex-presidente
Fernando de la Rúa e manifestações populares foram seguidas
por agressões, ameaças e intimidações contra jornalistas.
A Associação de Repórteres Gráficos da República
Argentina denunciou que "desde o começo dos panelaços, os
profissionais de imprensa, especialmente os cinegrafistas e repórteres
gráficos, foram vítimas constantes da brutalidade policial".
O sindicato enumerou os casos de jornalistas e repórteres gráficos
que ficaram feridos durante as ações policiais dos últimos
meses.
Alguns deles são: Gustavo Fidanza e Hernán España (Diario
Popular); Marcelo Baiardi, Diego Levy, Sergio Goya e Pablo Cerolini (Clarín),
Marcos Adandia (Noticias Argentinas), Javier Moreno (Fotobaires), Fabián
Marelli e Carlos Barria (La Nación); Alejandra Brattin e Luciano Thieberger
(Crónica), e os jornalistas independentes Walter Astrada, Enrique Medina,
Leonardo Zavattaro, Verónica Mastrosimone e Daniel Bobadilla.
Osvaldo Logares, jornalista do canal a cabo TN, foi agredido por manifestantes
durante uma concentração em frente aos tribunais portenhos. José
Stellato, jornalista da Radiodifusora Tandil, teve seu carro parcialmente destruído
durante um atentado incendiário.
Em 11 de janeiro passado, Claudio Andrés de Luca, jornalista da FM Aire
Libre, rádio comunitária de Rosario, foi agredido por um grupo
de manifestantes enquanto cobria uma mobilização convocada pelo
sindicato de trabalhadores municipais dessa cidade.
Em Capitán Bermúdez, ao norte de Rosario, nesse mesmo dia, o jornalista
Ricardo Martín Oeschger, da emissora FM Paraná, denunciou que
ao sair da rádio em seu carro foi seguido por um veículo cujos
tripulantes dispararam contra ele.
O jornalista Julio Rodríguez, correspondente do jornal Clarín,
na província de Santiago del Estero, denunciou que sua família
recebeu ameaças de morte. Rodríguez considera que a ameaça
está relacionada a uma investigação jornalística
que realiza sobre possíveis atos de corrupção na província.
No final de novembro de 2001, a jornalista Verónica Cesari, do jornal
Los Andes, de Mendoza, recebeu ameaças em sua casa, que também
se estenderam à sua família, e sofreu agressões e seguidas
intimidações.
Essas ameaças começaram logo depois da publicação
na seção política do jornal de Mendoza de uma investigação
realizada por Cesari com outros colegas sobre supostas irregularidades no desempenho
das funções de Roberto Lucas, ex-presidente do Conselho de deliberação
do departamento de General Las Heras.
Em 5 de novembro, três jornalistas do jornal La Opinión, de Trenque
Lauquen, foram agredidos quando faziam seu trabalho no distrito de Rivadavia.
O chefe de redação do La Opinión, Eduardo A. Falcón,
o jornalista Dardo Lambertt e o fotógrafo Hugo Tiseira encontravam-se
no local para fotografar o momento em que um grupo de moradores de Rivadavia
rompia uma comporta de um canal que regula o fluxo de água para a localidade
de Vidania, no distrito de Trenque Laquen. A região está inundada
há muito tempo.
A denúncia do jornal acrescenta que 50 pessoas agrediram os jornalistas
e roubaram uma câmera digital e outros objetos pessoais.
Ana Paula Far Puharre, fotógrafa da revista Noticias, foi agredida por
desconhecidos durante a cerimônia em que Carlos Saúl Menem reassumiu
o cargo de presidente do Partido Justicialista.
No final de 2001, uma comissão de investigação da Câmara
dos Deputados concluiu seu trabalho sobre a lavagem de dinheiro utilizado na
aquisição de meios de comunicação e emitiu vários
relatórios a respeito.
O relatório da primeira minoria, formada pela presidente da Comissão,
Elisa Carrió, e outros três deputados, e o relatório dos
deputados radicais Horacio Pernasetti e Margarita Stolbizer (o que implica a
maioria da comissão) apontaram sérias irregularidades que, segundo
documentos oficiais, foram detectadas no setor dos meios de comunicação.
As denúncias referem-se principalmente à origem desconhecida dos
fundos utilizados para a aquisição de empresas no setor que permitiram
a formação de grandes conglomerados. Observou-se também
a utilização de triangulações para a transferência
de dinheiro "lavado" para o exterior, que em seguida foi transferido
como empréstimos que foram utilizados nessas aquisições.
Entre as conclusões, os legisladores declararam que o processo de concentração
dos meios de comunicação em um número reduzido de grupos
econômicos "evidencia sucessivas transferências de propriedade
de ações de uma sociedade a outra, dessa a uma terceira e assim
sucessivamente, fusões por absorção e sociedades que são
dissolvidas sem liqüidação, sem que os administradores terminem
de acompanhar toda a documentação necessária para resolver
uma transferência antes de se apresentar a seguinte".
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