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URUGUAI
II
Resolução da 62a Assembléia Geral
Cidade do México, México
2006
CONSIDERANDO
que em 27 de junho o presidente Tabaré Vázquez decidiu apontar
publicamente nove meios de comunicação (os jornais El País
e El Observador e o semanário Búsqueda –os três membros
da SIP–, as rádios Carve, Sarandi, El Espectador e Montecarlo e
os canais de televisão privados Saeta TV Canal 10 e Montecarlo Televisión
Canal 4), que identificou como “atores políticos” que fazem
parte da “oposição” a seu governo
CONSIDERANDO
que a indicação de uma lista de meios de comunicação
pelo presidente foi interpretada pelos partidos políticos da oposição
e pela grande maioria dos meios de comunicação como uma tentativa
da cúpula do poder de tirar a autoridade e a credibilidade desses meios
perante o público
CONSIDERANDO
que o “clima rarefeito” denunciado já em março pela
SIP na assembléia de Quito para o exercício da liberdade de imprensa
e o jornalismo no Uruguai, mudou agora para uma situação de perseguição
contra alguns dos meios de comunicação assinalados pelo presidente
CONSIDERANDO
que algumas situações concretas muito preocupantes já começaram
a se produzir, sendo a mais grave delas uma investigação oficial
iniciada pelo Instituto da Criança e do Adolescente do Uruguai (INAU),
uma entidade estatal, que decidiu dar curso a uma denúncia anônima
contra o chefe de redação do semanário Búsqueda,
ocorrida um dia depois que o jornal publicou uma informação que
incomodou as autoridades, por supostos maus tratos do jornalista e sua esposa
a um de seus filhos de 6 anos de idade, a quem querem interrogar os psicólogos
do Estado
CONSIDERANDO
que este parece ser um novo método de coagir, amedrontar e pressionar
os jornalistas, com ataques do Estado baseados em denúncias anônimas
que envolvem suas famílias, o que constitui uma nova e extremamente perigosa
ameaça ao exercício da atividade jornalística e à
vigência da liberdade de imprensa no Uruguai
CONSIDERANDO
que o Princípio 4 da Declaração de Chapultepec adverte
para o fato de que “o assassinato, o terrorismo, o seqüestro, as
prisões, a intimidação, a prisão injusta dos jornalistas,
a destruição material dos meios de comunicação,
a violência de qualquer tipo e a impunidade dos agressores, restringem
severamente a liberdade de expressão e de imprensa. Esses atos devem
ser prontamente investigados e punidos com rigor”
A ASSEMBLÉIA GERAL DA SIP RESOLVE:
manifestar sua enorme preocupação
pelo rumo que estão tomando as coisas no Uruguai com relação
à perseguição verbal e de fato a alguns meios de comunicação
e jornalistas considerados “opositores” pelo governo do presidente
Tabaré Vázquez
pedir ao Poder Executivo
do Uruguai a suspensão imediata desse tipo de pressões indevidas,
especialmente aquelas que, conforme comentários no considerando quinto,
violam sob todos os aspectos a liberdade, as garantias e os direitos dos cidadãos
manter-se em estado de alerta
diante da mudança muito preocupante observada na conduta do Poder Executivo
com relação à imprensa que não o apóia .
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