MEXICO
CONSIDERANDO
que restam
dúvidas sobre a morte de José Miranda Virgen, colunista do jornal
Sur de Veracruz, ocorrida em 16 de outubro de 2002, porque não se sabe
se foi premeditada, como concluiu a procuradoria-geral do Estado de Veracruz,
e porque não se investigou a relação do incidente com
o tipo de jornalismo que o a vítima exercia
CONSIDERANDO
que em
18 de fevereiro de 2002 foi assassinado Félix Fernández García,
diretor da revista Nueva Opción, de Ciudad Miguel Alemán, Tamaulipas,
e que até a data as investigações sobre o seu assassinato
não obtiveram nenhum resultado
CONSIDERANDO
que em
24 de março de 2001 foi assassinado Saúl Antonio Martínez
González, vice-diretor do jornal El Imparcial, de Matamoros, Tamaulipas,
e que desde então não se obtiveram resultados nas investigações
sobre seu assassinato
CONSIDERANDO
que em
19 de fevereiro de 2001 foi assassinado José Luis Ortega Mata, diretor
do Semanario de Ojinaga, e que depois da detenção e posterior
libertação do suposto mandante do crime não se obteve
nenhum outro resultado no caso, mesmo tendo passado à jurisdição
federal
CONSIDERANDO
que os
dois supostos responsáveis pelo assassinato em 1998 do jornalista Philip
True, correspondente do San Antonio Express-News no México, continuam
em liberdade depois que, em 20 de fevereiro passado, os magistrados do Segundo
Tribunal do Terceiro Circuito – federal – invalidaram a sentença
de 13 anos de prisão emitida pela Primeira Sala do Supremo Tribunal
de Justiça – estadual – por irregularidades no procedimento
de apelação que foi apresentado pela procuradoria-geral de justiça
do Estado de Jalisco contra a sentença de absolvição
contra os culpados, emitida pelo juiz Colotlán em agosto de 2001
CONSIDERANDO
que o
governo do México não respondeu a todas as recomendações
emitidas pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos sobre os
casos de assassinatos investigados pela SIP, de Héctor Félix
Miranda, ocorrido em 29 de abril de 1988, e de Víctor Manuel Oropeza,
ocorrido em 3 de julho de 1991, nas quais se estabelece que o Estado mexicano
tem responsabilidade internacional pelas violações cometidas,
tal como o fato de que em nenhum dos crimes se tenha investigado a linha do
móvel político do crime
CONSIDERANDO
que o
presidente do México, Vicente Fox, reiterou recentemente seu compromisso
de impulsionar medidas em escala federal pelas investigações
correspondentes dos assassinatos de jornalistas e que, ainda que em abril
passado tenha sido instaurada a Mesa de Incidentes contra a Liberdade de Expressão
no ministério do Interior, isso não foi suficiente para esclarecer
os casos pendentes
CONSIDERANDO
que o
princípio 4 da Declaração de Chapultepec prevê:
“O assassinato, o terrorismo, o seqüestro, as pressões,
a intimidação, a prisão injusta dos jornalistas, a destruição
material dos meios de comunicação, qualquer tipo de violência
e impunidade dos agressores, afetam seriamente a liberdade de expressão
e de imprensa. Estes atos devem ser investigados com presteza e punidos severamente”
A REUNIÃO DE MEIO DE ANO DA SIP RESOLVE
pedir
às autoridades do Estado de Veracruz que mantenham aberto o caso de
José Miranda Virgen, para que, sempre que assim o permita a jurisdição
estadual, possam ser seguidas novas linhas de investigação no
caso de surgirem posteriormente indícios de que o acidente em que o
colunista faleceu ter sido premeditado e, assim, ser conseqüência
do exercício do jornalismo
exortar
as autoridades do estado de Tamaulipas a se empenharem para esclarecer os
assassinatos de Félix Fernández García e Saúl
Antonio Martínez González para que se descubram quem foram os
assassinos e o mandante do crime
pedir
à procuradoria-geral que informe sobre os resultados que até
a data tenha obtido sobre as investigações sobre o suposto assassinado
de José Luis Ortega Mata, que foi recentemente preso pela Unidade Especializada
contra a Delinqüência Organizada (UEDO)
denunciar
o modo irregular em que foi tratado o caso do jornalista Philip True, começando
com a investigação policial inicial, ineficiente, e pedir às
autoridades judiciais de Jalisco e às autoridades federais que façam
uma rigorosa revisão das evidências e apliquem as sanções
devidas aos culpados
solicitar
ao governo do México e ao poder Judiciário que tomem as medidas
necessárias para que os casos mencionados não fiquem sem punição,
considerando-se a necessidade de que os assassinatos de jornalistas sejam
tratados na jurisdição federal para que se obtenham assim maiores
garantias e transparência, e que a reiterada promessa do Executivo,
na pessoa do presidente Vicente Fox, de que assim o fará, se concretize
o mais rápido possível, antes do término do seu governo.
Perguntas
ou Comentários? escreva-nos
© 1999 Sociedade
Interamericana de Imprensa. Todos os direitos reservados.