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HAITI
A situação da liberdade de imprensa piorou consideravelmente nesse
último semestre. Nesse período, um jornalista foi morto selvagemente
a machadadas, muitos outros foram agredidos e outros receberam ameaças
de morte e foram alvo de pressões psicológicas, ações
provenientes principalmente de dirigentes e membros do partido do governo, conhecido
como Movimento da Família Lavalás.
O presidente Jean Bertrand Aristide declarou repetidas vezes que respeita a
liberdade de imprensa, mas os jornalistas foram alvo de maus tratos e receberam
ameaças de policiais e funcionários do governo. Há também
registro de dificuldade para acessar as fontes de informação oficiais.
A Associação de Jornalistas Haitianos denunciou pelo menos sete
casos de pressões, maus tratos e prisões ilegais de jornalistas.
Pelo menos 15 jornalistas se exilaram, principalmente na França, Canadá
e Estados Unidos, depois das perseguições e sérias ameaças
de morte que sofreram durante a época da tentativa de golpe de Estado,
que ocorreu em 17 de dezembro passado.
Muitos jornalistas foram obrigados a cantar publicamente "Viva Aristide"
e guardas do Palácio Presidencial apontaram armas de fogo contra outros.
Diante da falta de investigação e da indiferença quanto
às denúncias policiais, a Associação de Jornalistas
Haitianos moveu processos contra vários agressores e pessoas que estimulam
agressões aos jornalistas.
Em 3 de dezembro de 2001, o radialista Brignol Lindor foi assassinado a machadadas
na cidade de Petit-Goave, a 60 km a oeste de Porto Príncipe, por homens
que se identificaram posteriormente como membros do partido Família Lavalás
e que acusaram o jornalista de "se opor ao governo".
Uma comissão da Associação de Jornalistas Haitianos foi
criada para investigar o assassinato e determinou que se tratou de uma ação
política pró-governo.
Robert Ménard, de Repórteres sem Fronteiras, e Joseph Guyler Delva,
secretário-geral da Associação de Jornalistas Haitianos,
foram acusados de conspirar contra o governo do presidente Aristide por líderes
de grupos políticos afiliados ao Movimento Família Lavalás.
O presidente Aristide condenou as ameaças aos jornalistas.
Esses grupos pró-governo ameaçaram publicamente queimar Delva
vivo, e não se tomou nenhuma medida contra os responsáveis por
essas ameaças. Autoridades do governo e do Movimento Família Lavalás
não condenaram explicitamente as ameaças.
Continuam sem punição o assassinato de Brignol Lindor e o de Jean
Leopold Dominique, ocorrido em 3 de abril de 2000, e o de Gerard Denoze, ocorrido
em 15 de dezembro de 2000.
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